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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Inha um doce de papagaio - Carlos Lopes


Nas festas de ano novo, costuma-se compartilhar bons fluídos e também, escancarar atos contidos de possível redenção.

Neste fim-de-ano encorpada ou não no espírito natalino, quarenta e um ano depois, a minha genitora resolveu abrir o seu o coração. Contou-me como sucedeu o desaparecimento do então papagaio apelidado de Inha.

Eu tinha apenas dez anos de idade quando Seu Amelino, um fazendeiro da região do Riacho do Navio, trouxe o presente e o entregou nas mãos da minha mãe, sob meu olhar festivo.

A ave da família psitaciforme ainda era muito pixotinha a ponto de carecer de cuidados, estes vieram anotados num papel amarelado e entregue junto com a ave de penas multicores.

Os dias que se passaram, foram de cuidados e atenção quanto à alimentação e proteção do novo habitante da casa. Com o passar de alguns meses, nem foi necessário exames de DNA ou laparoscopia para saber se tratar de uma fêmea.

Ela, a Inha, tinha bicos pequenos, peso levemente inferior a um macho e, sinceramente, não lembro se falava alguma coisa.

E por falar em macho, Seu Amelino, a pedido da minha mãe, caça em sua fértil região um outro louro. Este sim, macho todo! Mas, tem um porém: Na dúvida, minha mãe pediu para que já trouxesse um ¨bicho¨ criado e já falando.

A decepção, digamos assim, dos meus pais com Inha, não se deu pelo fato dela não falar ou destambocar as paredes da casa. Diria que foi na fracassada procriação, onde não lhe faltou um tronco oco de árvore, um verdadeiro ninho natural de reprodução.

Não sei se foi pela afeição a uma só pessoa, no caso meu pai, o fato é que o louro macho foi doado a minha avó e mudou-se para Tabira, onde continuou a bicar quem se atrevesse a encurtar distância.

Quanto a Inha, não. Esta não falava, é verdade, mas adorava se exibir e deixar alisar seu dorso ou ser alimentada na mão. Mas não era só isso, substituía em algumas brincadeiras qualquer menino da rua onde moramos.

Nessa época, a minha cidade Iracema, estava sendo ladeada pela chegada do asfalto, e logo ali, pertinho de nós, estavam acampadas três construtoras. Aquelas máquinas, caçambas e peões nos inspirava a construir nossa ¨firminha¨ de carros de brinquedos.

Inha, minha doce fêmea, substituía o melhor dos ¨cassacos!¨ Afinal, a oferta era maior do que a procura. Os meninos da minha rua davam preferência a brincar em quintais de terra batida, o que não era o caso lá de casa.

Além de se divertir embalada na carroceria da minha caçamba com suas asas abertas, Inha ainda dormia sobre minha barriga e até se arriscava a tomar banho de mangueira comigo. Se ela apreciava, não sei dizer, mas também nunca lhe dei o direito da escolha.

Um dia, Inha sumiu! Subi no muro e a busquei pelos telhados da vizinhança. Nada! Não estava na gaiola, no chão ou no jirau. Perguntei e minha mãe disse não saber dela, mas que eu devia ir estudar. Algo me fez supor que jamais a veria.

Meu pai pediu que fosse apanhar cigarros na bodega de Seu Nereu. No caminho, vi um garoto olhando o telhado da igreja. E lá estava Inha, deslizando entre as telhas inglesas.



Não acreditei no que vi.

Eu subir naquela altura? Não poderia! Estava acima das minhas possibilidades.

Padre Mariano, nem um pouco se mostrou amistoso ao abrir a porta da casa paroquial, localizada nos fundos da igreja. Cada vez que eu explicava, pouco ou nada o padre parecia entender. De tanto gesticular, fui ameaçado de um cocorote, punição habitual daquela autoridade com a criançada.

Dona Carmosa, vizinha da igreja e vendo minha aflição, veio tomar tino da situação. Corri até uma certa distância e apontei o telhado. A boa senhora trouxe o velho padre pela mão.

- Olhe ela lá, seu padre? Gritei.

Inha, até parece que só esperava o momento de se despedir. Ficou imóvel algum tempo, pareceu me olhar e de repente alçou vôo! Tive medo que ela desabasse daquela altura, mas suas asas não estavam cortadas. Seu voo era em linha reta, no sentido oposto de onde eu estava. Ela parecia saber estava voando em direção às baraúnas, local onde se concentrava a maior quantidade de árvores de grande porte, já fora da cidade.

Inha voava e cada vez mais se transformava em apenas um pequeno ponto no céu azul.

Ali fiquei. Dona Carmosa e o padre se afastaram conversando sei lá o quê. Mas eu fiquei ali. Olhava para o horizonte, limpava os olhos com a mão, mas Inha, eu não via mais. Naquele momento só um pensamento se apossou de mim:

- Inha não vai voltar! 

Enfim, neste fim de ano de 2011, minha mãe contou a verdade. Ela deixou as asas de Inha crescer e oportunamente a colocou na janela da rua. Deixou que um caminhão barulhento a assustasse. Ela tinha medo de barulhos de veículos pesados. E, um monstro de um caminhão baú não demorou a aparecer!

- E Inha fez o seu primeiro voo ...

Autor: Carlos Lopes - Olinda/PE

Publicado  dia 17/01/2012 : http://gandavos.blogspot.com/

domingo, 15 de janeiro de 2012

O Cinema de seu Zé das Máquinas




Depois de mais de duas horas chacoalhando dentro de uma boléia de camionete imprópria à cinco pessoas, a velha e fiel Ford 1951 aponta em direção ao centro de Custódia.  Pouco havia de expectativa, muito mais de cansaço e desgosto por deixar para trás a cidade de nascimento. De todos, somente eu e o meu pai de nada tinha  a reclamar. Ele por ter perdido o  que conseguira em anos de trabalho e no meu caso apenas uma criança de nove anos aberto as mudanças da vida. Arregalei bem os olhos para admirar uma velha fubica ano 1929 estacionada na calçada da avenida Manoel Borba. Mais tarde vim a saber pertencer a João Correia.


A primeira casa em que moramos em Custódia foi na rua Coronel Nemésio Rodrigues de Melo. Nossos vizinhos eram os irmãos Vitor. Fernando  constrói um carrinho de madeira para mim e estabeleceu-se uma grande amizade entre todos. A casa deles era muito freqüentada e quase sempre se via por lá  Marcos e Márcio Moura, que juntamente com seus pais foram de grande importância na nossa chegada já que os conhecia de Tabira, onde tenente Ulisses fora delegado. Logo percebemos que nossa nova casa tinha fundos com o cinema e em dias de exibição dava pra ouvir com nitidez a trilha sonora dos filmes. 

Seu Benedito,  um senhor aposentado do exército, sentia muito gosto em se pompar usando farda de gala na entrada do seu cinema. Durante o dia atuava como  ¨juiz de menor¨  perambulando atrás da criançada.  Era um Deus nos acuda quando o velho aparecia com seu tradicional: ¨Espere aí¨. Normalmente findava com nossas brincadeiras de rua, mas em compensação de longe gritávamos: ¨Papagaio Verde!¨ No mesmo prédio do cinema de Seu Benedito surge o Cine Uirapuru, de propriedade de Seu Adolfo, provindo das bandas de Quitimbú. Aliás, a história da cenegrafia custodiense ainda contou com  a participação de Zé de Isaias e Adamastor Ferraz, os pioneiros em produzir exibições cinematográficas que se tem conhecimento. Contam que Adamastor certa vez em São Caetano, cobrou a ¨entrada¨ pelo mesmo filme três vezes. Vendo cada rolo de filme terminar e a debandada dos nativos, anunciava novamente o filme e fazia um novo apurado.

