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quinta-feira, 19 de abril de 2012

Ecos do Encontro de Custodienses em Recife (2009)



Realizamos mais um evento.

Desta vez o Encontro dos Custodienses aconteceu no Recife. Mais precisamente no Clube dos Oficiais da Policia Militar do Estado de Pernambuco, gentilmente cedido para nosso Encontro pelo comando da Corporação a pedido de Betinho e Zezé Amaral.

A ideia inicial deste encontro no Recife, era a principio incentivar aqueles que nunca foram aos Encontros em Custódia. Muitos, confessaram, não tinham ideia da magnitude daquela “brincadeira”. Não perderei mais nenhum. Diziam.

Sempre questionei, porque vinham para os Encontros em Custodia, custodienses residentes na Bahia, no Rio de Janeiro, custodienses de Brasília, de Minas Gerais, do Rio Grande do Norte até do Mato Grosso.

Já os custodienses residentes no Recife, bem mais perto de Custodia, onde mora a grande maioria, aparecia apenas meia dúzia de “gatos-pingados”.

Resolvemos que íamos reverter este quadro.

O Encontro de Recife atingiu plenamente o objetivo.

Fizemos 134 convites. Conseguimos colocar dentro do clube 104 custodienses natos, com mais seus acompanhantes, o clube encheu. Não fora o 7 de setembro caindo na segunda feira, dando ensejo a um feriadão, creio que o espaço disponibilizado pelo clube seria pequeno. Foi uma alegria só.

Rever um doce de criaturas como Laise e Vanize de Seu Né Marinho. ? Não tem preço. Vale qualquer sacrifício.

Rever Janoca de Chico Eugenio, Regina de Gerson Pinto (carcereiro) Jurandir de Alcides, Tona de Chico Eugenio. Salete Veríssimo, Naísa Amaral, João de Zuca Pinto, Neuman Florencio, e mais uma infinidade de conterrâneos, foi realmente gratificante.

A propósito: A quanto tempo não se via Zé Carneiro. Ele estava lá.

A programação foi cumprida à risca.

O som ao vivo, impecável, com o cantor indo de mesa em mesa atendendo aos pedidos, almoço, (churrasco esperto) refrigerante s e água por conta do evento, fotógrafos e cinegrafistas profissionais documentaram a festa, cerveja bem gelada “trincando”.

Alguns saíram “no lixo”. Betinho Amaral, Fernando Florencio, Zé Ernesto, Cícero de Quitéria (noivou) Prometeu que vai casar no Encontro de 2010, inaugurando o coreto da nova Praça Velha.(Não vale “farrapar” estamos de olho).

Foi um encontro sem solenidades, inteiramente formal, serviu para as pessoas que não se viam a muito tempo se irmanarem e estreitarem os laços de amizade rompidos pela necessidade de uma vida fora.

Como ponto alto, houve a apresentação em slide, num telão, do projeto Arquitetônico e Urbanístico, que será usado pela Prefeitura na reurbanização da Praça Velha(Ernesto Queiroz) elaborado pela Arquiteta Fabíola Secchin, de Marilia (SP).

Esperamos entregar a aos custodienses a Praça Ernesto Queiroz(Praça Velha) totalmente reurbanizada no Grande Encontrão de Setembro de 2010. Para tanto estamos envidando todo esforço possível junto à Prefeitura, Câmara de Vereadores e demais órgãos , para a concretização daquele projeto que foi doado à cidade sem nenhum ônus para os cofres públicos.

Acessem o blog Custodia Terra Querida – www.custodia-pe.com.br – e vejam o projeto implantado num excelente trabalho do Paulo Peterson.

As fotos e a filmagem estão sendo editados em CD e DVD. Aqueles que interessarem contatem Paulo Ataíde (81 )9126-0072 ou 3091-1150pfjmpp@gmail.com

Está bonito e vale a pena ter como lembrança.

Vale destacar o trabalho de João Elizeu, Hermes Leandro, Betinho Amaral, que num esforço sem limites contribuíram para o sucesso do evento.

Fernando Florencio

sábado, 21 de janeiro de 2012

Numeriano Blandino - por Fernando Florêncio




A Paróquia de São Jose, da freguesia de Custódia, passava por um momento de letargia incompreensível. Nem um vigário fixo tinha, muito embora dispusesse de um dos templos mais bonitos e imponentes da região.

Até hoje, não se conhece nenhuma Igreja com torre mais alta e exuberante que, muito embora contrastando com sua imponência, dispunha de apenas dois sinos muito pequenos, que tocados com incrível sintonia por Sebastião (sêo Mama) indicavam chamadas para a missa, novenas, enterros,, batizados… etc.

Quando menos se imaginava, eis que desembarca da “sopa” (ônibus) da Empresa Realeza, um homem muito gordo vestido com uma roupa de cor indefinida, talvez marrom, uma resultante do preto da batina com a poeira vermelha do sertão. Atravessou toda a Praça Padre Leão em direção à Igreja, sob a curiosidade de todos que estavam a “jogar conversa fora” em ambos os lados da praça. Era mais ou menos três e meia da tarde. O andar cadenciado, a cabeça erguida, o peito saliente a mala, enorme e pesada, carregada na cabeça por Sebastião “Miudin,” dava a idéia que aquele homem viera para ficar.

A notícia se espalhou como um rastilho de pólvora.

Viva!!!! Nosso padre chegou!!! São José ouviu nossas preces. Era a glória.

A arrumação da Igreja para a primeira missa do PADRE LUIZ KLUR, mexeu com todos. As toalhas mais alvas ornaram a igreja. As flores mais bonitas foram colocadas nos vasos. O cheiro das dálias, rosas, açucenas, misturados davam uma agradável sensação de limpeza. Não foram usados os tradicionais “cravos de defunto”.

Padre Luiz chegara para substituir o dedicado MONSENHOR URBANO, pároco de Sertânia, que eventualmente dava assistência à nossa paróquia.

Sêo Menino; logo na primeira missa o Padre Luiz implantou seu estilo. Era alemão e sendo alemão, diria o Mução: –Grosso que nem parede de Igreja – foi logo botando pra quebrar.

-Não admitia conversa durante a missa.
-Não admitia interrupções.
-Menino chorão? Nem Pensar. Que ficasse em casa. Ele perdoava. Implicou até com um ceguinho que pedia esmola durante a missa na porta da Igreja. A galera dizia que o padre não queria saber de concorrência.

Diante da gestão ditatorial do Padre, que angariou muitos críticos, entre eles estava Numeriano, cuja magreza e atitudes gozadoras, algumas até curiosas, faziam dele uma figura ímpar. – João Elizeu conta, que certa feita, Numeriano deu um “trupicão” numa pedra, mirou a cabeça do dedão ensanguentada, voltou, olhou para a pedra, e tascou: TÁ QUI PRA VOÇE, OHH!!! E deu uma “banana” pra pedra.

Numeriano costumava assistir a missa aos domingos, encostado na porta da entrada lateral da Igreja, situada no lado direito de quem olha para a praça.

Espirituoso, certa vez uma senhora que chegara atrasada para a missa das sete, sabedoria dos métodos rígidos do Padre Luiz e preocupada se a missa já teria começado, perguntou a Numeriano: 

– A missa já entrou?? Numeriano respondeu: Por essa porta, não!!.

Domingo de Páscoa, igreja cheia, o Padre Luiz discorria a explicação do evangelho que falava sobre a multiplicação dos pães e dos peixes..

Falava que “naquele tempo, Jesus distribuíra para dois discípulos, CINCO MIL PAES MAIS DOIS MIL PEIXES, saciando a fome de todos.

Numeriano captou a mancada que o Padre dera, invertendo as quantidades, comentou para Totinha de dona Bela:

-Ôxe,!!Qual a vantagem.?? Isso até eu faço.

Mesmo cochichado, o Padre ouviu o comentário de Numeriano. Nada disse. Apenas olhou-o por cima dos óculos, como quem diz: Me espere. Quem tem com que me pague não me deve nada.