Meu pai comprou o cinema de Seu Adolfo por uma quantia bastante razoável ficando um saldo a ser liquidado em pequenas parcelas, sob a alegação de que teria de assim ser feito antes de alguma desavença com algum pai de família. O cinema trouxe ao meu pai a notoriedade que hoje o torna conhecido por várias gerações de pessoas e é impossível quem não o reconheça pelo nome de Seu Zé do Cinema ou Seu Zé das Máquinas. O novo cinema veio a ser registrado oficialmente como Cine Santa  Maria, porém foi com o nome Cine Custódia que ficou conhecido.  O cinema funcionava na Avenida Inocêncio Lima em um salão de propriedade de um dos seus melhores amigos, o Sr. Guilherme Queiroz. Ele, fiscal de renda do Estado e filho de Nozinho Veríssimo, uma verdadeira lenda do município e também pai de Terezinha Queiroz, a nossa vizinha de frente, isso já na rua Dr. Fraga Rocha.

Como meu pai ¨exibia¨ filmes em outras cidades foi percebendo as inovações e procurava atualizar seu cinema. Daí vieram: piso em declineo, cadeiras apropriadas, ventiladores de teto, tela panorâmica e por fim, aquisição de projetor de 35mm, equipamento pouco comum à maioria dos cinemas da região. Coube ao meu pai exibir o primeiro filme colorido na cidade. E aí tem uma curiosidade. O filme fora produzido em cinemascop e cadê a lente especial? Tentou-se de tudo, inclusive transmitir imagem de espelho para espelho, mas não deu certo. Ninguém reclamou pela imagem comprimida, afinal tratava-se de um filme colorido. Foram infindáveis os títulos exibidos no Cine Custódia, destacando-se: Os canhões de Navarone, Meu ódio será sua herança, A meia-noite levarei tua alma, Os três mosqueteiros, Coração de Luto, Romeu e Julieta, Love story, A mulher do padre, Tarzan e as Amazonas e Teixeirinha e as sete provas. Este último, certa vez Fernando José o batizou de Teixeirinha e as 32 provas. Isto porque sempre que o faturamento caia meu pai o trazia de volta.

Enfim, o Cine Custódia funcionou durante quase uma década como um dos principais pontos de cultura e entretenimento de Custódia. Lá, além de assistir o Repórter Esso, ainda se assistia o filme: ¨A Copa do Mundo de 70¨. Filmes como este, juntamente com ¨O assalto ao trem pagador¨ e ¨Mineirinho vivo ou morto¨, traziam ao cinema até o vigário logal. Quantos namoros não tiveram início durante as sessões?  Existia lugar melhor pra uns amassos naquele tempo?  Mas nem sempre de glória vivia o cinema. A existência de um único público  às vezes levava meu pai a loucura. Quando se instalava na cidade um parque de diversão ou um circo, ocasiões onde nem sempre se conseguia público mínimo que custeasse a exibição, meu pai ia ao desespero.  Era hora de procurar outras ¨praças¨ para não deixar faltar comida à mesa. E isso meu pai fez muito bem protagonizando exibições em lugarejos onde nunca havia chegado a sétima arte e ainda fornecia filmes  com renda dividida em cidades onde já havia cinema.  

Certa feita, fomos ¨passar¨ filme num lugar chamado São Caetano. Na hora da exibição, nenhum pagante. Papai puxa conversa com morador do lugarejo e vem a saber de um lutador de um pequeno circo ter desafiado um ¨lutador¨ local e, naturalmente,  todos estavam por lá. Uma meia hora depois lá vem papai acompanhado de umas oito ¨mulheres de vida fácil¨, lá de Custódia, que como nós foram faturar com a festa de rua do lugar. A mim foi entregue um disco de 78 rpm com a recomentação de que ficasse virando de um lado para outro, por ser o único disco.  A segunda recomendação era coisa de pai pra filho: focar no som, nada de olhar a dança.  Aqui aculá meu pai passava o chapeu e a matutada contribuia de forma satisfatória. No dia seguinte, o capim do quintal estava todo abaixadinho. Anos depois ainda havia ¨senhoras¨ me perguntando: ¨Ei menino, quando é que teu pai vai fazer outro forró daquele?¨ Minha mãe é que não gostou nada daquele acontecido!

No final da década de 70, o Cine Custódia fecha as portas encerrando a fase romântica do cinema no interior.  Digo isto porque dezenas de outros cinemas também assim procederam. A televisão de ótima imagem e som, estava acessível a todos. Mesmo cinemas famosos não foram páreo às programações gratuitas, entre eles: Bandeirantes (Arcoverde), São José (Afogados da Ingazeira e Alvorada (Tabira). Em nome do meu pai, gostaria de aproveitar esta oportunidade para registrar o nome de pessoas que contribuíram com o cinema durante quase uma década sem receber uma prata sequer como pagamento. Foram valiosas as  locuções feitas por José Melo e Fernando José,  mesmo quando meu pai  fazia exibição em outras localidade era a voz deles nas primeiras viagens, depois ficou sendo a de papai mesmo .  Fica um agradecimento ao já falecido Humberto de João Anjo por ter sido o nosso primeiro operador de som e  do projetor. Um carinho todo especial ao nosso Severino do Rádio pelos tantos reparos em nossos equipamentos. Alguém gritava: ¨Cadê o som¨. Meu pai dizia: ¨Chamem Severino!¨ Sem os amigos Guilherme  Queiroz e Claudinete Simões o cinema não teria funcionado por muito tempo. O primeiro ¨esquecia¨ de cobrar o aluguel e ao segundo cabia o financiamento de filmes em épocas difíceis. Por fim, um agradecimento muito grande ao amigo da família Pedro Vitor. Este foi o fiel escudeiro da paz e da tranqüilidade em suas atribuições diárias pela cidade e a noite era o nosso anjo da guarda. Coitado, assistia até cinco vezes o mesmo filme. Sempre ao lado de Rosa, na época sua namorada. Quando lá não estava, aos primeiros ¨sapateados da turma¨ meu pai dizia: ¨Chama Pedrin¨. E Pedro ao entrar, dizia em alto e bom som: ¨Pessoal, eu estou aqui¨. A fita podia partir por vezes (e partia mesmo) e ninguém reclamava.

Com a chegada da televisão até a praça ficou vazia. A mulherada só desciam após a novela das oito. Houve até quem cobrasse entrada em sua residência daqueles desprovidos de um aparelho de receptor.  Por estas e outras o prefeito Luizito disponibiliza um aparelho a céu aberto a quem quisesse assistir. Ao meu pai, coube perceber a chegada da hora do descanso de uma vida de trabalhos onde perambulou pelas mais diversas profissões.  Isto porque aos nove anos de idade saiu de casa para trabalhar pelo simples prato comida. De lá pra cá, foi agricultor, carreiro, pedreiro, vendedor de ovos, vendedor de sapatos na feira, dono de padaria, militar, comerciante de móveis, entre outras.  Prosperidade mesmo só no início dos anos sessenta quando se tornou um dos principais comerciantes da região do Pajeú. O rádio já existia mas foi o meu pai que o popularizou. O preço foi alto demais para uma pessoa acostumada a uma vida singela.  Em um triste cair de tarde do ano de 1968 deixamos  Tabira, enxotados pelas dívidas e pelo desencanto pelo lugar.  Outra cidade teria que nos abraçar e por certo que nisto fomos felizes. Custódia representou o porto seguro em um momento de aflição, onde era difícil tomar um rumo certo ou dar sentido ao rumo. E por isso, só temos a dizer: Obrigado gente de Custódia!


sábado, 17 de dezembro de 2011

O cinema de seu Zé das Máquinas


Por Carlos Lopes


Depois de mais de duas horas chacoalhando dentro de uma boléia de camionete imprópria à cinco pessoas, a velha e fiel Ford 1951 aponta em direção ao centro de Custódia. Pouco havia de expectativa, muito mais de cansaço e desgosto por deixar para trás a cidade de nascimento. De todos, somente eu e o meu pai de nada tinha a reclamar. Ele por ter perdido o que conseguira em anos de trabalho e no meu caso apenas uma criança de nove anos aberto as mudanças da vida. Arregalei bem os olhos para admirar uma velha fubica ano 1929 estacionada na calçada da avenida Manoel Borba. Mais tarde vim a saber pertencer a João Correia.