No ano seguinte, ocorria mesma situação. O padre Luiz dizia: Naquele tempo, Jesus repartiu para cinco mil pessoas, CINCO PÃES MAIS DOIS PEIXES, saciando a fome de todo mundo. Olhou por cima dos óculos em direção a Numeriano, e lascou:

- Faz isso agora Numeriano, que eu quero ver.!!!

Numeriano nem se abalou, só respondeu.:

FAÇO SIM, COM O QUE SOBROU DO ANO PASSADO.

Fernando Florêncio
Ilhéus/BA

Em tempo: Foi no período do Padre Luiz que nossa Paróquia recebeu um novo sino e o relógio.

Numeriano Blandino - por Fernando Florêncio




A Paróquia de São Jose, da freguesia de Custódia, passava por um momento de letargia incompreensível. Nem um vigário fixo tinha, muito embora dispusesse de um dos templos mais bonitos e imponentes da região.

Até hoje, não se conhece nenhuma Igreja com torre mais alta e exuberante que, muito embora contrastando com sua imponência, dispunha de apenas dois sinos muito pequenos, que tocados com incrível sintonia por Sebastião (sêo Mama) indicavam chamadas para a missa, novenas, enterros,, batizados… etc.

Quando menos se imaginava, eis que desembarca da “sopa” (ônibus) da Empresa Realeza, um homem muito gordo vestido com uma roupa de cor indefinida, talvez marrom, uma resultante do preto da batina com a poeira vermelha do sertão. Atravessou toda a Praça Padre Leão em direção à Igreja, sob a curiosidade de todos que estavam a “jogar conversa fora” em ambos os lados da praça. Era mais ou menos três e meia da tarde. O andar cadenciado, a cabeça erguida, o peito saliente a mala, enorme e pesada, carregada na cabeça por Sebastião “Miudin,” dava a idéia que aquele homem viera para ficar.

A notícia se espalhou como um rastilho de pólvora.

Viva!!!! Nosso padre chegou!!! São José ouviu nossas preces. Era a glória.

A arrumação da Igreja para a primeira missa do PADRE LUIZ KLUR, mexeu com todos. As toalhas mais alvas ornaram a igreja. As flores mais bonitas foram colocadas nos vasos. O cheiro das dálias, rosas, açucenas, misturados davam uma agradável sensação de limpeza. Não foram usados os tradicionais “cravos de defunto”.

Padre Luiz chegara para substituir o dedicado MONSENHOR URBANO, pároco de Sertânia, que eventualmente dava assistência à nossa paróquia.

Sêo Menino; logo na primeira missa o Padre Luiz implantou seu estilo. Era alemão e sendo alemão, diria o Mução: –Grosso que nem parede de Igreja – foi logo botando pra quebrar.

-Não admitia conversa durante a missa.
-Não admitia interrupções.
-Menino chorão? Nem Pensar. Que ficasse em casa. Ele perdoava. Implicou até com um ceguinho que pedia esmola durante a missa na porta da Igreja. A galera dizia que o padre não queria saber de concorrência.

Diante da gestão ditatorial do Padre, que angariou muitos críticos, entre eles estava Numeriano, cuja magreza e atitudes gozadoras, algumas até curiosas, faziam dele uma figura ímpar. – João Elizeu conta, que certa feita, Numeriano deu um “trupicão” numa pedra, mirou a cabeça do dedão ensanguentada, voltou, olhou para a pedra, e tascou: TÁ QUI PRA VOÇE, OHH!!! E deu uma “banana” pra pedra.

Numeriano costumava assistir a missa aos domingos, encostado na porta da entrada lateral da Igreja, situada no lado direito de quem olha para a praça.

Espirituoso, certa vez uma senhora que chegara atrasada para a missa das sete, sabedoria dos métodos rígidos do Padre Luiz e preocupada se a missa já teria começado, perguntou a Numeriano: 

– A missa já entrou?? Numeriano respondeu: Por essa porta, não!!.

Domingo de Páscoa, igreja cheia, o Padre Luiz discorria a explicação do evangelho que falava sobre a multiplicação dos pães e dos peixes..