A primeira casa em que moramos em Custódia foi na rua Coronel Nemésio Rodrigues de Melo. Nossos vizinhos eram os irmãos Vitor. Fernando constrói um carrinho de madeira para mim e estabeleceu-se uma grande amizade entre todos. A casa deles era muito freqüentada e quase sempre se via por lá Marcos e Márcio Moura, que juntamente com seus pais foram de grande importância na nossa chegada já que os conhecia de Tabira, onde tenente Ulisses fora delegado. Logo percebemos que nossa nova casa tinha fundos com o cinema e em dias de exibição dava pra ouvir com nitidez a trilha sonora dos filmes.

Seu Benedito, um senhor aposentado do exército, sentia muito gosto em se pompar usando farda de gala na entrada do seu cinema. Durante o dia atuava como ¨juiz de menor¨ perambulando atrás da criançada. Era um Deus nos acuda quando o velho aparecia com seu tradicional: ¨Espere aí¨. Normalmente findava com nossas brincadeiras de rua, mas em compensação de longe gritávamos: ¨Papagaio Verde!¨ No mesmo prédio do cinema de Seu Benedito surge o Cine Uirapuru, de propriedade de Seu Adolfo, provindo das bandas de Quitimbú. Aliás, a história da cenegrafia custodiense ainda contou com a participação de Zé de Isaias e Adamastor Ferraz, os pioneiros em produzir exibições cinematográficas que se tem conhecimento. Contam que Adamastor certa vez em São Caetano, cobrou a ¨entrada¨ pelo mesmo filme três vezes. Vendo cada rolo de filme terminar e a debandada dos nativos, anunciava novamente o filme e fazia um novo apurado.

Meu pai comprou o cinema de Seu Adolfo por uma quantia bastante razoável ficando um saldo a ser liquidado em pequenas parcelas, sob a alegação de que teria de assim ser feito antes de alguma desavença com algum pai de família. O cinema trouxe ao meu pai a notoriedade que hoje o torna conhecido por várias gerações de pessoas e é impossível quem não o reconheça pelo nome de Seu Zé do Cinema ou Seu Zé das Máquinas. O novo cinema veio a ser registrado oficialmente como Cine Santa Maria, porém foi com o nome Cine Custódia que ficou conhecido. O cinema funcionava na Avenida Inocêncio Lima em um salão de propriedade de um dos seus melhores amigos, o Sr. Guilherme Queiroz. Ele, fiscal de renda do Estado e filho de Nozinho Veríssimo, uma verdadeira lenda do município e também pai de Terezinha Queiroz, a nossa vizinha de frente, isso já na rua Dr. Fraga Rocha.

Como meu pai ¨exibia¨ filmes em outras cidades foi percebendo as inovações e procurava atualizar seu cinema. Daí vieram: piso em declineo, cadeiras apropriadas, ventiladores de teto, tela panorâmica e por fim, aquisição de projetor de 35mm, equipamento pouco comum à maioria dos cinemas da região. Coube ao meu pai exibir o primeiro filme colorido na cidade. E aí tem uma curiosidade. O filme fora produzido em cinemascop e cadê a lente especial? Tentou-se de tudo, inclusive transmitir imagem de espelho para espelho, mas não deu certo. Ninguém reclamou pela imagem comprimida, afinal tratava-se de um filme colorido. Foram infindáveis os títulos exibidos no Cine Custódia, destacando-se: Os canhões de Navarone, Meu ódio será sua herança, A meia-noite levarei tua alma, Os três mosqueteiros, Coração de Luto, Romeu e Julieta, Love story, A mulher do padre, Tarzan e as Amazonas e Teixeirinha e as sete provas. Este último, certa vez Fernando José o batizou de Teixeirinha e as 32 provas. Isto porque sempre que o faturamento caia meu pai o trazia de volta.

Enfim, o Cine Custódia funcionou durante quase uma década como um dos principais pontos de cultura e entretenimento de Custódia. Lá, além de assistir o Repórter Esso, ainda se assistia o filme: ¨A Copa do Mundo de 70¨. Filmes como este, juntamente com ¨O assalto ao trem pagador¨ e ¨Mineirinho vivo ou morto¨, traziam ao cinema até o vigário logal. Quantos namoros não tiveram início durante as sessões? Existia lugar melhor pra uns amassos naquele tempo? Mas nem sempre de glória vivia o cinema. A existência de um único público às vezes levava meu pai a loucura. Quando se instalava na cidade um parque de diversão ou um circo, ocasiões onde nem sempre se conseguia público mínimo que custeasse a exibição, meu pai ia ao desespero. Era hora de procurar outras ¨praças¨ para não deixar faltar comida à mesa. E isso meu pai fez muito bem protagonizando exibições em lugarejos onde nunca havia chegado a sétima arte e ainda fornecia filmes com renda dividida em cidades onde já havia cinema.

Certa feita, fomos ¨passar¨ filme num lugar chamado São Caetano. Na hora da exibição, nenhum pagante. Papai puxa conversa com morador do lugarejo e vem a saber de um lutador de um pequeno circo ter desafiado um ¨lutador¨ local e, naturalmente, todos estavam por lá. Uma meia hora depois lá vem papai acompanhado de umas oito ¨mulheres de vida fácil¨, lá de Custódia, que como nós foram faturar com a festa de rua do lugar. A mim foi entregue um disco de 78 rpm com a recomentação de que ficasse virando de um lado para outro, por ser o único disco. A segunda recomendação era coisa de pai pra filho: focar no som, nada de olhar a dança. Aqui aculá meu pai passava o chapeu e a matutada contribuia de forma satisfatória. No dia seguinte, o capim do quintal estava todo abaixadinho. Anos depois ainda havia ¨senhoras¨ me perguntando: ¨Ei menino, quando é que teu pai vai fazer outro forró daquele?¨ Minha mãe é que não gostou nada daquele acontecido!

No final da década de 70, o Cine Custódia fecha as portas encerrando a fase romântica do cinema no interior. Digo isto porque dezenas de outros cinemas também assim procederam. A televisão de ótima imagem e som, estava acessível a todos. Mesmo cinemas famosos não foram páreo às programações gratuitas, entre eles: Bandeirantes (Arcoverde), São José (Afogados da Ingazeira e Alvorada (Tabira). Em nome do meu pai, gostaria de aproveitar esta oportunidade para registrar o nome de pessoas que contribuíram com o cinema durante quase uma década sem receber uma prata sequer como pagamento. Foram valiosas as locuções feitas por José Melo e Fernando José, mesmo quando meu pai fazia exibição em outras localidade era a voz deles nas primeiras viagens, depois ficou sendo a de papai mesmo . Fica um agradecimento ao já falecido Humberto de João Anjo por ter sido o nosso primeiro operador de som e do projetor. Um carinho todo especial ao nosso Severino do Rádio pelos tantos reparos em nossos equipamentos. Alguém gritava: ¨Cadê o som¨. Meu pai dizia: ¨Chamem Severino!¨ Sem os amigos Guilherme Queiroz e Claudinete Simões o cinema não teria funcionado por muito tempo. O primeiro ¨esquecia¨ de cobrar o aluguel e ao segundo cabia o financiamento de filmes em épocas difíceis. Por fim, um agradecimento muito grande ao amigo da família Pedro Vitor. Este foi o fiel escudeiro da paz e da tranqüilidade em suas atribuições diárias pela cidade e a noite era o nosso anjo da guarda. Coitado, assistia até cinco vezes o mesmo filme. Sempre ao lado de Rosa, na época sua namorada. Quando lá não estava, aos primeiros ¨sapateados da turma¨ meu pai dizia: ¨Chama Pedrin¨. E Pedro ao entrar, dizia em alto e bom som: ¨Pessoal, eu estou aqui¨. A fita podia partir por vezes (e partia mesmo) e ninguém reclamava.

Com a chegada da televisão até a praça ficou vazia. A mulherada só desciam após a novela das oito. Houve até quem cobrasse entrada em sua residência daqueles desprovidos de um aparelho de receptor. Por estas e outras o prefeito Luizito disponibiliza um aparelho a céu aberto a quem quisesse assistir. Ao meu pai, coube perceber a chegada da hora do descanso de uma vida de trabalhos onde perambulou pelas mais diversas profissões. Isto porque aos nove anos de idade saiu de casa para trabalhar pelo simples prato comida. De lá pra cá, foi agricultor, carreiro, pedreiro, vendedor de ovos, vendedor de sapatos na feira, dono de padaria, militar, comerciante de móveis, entre outras. Prosperidade mesmo só no início dos anos sessenta quando se tornou um dos principais comerciantes da região do Pajeú. O rádio já existia mas foi o meu pai que o popularizou. O preço foi alto demais para uma pessoa acostumada a uma vida singela. Em um triste cair de tarde do ano de 1968 deixamos Tabira, enxotados pelas dívidas e pelo desencanto pelo lugar. Outra cidade teria que nos abraçar e por certo que nisto fomos felizes. Custódia representou o porto seguro em um momento de aflição, onde era difícil tomar um rumo certo ou dar sentido ao rumo. E por isso, só temos a dizer: Obrigado gente de Custódia!

Publicado originalmente no blog Famílias Lopes & Santos

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Foto & Fato: Banda Marcial Mauro Cesar




A foto acima lembra o meu ingresso na Banda Marcial do Ginásio Municipal Padre Leão. Terminado o primeiro ensaio visando o sete de setembro de 1973, desesperado bati a porta da minha eterna diretora, Dona Sila. Queria fazer parte da banda evitando os costumeiros: ¨Balança os braços¨, ¨você está fora da linha¨ e ¨olhe firme pra frente¨, atribuições do primeiro da fila. 

Entender meus motivos, até que Dona Sila entendeu, mas não havia instrumentos disponíveis. Meu gancho foi um surdo que Pedrinho de Dona Pura havia estourado o couro no dia anterior. Saí dali com o instrumento às costas, mas desfilar como pelotão de fila, nem pensar! Rasguei a perna de uma calça de um tecido semelhante a um Jeans e mamãe se pós a costurar o que sobrou do couro sobre o tecido. 

No dia seguinte lá estava eu na banda. Tocar até tocava, mas fazia um pouco de conta como ninguém. Dias depois Dona Sila adquiriu um couro novo e assim fui componente da banda Marcial Mauro César por sete anos, mesmo já estudando no Colégio Técnico Joaquim Pereira.

Texto: Carlos Lopes
Publicado Originalmente: Blog Familias Lopes & Santos

sábado, 3 de dezembro de 2011

O ressurgimento do Grupo Teatral Os Gândavos


Como falei anteriormente em matéria publicada neste blog (Sobre o Grupo Teatral Astecas), no dia seguinte da apresentação de Pluft o Fantasminha, de Maria Clara Machado, Paulo Andrade me procurou na saída do cinema, dizendo-se satisfeito com nosso desempenho e queria contribuir com o grupo. Estava nascendo ali um novo Grupo Teatral. Aliás, o ressurgimento do Grupo Teatral Os Gândavos, fundado inicialmente por Domingos Sávio, Fernando José, Jussara Burgos, Antônio Remígio, entre outros.

Paulo Andrade chegou a nossa cidade como um dos funcionários pioneiros do Banco do Brasil, provindo de Caruaru, onde foi engajado na arte de representar e em outros trabalhos comunitários. A partir deste momento os ensaios passaram a ser elaborados, inclusive com marcação de palco. Paulinho não só trouxe de sua cidade natal um empilhamento de ensinamentos, mas também sua ilustre esposa que se incorporou ao grupo na peça: “Morre um Gato na China”. O elenco foi composto pelo próprio Paulo Andrade no papel de Gastão, Célia Regina como Liane, cabendo a mim o personagem Sérgio, enquanto Antônio Remígio nos dava segurança no ponto.

¨Morre um Gato na China”, foi encenada no Centro Lítero Recreativo de Custódia, em primeira instância, no dia 23 de novembro de 1977. A obra prima de Pedro Bloch ficou encravada na história da dramaturgia local como a mais sucedida montagem e também como a única capaz de arrancar lágrimas da pláteia. A peça ainda foi levada às cidades de Monteiro na Paraíba e a Serra Talhada, onde foi encenada no Colégio Nossa Senhora de Fátima.

A segunda metade da década de setenta é positivamente o expoente maior da cultura custodiense. Além das tantas peças montadas por membros da própria comunidade, naqueles anos recebemos o ilustre fenômeno Nino Honorato com os monólogos: “As Mãos de Eurídice”, “Esta Noite Choveu Prata” e “A entrada de Lampião no Inferno”. Através de Paulo Andrade veio de Caruaru as peças “A Segunda Virgindade”, e a premiadíssima “Rua do Lixo 24”, apresentada em 21 de janeiro de 1978, pelo Grupo Feira de Caruaru, do próprio Vital Santos.

Com este grupo nascia também uma consciência coletiva no teatro custodiense. Esta mudança de mentalidade foi constatada durante e após as apresentações de ¨A Entrada de Lampião no Inferno,¨ e “A Segunda Virgindade.¨ Ou seja, as pessoas em sua maioria iam às peças por ser ¨uma novidade¨ mas não assimilavam bem o conteúdo. A partir daquele momento decidimos que os textos seriam de criação do próprio grupo.

Sob a direção de Paulinho, no dia 6 de março de 1978 fizemos três apresentações da peça de minha autoria “Como é Difícil Viver”, nos colégios: Técnico Joaquim pereira, Padre Leão e Joaquim Inácio. Logo no final da primeira apresentação, a estudante Leny ao ser entrevistada respondeu: “Gostei porque entendi”. A esta altura contávamos com os atores Fátima Ferreira, Magdália Chavier, José Wilson, Luciano Washington, Lúcia Maria, Luís William e Angélica Ferreira. No dia 3 de maio de 1978 estreamos: “Pedido de Casamento”, também de minha autoria. A partir daí compus mais seis peças: “Uma Vaga de secretária”, “Autarquia”, “O Filho Pródigo”, “Um caso Diferente”, “Rua Torta” e “O Ladrão que Nada Roubou”.