Falava que “naquele tempo, Jesus distribuíra para dois discípulos, CINCO MIL PAES MAIS DOIS MIL PEIXES, saciando a fome de todos.

Numeriano captou a mancada que o Padre dera, invertendo as quantidades, comentou para Totinha de dona Bela:

-Ôxe,!!Qual a vantagem.?? Isso até eu faço.

Mesmo cochichado, o Padre ouviu o comentário de Numeriano. Nada disse. Apenas olhou-o por cima dos óculos, como quem diz: Me espere. Quem tem com que me pague não me deve nada.

No ano seguinte, ocorria mesma situação. O padre Luiz dizia: Naquele tempo, Jesus repartiu para cinco mil pessoas, CINCO PÃES MAIS DOIS PEIXES, saciando a fome de todo mundo. Olhou por cima dos óculos em direção a Numeriano, e lascou:

- Faz isso agora Numeriano, que eu quero ver.!!!

Numeriano nem se abalou, só respondeu.:

FAÇO SIM, COM O QUE SOBROU DO ANO PASSADO.

Fernando Florêncio
Ilhéus/BA

Em tempo: Foi no período do Padre Luiz que nossa Paróquia recebeu um novo sino e o relógio.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Os becos de Custódia



Sabemos que todas as cidades tem suas curiosidades. Senão vejamos; Arcoverde tinha o trem a dividi-la ao meio, Caruaru, junto com a festa de São João, tem também a feira e Nova Jerusalem. Triunfo, tem o clima europeu com um frio de rachar, Serra Talhada, o corte em cima da serra, daí o seu nome, e por aí vai…


Mas ter becos igual a Custodia, não conheço uma cidade sequer. Vejam:

Beco de Pedro Rafael, Beco de Valentim, Beco de João Florêncio, Beco de Manoel Henrique, Beco de Pedro Mariano, Beco de João Prefeito, Beco de Zé de Noca, Beco de Luiz Amaral, Beco de Heleno Aleixo e o mais famoso e frequentado de todos:

O BECO DE ZUCA PINTO.

Este se sobressaía por três motivos:

1 – O humor de poucos amigos de “Seo” Zé Pereira (bisavô de Paulo Peterson) – Quem quisesse ser escarreirado era só fazer “ponto” na calçada do “Sêo” Zé.

2 – Bar e bodega de Zuca Pinto. No bar tinha sinuca e bilhares além do que, nos dias da feira era montado o “cassino” do Dedé Blandino. Com Roletas, Maior Ponto e Aliado, tudo jogo de Azar e ainda o jogo do bicho. A freqüência no Beco de “Sêo Zuca era o point da época às segundas feiras. Lembro bem que foi no bar de Zuca que Pedro de Da.Izaque acendeu uma bomba de São João tipo“PEIDO DE VÉIA” e jogou no bolso do paletó de um “matuto”que encostado na mesa de jogo e distraído, arriscava uma fezinha na roleta de Dedé. Mermão, esse “home” quando sentiu o “tiro da bomba” saiu numa disparada com o bolso do paletó pegando fogo, numa gritaria enlouquecida em direção à Farmácia Pereira (Pronto Socorro), aos gritos :

FUI BALEADO, ME BALEARAM, ME SOCORRA SÊO JOAQUIM, VALEI-ME DONA CORINA, MINHAS VISTAS JÁ ESTÃO ESCURECENDO. VOU MORRER.

Passado o susto, com o matuto mais calmo, Sêo Joaquim disse-lhe:
- Pois é rapaz. Se sangue FEDER, você está mesmo baleado.

No bar de Zuca, a forma para pagamento do uso da sinuca era os minutos marcados por um relógio de pêndulo, fixado na parede. A molecada inclinava o relógio, tirando-o do prumo. O relógio parava, e quando Zé Nogueira, o gerente do bar, via o relógio parado, já tínhamos jogado mais de hora.