A exemplo da geração anterior chegara a hora de nos tornamos cidadãos do mundo. Paulo e Célinha se mudaram para Gravatá. Outros como eu, desceram ao nível do mar buscando faculdades e empregos. No apagar das luzes, com Marleide Espídola, Fátima Ferreira, José Eugênio, José Assis e uma gama de excelentes colaboradores, fundamos um jornal de circulação mensal sob o título “O Grito”, e assinei matérias em duas edições do Jornal Custódia Hoje.

Autor: Carlos Lopes - Olinda/PE

Publicado originalmente: Blog Famílias Lopes & Santos

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Adão & Eva


E não foi que naquela localidade sem telefone, sem sinal de televisão, onde sequer existia uma simples banca de revistas, que alguém resolveu ir de encontro a moral e aos bons costumes? Isso aconteceu lá pela metade dos anos setenta, quando a ditadura existia, mas em Iracema, dela ninguém sabia notícias.

Por certo, não seria a primeira vez que os ¨valores¨ seriam postos a prova. Meses atrás, a musa da cidade fora indicada como postulante ao concurso de miss estadual. Até aí tudo bem, afinal, todo interior que se preze busca essa glória. O sonho foi logo desfeito quando Gerusa, a guardiã da moral e da honra, vociferou: ¨Êpa! Ela não é virgem!¨ E o pior, ainda verbalizou o deflorante. 

E não é que o cão insistia em cutucar os habitantes do lugar naqueles dias? Estes, acostumados com os filmes: ¨Coração de luto,¨ ¨O ébrio,¨ e ¨Dio como te amo,¨ estranharam o título do filme estampado no cartaz: Adão & Eva. E ali na praça, pensativos, abusavam da imaginação. Até Gerusa, moça velha e abandonada no altar, de cara emburrada, mantia-se quieta. Porém, por ser irmã do prefeito, haveria de quebrar o silêncio: ¨Isso é coisa do capeta?¨ Do outro lado, Alzira, viúva e metida a cantora de igreja, não tinha a intenção de silenciar: ¨Coisa de Deus não é... na bíblia não fala de um casal nu dentro de uma maçã!¨ Já com ar de superioridade, Gertrudes, moça estudada e acostumada até a andar na escada rolante da Viana Leal, no Recife, arremata: ¨É não, mulher! Trata-se de uma montagem de retratos!¨ Quanto aos meninos, rapazes e homens presentes, evidentemente, davam asas a imaginação.

Seu Djalma, o dono do cinema, sabendo aonde aquela conversa podia chegar, tratou de defender seu investimento: ¨Vocês, avisem por aí que só entra no cinema quem tiver mais de 18 anos.¨ Aproveitou a atenção: ¨Completos! Nem um dia a menos, entenderam?¨ Tentando amenizar o conteúdo do cartaz, diz: ¨Além do mais, no cartaz, as moças presentes podem ver, isso aqui é só um pedaço de barriga, a mão da artista encobre seus peitos.¨ Nessa hora, houve uma entonação, num só grito: ¨Os peitos?¨

Tudo ia bem. Nunca se viu tanta gente na frente do cinema de Iracema, interior pernambucano. Lá estava Seu Porfírio de 88 anos de idade a contar com que pernas chegou até ali. Ao seu lado, Seu Praxedes, que segundo as más línguas, era de muita gentileza no ofertar de doces às crianças nos fundos da sua loja. Enfim, tudo era festa! Seu Manoel, conhecido por entender o linguajar de galinhas, não se continha pelas vendas de refresco e de ¨bolo de bacia.¨ Só não falei de Dema, o doido do lugar, porém este gritou: ¨Alguém vai ser preso!¨ E neste momento a veraneio da Polícia esbarrou na porta do cinema. Silêncio total! Até Seu Djalma veio à porta com ingressos a mão. O delegado desce do carro usando botas longas, de paletó, palito no canto da boca e, fica em silêncio. Alguns segundos se passaram até que o delegado olha pros lados, ajeita sua calça com suspensórios e finalmente bravejou: ¨O filme está preso!¨

E, em meio a um corredor polonês o filme, sem algemas, foi conduzido à traseira da veraneio da Polícia local. No silêncio da noite, só uma voz se escutou, a de Seu Porfírio: ¨Isso sim, é uma pouca vergonha!¨ Mas a história não acaba aí. Seu Djalma, um velho policial aposentado e acostumado com situações contraditórias nunca foi de fugir da raia. Na pior das hipóteses, haveria de libertar o filme, pois na segunda-feira teria de devolver à capital.

Seu Djalma apela para o vigário da paróquia, um velho frequentador de filmes de bang-bang. Entre um carteado e outro, o pároco diz: ¨Não vejo nada demais, porém estou de mãos atadas diante de Deus!¨ Logo ele! Acostumado a receitar e apalpar intimidades de moças e senhoras em suas consultas médicas. Seu Djalma saiu da casa paroquial sem saber a quem recorrer. Ainda viu luzes na prefeitura acesa, mas não se atreveu a incomodar o adversário político da última eleição. O juiz, Seu Edmundo, nem pensar, passaria a noite na cela junto ao filme. Na aflição da noite, um pensamento futucou sua cabeça: Felisbão, o irmão caçula e de cabeça arejada do delegado.

Enfim, o filme foi liberado! Porém com uma condição: Só para homens! Não qualquer homem, aqueles de idade superior a 21 anos. No dia seguinte, o cartaz foi afixado no costumeiro pé de algaroba com um aviso escrito na cartolina branca: ¨Somentes para homens desacompanhados. ¨ A esta altura, a macharada tomara conhecimento do sucedido e só falavam no filme. Seu Djalma, que nunca foi tolo, só pensava nos lucros: ¨Vai ter matinê no sábado e no domingo.¨

E não é que o enterro voltou? As beatas perderam a batalha mas almejavam a guerra. Quem ia passar o filme? Afinal, o único projecionista tinha apenas quinze anos de idade. E, novamente, a pendenga estava de volta. ¨Isso é uma chamengação¨, disse na cadeira de balanço Seu Porfírio. E desta vez, a veraneio da polícia passou à tarde na porta da residência de Seu Djalma. Conta-se que Dona Firmina, esposa do dono do cinema, ¨passou¨ umas três garrafas de café enquanto o delegado, o vigário, Felisbão e uma meia dúzia de beatas se digladiavam.

E assim amigos, por ser o único habitante da cidade que sabia manusear um projetor de cinema, projetei na tela panorâmica Adão e Eva, sete ou oito vezes, não lembro bem. Dizem que, até hoje Dr. Felisbão receita gratuitamente cumprindo rigores daquela reunião na casa de Seu Djalma. Afinal, a brilhante idéia de projetar o filme sem olhar a tela, foi dele. 

E só pra finalizar, no filme não havia sexo explícito, sequer se percebia os órgãos genitais do casal que insistia em deixar as suas alianças à mostra. Tratava-se de um documentário de produção alemã, cujo objetivo era instruir da diversidade de posições em um coito sexual. Também é fato que projetei e assisti o filme em todas as suas exibições em Iracema. O delegado, na certa estava entertido no carteado com o vigário naquelas noites. Aqui acolá, ainda arranjava tempo e da janelinha da cabine tirava sarro dos meus amigos, eles na calçada esperando que alguém lhe contasse o filme no sair do cinema.


Autor: Carlos Lopes - Olinda/PE
Blog: Os Gândavos

domingo, 6 de novembro de 2011

Cinco Gerações


Por Carlos Lopes

Não foi muito complicado entender nos meus primeiros anos de idade, lá no meu Sertão, que uma geração sucede a outra. Logo: ¨Na geração do meu pai era assim¨ ou ¨A geração sua pensa diferente da minha.¨

Afinal, o que é geração X, Y e Z? Tentemos entender através da sociologia: ¨A algum tempo os diferentes níveis de gerações estão sendo denominadas por letras. Em qual você se enquadra? Geração X: Passaram pelo grande Downsizing corporativo e precisaram procurar segurança no emprego. Filhos dos baby-boomers a geração X é formada por pessoas nascidas de 1970 a 1980. Gostam de trabalhar em equipe, não acreditam em hierarquia e não vêem mistério no computador pois, participaram do surgimento dele. Geração Y: Nascidos de 1980 a 1990 são jovens, espertos e ousados. São despojados no escritório ou ouvem iPods em suas mesas. Eles querem trabalhar, mas não querem que o trabalho seja sua vida. Antenados na expansão tecnológica, buscam qualidade de vida e conforto financeiro, estão tomando seu lugar no mercado de trabalho incrivelmente competitivo. Geração Z: A grande nuance dessa geração é zapear. Outra característica desta geração é a constante troca que se faz entre os canais de interatividade, zapeando de um a outro, da internet, ao telefone, ao vídeo game. Para eles o mundo é totalmente tecnológico e virtual pois, nasceram em meio a esse mundo. São menos deslumbrados que os da geração Y com Joystick e iPhone’s.¨

Agora, a pergunta é: Você entendeu? Entender, eu até entendi ... mas porque complicar tanto o que parece simples? Nas sete gerações pesquisadas a foto acima juntou representantes de três delas: Da terceira geração, Maria das Neves de Queiroz passos. Da quarta geração, Maria Celeste Lopes. Da quinta geração, Maria das Neves Lopes. Da sexta geração, Fabiana Aparecida Lopes e da sétima geração, Maria Eduarda Lopes. Ou seja, Maria é mãe de Celeste que é mãe de Neves, que é mãe de Fabiana que por sua vez é mãe de Eduarda. Afinal, geração é como mãe cada um tem a sua.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Nós e os Violados




por CARLOS LOPES

Naquela primavera de 1979 os dias eram iguais aos anteriores e muito parecidos aos tantos das outras estações do ano. Além dos ensaios com a banda marcial do Colégio Padre Leão, por conta do 11 de setembro, só nos restava fazer circular um jornal cujo batismo era ¨O Grito¨.


Este apesar do bom conteúdo e dos ótimos colaboradores o taxaram de ser ¨meio¨didático.
Em meio aos festejos do aniversário do município constava na programação um show do então badalado Quinteto Violado. O conjunto instrumental que se caracterizou pela interpretação de músicas nordestinas seria uma atração e tanto a um lugar carente de entretimentos. O grupo musical atravessava o seu melhor momento, inclusive com reconhecimento a nível nacional. Na própria casa de disco local havia a disponibilidade do primeiro disco e dos álbuns mais recentes Antologia do baião (1977), Missa do vaqueiro (1976 e Até a Amazônia (1978). Afinal, Gilberto Gil havia definido o grupo como ¨free nordestino¨ e Caetano Veloso afirmou textualmente ser a novidade na música brasileira.


Pela manhã com Fernando José formulamos as perguntas a serem feitas ao Quinteto e a abordagem ficou definida acontecer no cair da tarde. Um pouco antes do horário previsto chego à casa do amigo, em pânico. Concordamos da necessidade do apoio de alguém a altura daquela tarefa. A tarde caia quando eu, Antônio Remígio, Fernando José e o colaborador do ¨Grito¨ Peter Peterson(Dr. Pedro Pereira) chegamos ao hotel Macambira. Minutos depois Marcelo Melo estava diante de nós. O salão de janta estava vazio e por mais de uma hora desfrutamos também da companhia de Toinho, Fernando, Luciano e Ciano que chegaram aos poucos.


A apresentação do grupo se deu no oitão da igreja e depois fui pra casa transcrever a entrevista, na maior ansiedade de fechar a edição. Dois dias depois estávamos fazendo a impressão quando faltou tinta no mimeógrafo. Busquei o produto na prefeitura e antes que a matriz, em papel chamado estêncil, danificasse peguei o carro lá de casa e fui ao DNOCS conseguir a tal tinta. Logo depois da Pindoba me deparei com uma patrulha rodoviária. ¨O senhor sabe a que velocidade estava?¨ ¨Uns 80km, acho¨. Depois de saber ter passado dos 120km, o guarda pediu a habilitação. Evidentemente, eu não tinha. Então solicitou descer do veículo. Respondi: ¨O senhor multe no que for preciso, pois não tenho tempo pra conversas¨. Pisei até o fundo do acelerador!


O escritório ficava junto à rodovia e como conhecia o pessoal em minutos tinha a bisnaga na mão. Era uma reta e os guardas avistaram o Chevette sendo manobrado. Um deles praticamente ficou no meio da pista fazendo sinal para que eu parasse. Passei a uns 140km sem nem olhar pra trás. Meu pensamento: ¨Até eles me alcançarem eu já estou dentro da cidade e lá não tem jurisdição¨. Não foi uma hora e meu pai já sabia do ocorrido. O prefeito foi lá e conseguiu cancelar as quatro multas aplicadas, entre elas, desacato a autoridade.


No dia seguinte passamos à tarde na Praça Padre Leão vendendo jornal cujo grito de misericórdia era: ¨Estudantes de Custódia perguntam ao Quinteto Violado¨. Foi uma festa! Uns comprava pela entrevista, outros pela vontade de contribuir e havia também os que evitam a rotulação de anticultural. Era o tempo em que quem sabia tinha o gosto de repassar a informação. Quem transitasse de carro ou a pé, não escapava dos apelos meio desesperados. Afinal eu, Fátima Ferreira, José Assis e José Eugênio rodamos exemplares aos montes. No cair da tarde, restavam apenas uns trinta. Sobra, nem pensar! Fomos de porta em porta até liquidar a fatura. Exaustos, olhamos um pro outro, com a sensação dever cumprido. Todos queriam comida e cama. ¨Desta vez ninguém taxa o jornal de didático¨, disse-lhes. ¨É cultura e informação¨, acrescentei. Nada em contrário. Então cada um seguiu em busca do seu lar. Afinal, não é todo dia que se tem a oportunidade de entrevistar o Quinteto Violado.


Texto publicado original no Blog Famílias Lopes & Santos (Link aqui)

domingo, 24 de julho de 2011

A hora crepuscular



Autora: Osminda Carneiro

A tarde cai lentamente.

Seis horas é à hora do ângelus, da prece e do perdão. Hora em que o camponês com seus músculos contraídos El quebrados pela luta árdua e penosa da lida cotidiana, cabisbaixo dobra a sua fronte, eleva o seu pensamento para o altíssimo e pede para que os seus trabalhos sejam abençoados.

A passarada vibrante de alegria executa o último número da sua melodia e regressa de par em par para o seu morno ninho, a fim de aquecer os seus filhotinhos.

No pátio da casa grande da fazenda já se ver um rebanho de ovelhas alvas como flocos de algodão, formando assim um tapete de Arminho, para depois de alguns minutos serem banhado pelo clarão da lua cheia, esta candeia fulgurante, que vagueia pelo espaço, fazendo clarear toda imensidão, garbosa, sutil e bela, bailando como uma princesa no amplo firmamento, distribuindo alegria e poesia aos corações apaixonados.

Finalmente, a tarde morre para dar lugar ao novo dia.

E assim neste perpassar de lutas é a nossa vida inteira, sem estacionamento e sem uma felicidade completa porque cada dia a vida piora, ninguém se entende não existe amor.

O custo de vida não corresponde ao que se ganha, enquanto isso o Brasil cresce e se desenvolve, para frente altaneiro, querendo ser potência, indiferente ao drama dos seus míseros habitantes.

Ps. Quando pensei em criar o jornal ¨O Grito¨ primeiro busquei os colaboradores e em seguida convidei colegas para materializar a idéia. A primeira colaboradora visitada foi Osminda Carneiro que de imediato aceitou escrever uma matéria por edição. A hora crepuscular foi publicada na edição III, do ano de 1979, em Custódia PE.

Publicado Originalmente: Gandavos - Os contadores de História

terça-feira, 21 de junho de 2011

Olha " O Grito"


Pedem-me jovens estudantes da minha Custódia que me pronuncie sobre ¨O Grito¨.

¨O Grito¨, como antes vivemos ¨Custodianas¨, nasce sob a égide da vontade de acertar. A mocidade tem a ânsia de viver, de dinamizar, do querer acertar.

Certa anda esta mocidade, que se não leu, deve ter ouvido de alguém as sagradas palavras de Cervantes, que pontificou: ¨Esta mocidade de incentivo para quem não há pousada¨.

Só tenho palavras para estes jovens de estímulo, de admiração.

Se todos os jovens da geração atual resolvessem fazer jornal ou jornais, no aprimoramento de suas idéias que devem ser boas, certamente o útil e o agradável estariam bem unidos e o mundo seria bem melhor.

É o que penso e entendo.

Estou com ¨O Grito¨ e não abro.

Falei ...
Pierre Sobral



Ps: O blog Famílias Lopes & Santos informa:

Alguns comentários da época sobre o Jornal ¨O Grito¨

- Carlos, quero agradecê-lo pelo jornal que é realmente um símbolo da boa comunicação – José Francisco da CostaJupi PE

- Gostei muito do jornal e dou os parabéns a toda sua equipe – Verônica M. GonçalvesFrei Miguelinho PE

- Obrigado pelo jornal da sua cidade, achei muito interessante – Mônica Maria Passos – Angelim PE

- Li ¨O Grito¨, gostei bastante, achei que Custódia está de parabéns. Espero que me enviem o próximo, queridos conterrâneos – Águida Vasconcelos – Serra ES

- Li ¨O Grito¨ e adorei, achei que a idéia foi genial, é um trabalho importante - Vandelúcia Batista - Arcoverde PE

- Está ótimo, espero que me envie o próximo. Para vocês os meus sinceros agradecimentos - Flávio Roberto - Fortaleza CE

- O jornal está uma beleza, continuem a luta por ele - Nelma Rodrigues - Volta Redonda RJ

- Agradeço-lhe pelo jornal ele é muito educativo - Luizita Lins - Lagoa de Itaenga PE

Outras hospedagens serão feitas de jornais que circularam em algum momento em nossa cidade. Estas postagens são interessantes pois nos remetem a registros da época e por si despertam a nossa curiosidade. É com grande satisfação que inicio com a mesma matéria que em 1979 o colaborador Pierre Sobral abençoou o nosso ¨O Grito¨. Além deste verdadeiro gênio ainda contei com os colaboradores: Osminda Carneiro, Silvio Carneiro, Fernando José, Antônio Remígio, José Assis, Maria de Fátima Ferreira, Herbert B Leal, Marleide Espíndola, Ernani R. Figueiredo, José Eugênio, Luciana Cristina, José Melo, Antônio Medeiros de Souza, Marcelo Burgos e Peter Peterson.

Publicado originalmente: Blog Famílias Lopes & Santos

terça-feira, 14 de junho de 2011

Que não me sirva de cangalha


Por Carlos Lopes

Na minha imaginária pesquisa de opinião mais da metade da população brasileira tem medo ou nojo acerbado de baratas, ou até pior, as duas coisas juntas. Modestamente, sou parte dos combatentes pela excremação deste sinantrópico.

A bem da verdade, o meu ¨caso¨com as baratas vem da infância. Se tivesse que atribuir herança, cairia nos ombros da minha mãe. Esta, nem dorme se souber da existência de uma marrom lá em casa. Já meu pai, não tem o menor receio e a caça é uma barbada. 

Porém, tem um porém. A existência desse inseto determina aonde devo ou não me alimentar. Aos sete anos de idade, em Pelo Sinal, vi duas baratas circulando em torno de uma panela no fogão. Minha querida avó paterna viveu ainda uns quarenta anos e jamais pus na boca qualquer alimento que viesse da sua casa. 

E daí? Você deve está se perguntando! Um montão de gente na tal estatística imaginária se comporta de forma igual ou semelhante. O diferencial são dois, devo citá-los: Em hábito gregário logo farejo se um lugar pode ser ou não propício a existência delas. ¨O Sr. tem tantos anos no Recife e pouco aproveita a diversidade da culinária local¨, disse-me certa vez uma sobrinha. 

Já a segunda razão, esta sim, é o motivo desta matéria. Acreditem! Elas, aquelas coisas achatadas dorso-ventralmente, numa determinada época foram as minhas melhores amigas. Compreendeu? Vou dar uma pala: Se vejo uma barata a fome passa, mesmo que seja num trajeto a quilômetros do lugar onde pretendo fazer refeição. Mas, vou contar como o caso foi, começando do começo. 

Nos rega-bofes do fechamento da Casa do Estudante de Custódia no Recife, eu que já tinha a pior mesada, fiquei mais lascado ainda. Perambulei pelas mórbidas pensões da Boa Vista. Enfim, todo dia havia de arranjar o dinheiro da janta, seja a sopa num mosqueiro do Pátio Santa Cruz ou um misero sanduíche Americano servido num treiller instalado próximo a Lojas Americanas, no centro. Na maioria das vezes, após sair da Católica, ia comer o tal sanduba e depois seguia pra pensão na rua Visconde de Goiana. 

É aí que entra as baratas. Por circunstâncias particulares e já expostas, só dava pra comprar um sanduíche que vinha acompanhado de um copo de guaraná. Tentando fazer o sanduíche render, mordia o equivalente a um centímetro e inundava de maionese, outra mordida e novo recheio compensatório. Saia de lá com mais fome que antes. Foi aí que surgiram as baratas em minha vida. Certa vez ao levar o jantar a boca ... uma enorme barata bem ali a minha frente. Estava bem paradinha na carenagem do utilitário. Parei de degustar e sentir a fome se esvair. Joguei o alimento na lata e me danei pra casa. 

Dias depois voltei determinado. Fiz o pedido e procurei alguma barata. A partir dalí funcionavam como inibidor alimentar. No dia que eu comia olhando alguma delas, chegava em casa, tomava banho, estudava e dormia sem sentir fome. Na verdade, as minhas baratas ou as baratas que me ajudavam, normalmente apareciam expostas no pneu do treiller. Porém estavam em todo lugar, somente uma questão de dá uma lambida em volta com o olhar. Outro dia fiquei a pensar, elas realmente existiram ou foi fruto da minha imaginação? 

Publicado originalmente: Blog Famílias Lopes & Santos

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Grupo Teatral Astecas




Nos anos setenta, a vizinha cidade de Sertânia foi exemplo no esporte e na cultura. Os seus fabulosos jogadores de handebol foram à alma da seleção estadual e a cada ano o número elevado de alunos que ingressavam nas universidades recifenses não era novidade pra ninguém. No teatro não foi diferente, todo mundo sabia do Grupo Teatral Disparada.


Em 1974, a nata dos estudantes custodienses apresenta uma peça teatral composta a partir de um folheto de cordel, onde a convite de Fernando José interpretei um personagem de poucas falas. O Grupo Teatral Os Gândavos foi de suma importância a tantos jovens que viram na dramaturgia uma forma de se aculturar e proporcionar entretenimento a uma sociedade muito fechada e de poucas oportunidades.

Além de consideráveis montagens, o grupo mantinha-se sintonizado com o Serviço Nacional de Teatro, recebendo orientações, revistas e apoio técnico, estimulante aos grupos que se formaram posteriormente. Com o passar dos anos houve o esvaziamento natural de estudantes que migraram às grandes universidades do país. 

Em 1976, juntamente com Ione Miro, Nalva Aleixo, Gisoleide Ferreira, Maria de Fátima, Carlos Nunes e Edilene Feitosa foi criado o Grupo Teatral Astecas. Meses depois, no dia 8 de setembro de 1976 estreamos com a peça ¨A Pobreza Envergonhada”, no Colégio Municipal Padre Leão, de onde todos éramos alunos.

A curta trajetória deste grupo foi marcada pela montagem da peça infantil de Maria Clara Machado, “Pluft o Fantasminha”. A esta altura alguns novos membros foram incorporados e já tínhamos um aparato técnico compatível evitando as gafes iniciais. A apresentação foi feita com sucesso no Colégio Municipal Padre Leão, e em seguida, no dia 21 de abril de 1977, fizemos apresentação para os alunos do Colégio General Joaquim Inácio. Na platéia havia um casal muito especial. Os caruaruenses Paulo Andrade e sua esposa Célia Regina me procuraram no dia seguinte se dizendo satisfeitos com o nosso desempenho. Estava nascendo ali um novo grupo teatral. Aliás, o ressurgimento do Grupo Teatral Os Gândavos. Mas aí é uma outra história.

Por Carlos Lopes
Foto: Peça Morre Um Gato na China

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Coisas de quem não tem o que fazer

Foto e texto: Carlos Lopes



No final da década de setenta com Antônio Remígio tínhamos algo em comum, além de bons amigos, gostar de caminhar pelas ruas da cidade. Sempre que o sol dava sinal de cansaço, percorríamos longos trechos, seja pelas ruas ou nos arredores de Custódia. Não havia nenhum motivo específico, apenas uma rotina tipo comer doce de leite no Posto de Seu Nivaldo, exceder-se no vai-e-vem nas ruas das paqueras e beber cajuina numa bodega na rua da bomba. Era andar pelo prazer de bater perna, tão somente e, simplesmente isso. Durante o trajeto a conversa girava em torno dos nossos sonhos futuros além dos limites municipais. Antônio falava de Cárceres no Mato Grosso e eu de prosperar em Americanas, SP. Foi não foi, surgia de espanto: ¨Epa! Já passamos por aqui.¨ Sabe que fazíamos? Atirávamos um chinelo ao céu e aonde apontasse ao cair seria o nosso norte, mesmo que já tivéssemos passado naquela rua.

Muitos anos se passaram e, nessa sexta-feira santa passada, ao percorrer a Rua José Thomás, esbarrei na curiosidade de rever ¨o curral de Luizito¨, como assim é conhecido. Não me contive e tirei algumas fotos. Aquela porteira bem ali a minha frente me conduziu a uma outra Custódia que carregava o estigma de encalhada por ficar localizada entre cidades maiores. Lembrei de Dona Terezinha e minha mãe preparando lanches e tudo mais para com Jefferson caçar de arco e flecha naquela verdadeira floresta que surgia logo depois da casa de Seu Belchior, chamada ¨As Baraúnas¨. Não foi sem propósito a permanência de uma baraúna em frente ao Colégio Polivalente. Pra encurtar a história, resolvi percorrer as ¨outroras pontas de ruas¨ da cidade, só pra ter certeza de como estava cada local da meia-volta em nossas andanças.

As fotos que se seguem a essas lembranças é o resultado da surpresa dessa semana santa de 2011: A maior parte das pontas de ruas de outrora ainda permanecem lá, intactas. É evidente que a cidade cresceu em dobro e no melhor e mais bonito estilo possível. Mas, parece que por pirraça ou coisas da vida, em alguns casos sequer há indícios de que algo foi alterado. No caso onde residia Dona Áurea, mãe de Luciana, até parece que o tempo parou, a não ser pelo visual de um condensador de split que nos remete aos novos tempos. A Custódia que parava ali, dali mesmo nunca saiu. Outros casos, só de olhos bem arregalados pra perceber que ainda existe, no caso o curral de Zé Nazaro, próximo ao cemitério. Não sou vaqueiro nem criador mas fiquei feliz pela permanência das tantas cancelas e do odor causado pelas fezes animais dos tantos currais. Aqueles que passam pelos ¨cantos¨ citados, nem devem me entender, mas se forem bem atentos perceberão que falo a verdade. Lá estão, um ¨caminhão¨ de cancelas em meio a uma cidade moderna. A bem da verdade, o custodiense de um modo geral não costuma poupar seus monumentos históricos. A secular calçada da igreja foi recentemente desfigurada, sepultando parte de um projeto arquitetônico e também as milhares de lembranças das gerações que se sucederam ao longo dos anos.


Publicado originalmente no Blog Familias Lopes & Santos

terça-feira, 3 de maio de 2011

Grupo Teatral Os Gândavos



Confira os comentários sobre o grupo de teatro custodiense OS GÂNDAVOS, postado no Blog Famílias Lopes no dia 26 de março de 2011.

1 – É sim, inicialmente foi encenada com o Título ¨Égua Gorda¨, no exato local citado. Ou seja, naquele mesmo 03 de maio de 1978, além do Colégio Técnico Joaquim Pereira, horas antes houve uma apresentação na Escola Municipal Padre Leão.

2 – ¨É daquelas que a gente devora com deliciosas gargalhadas.¨ Bom comentário! Foi a idéia unir a simplicidade com a alegria. Nesse caso você assistiu no dia 19 de agosto de 1980, no Centro Lítero Recreativo de Custódia, como parte da programação da Primeira Semana Cultural de Custódia. Aí sim, já se chamava ¨Pedido de Casamento¨ e contava com um tempo de duração, sei lá, uns 70 minutos.

3 - Não tenho como encaminhar o texto. Na verdade continua datilografado numa daquelas incômodas máquinas de escrever, portátil, da Olivetti.

4 – O interessante do texto é que atende a realidade do requisitante em tempo de duração, mantendo evidentemente o já reduzido número de personagens. Ou seja, como o texto foi criado inicialmente para render 25 minutos, cabe ao grupo interessado esticar ou aparar, conforme sua realidade.

5 – Aí vai uma promessa. Vou digitando por pedaços e postando. Beleza? Façam o que quiser com o texto. Torço por um convite e pela surpresa. Texto de teatro é igual a letra de música, o talento do interprete faz surgir a diferença.

Link do post: Blog Família Lopes & Santos

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Vídeo raro de Custódia em 1976/1980



Video super raro do blog Familia Lopes & Santos, de autoria de Carlos Lopes, filmado em 8mm entre os anos de 1976 e 1980. Nele temos imagens da rua Manoel Borba, da Escola General Joaquim Inácio, da rua Joaquim Tenório, do Polivalente, do Colégio Técnico Joaquim Pereira, do cemitério, do hospital, Praça Ernesto Queiroz, Igreja Matriz de São José, antiga Prefeitura, Praça Padre Leão vista da torre da Igreja entre outros lugares.

Um registro histórico de nossa cidade. Uma pena esse material com mais de 45 minutos, foi aproveitado pouco  mais de 5 minutos. Não deixa de ter seu valor histórico, como um dos poucos registros da época.

Confira também a segunda parte de "Um olhar sobre Custódia 35 anos depois".


 
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