3 – No beco de Zuca, aos domingos até meio dia, não tinha pra ninguém. A barbearia de Zé Nego ficava “entupida”. Parecia até que em Custódia só se cortava cabelo e fazia barba aos domingos, após a missa das sete é claro. Neguinho passava na barbearia, nem que fosse para jogar conversa fora e/ou ouvir as últimas.

Com Zé Nego, trabalhava outro barbeiro. Se não me engano o nome dele era Edílson. Ambos competentes no ofício da tesoura e da navalha (Solingen), alemã, que era afiada num pedaço de madeira leve tipo miolo de pé de milho. O Zé Nego monopolizava a clientela. Era o barbeiro preferido dos clientes. Trabalhava com mais calma, contava causos, era por assim dizer, um bom papo. Já o Edílson era mais despachado. Conversava pouco. Fechado, até.

Essa foi de lascar. Até porque o Edílson era um poço de ignorância quando contrariado.

Certa vez, num dia de feira, chegou um homem com um meninote na barbearia. Cortou o cabelo fez a barba com Edílson, e foi dizendo:
- O Sr. Por favor, corte o cabelo desse menino, que eu vou ali no açougue comprar uma carne, volto já, quando então farei o pagamento.

Ta bom. Edílson cortou o cabelo do menino, que voltou a sentar-se esperando o homem que fora comprar carne.

Depois de uma hora e meia, Edílson olhou pro menino que continuava sentado e falou: SEU PAI TÁ É DEMORANDO. !!!

Então o menino respondeu : Não é meu pai não senhor !
Ele é o que seu, então.? Perguntou Edílson.
Nada não senhor. Não sei quem é não.
Como é rapaz ??? Conte essa historia direito.
É que eu estava parado ali na esquina de Sêo Zuca quando ele chegou e me disse:

EI MENINO!! ‘VAMO’ ALI CORTAR O CABELO DE GRAÇA. !!!!!!

Naquela segunda feira Edílson não trabalhou mais. Botou a “doze polegadas” na cintura e passou o resto do dia procurando o tal homem que fora comprar carne.


Fernando Florêncio
(florêncio.fernando@hotmail.com)
Ilhéus/Ba (17/Dez/2008)


PS. O termo “matuto” refere-se única e tão somente às pessoas que moravam na área rural, não cabendo nenhuma conotação pejorativa.

domingo, 6 de novembro de 2011

Naime Campos


Li uns escritos do Jorge Remígio no blog. Coisas que nos remetem ao mais profundo mundo das lembranças e geram saudades. Retratam bem a Custódia da nossa época. Quando digo “nossa” refiro-me à época vivida pelos sessentões ou a aqueles que estão a caminho. 

Existem custodienses da “gema” que originaram fatos enriquecedores, histórias (e estórias) que tão bem relatadas são inseridas no Blog Custódia Terra Querida, levando Jussara Burgos, Zé Melo, Jorge Remigio e este humilde escriba, à condição de arquivos vivos de uma fase bonita, criativa, eivada de fatos marcantes, sérios e hilários da vida na nossa cidade. Só que em Custódia o único arquivo vivo chama-se Dr. Pedro Pereira Sobrinho, até prova em contrário. 

Se Pedrinho resolvesse escrever suas memórias, o livro teria a espessura e um número de páginas idênticos (se não mais) correspondente à espessura e número de páginas de uma lista telefônica do Estado de São Paulo. Isto quando existiam listas telefônicas. 

Nada mais justo, conceder um preito de gratidão por terem gravado a história de Custódia nas mais remotas lembranças da nossa existência, tanto assim que estamos aqui a relatá-los e levá-los ao conhecimento desta nova geração, a quem cabe sequenciá-los, não os deixando a vagar pela poeira da estrada da vida. 



ZÉ BIÁ. 

Pequeno homem na estatura, mas de um coração gigante. Deleitava todos nós com as músicas e o som ingênuo tirados da Zabumba e do seu “pife”. Era bonito ver Zé Biá tocar. Cada um de nós pretendia ser um Zé Biá, imitando-o tentando ser um dia um zabumbeiro soprando um “pife” improvisado feito da haste ôca da folha do mamoeiro. Por questão de justiça, rendo a todos os zabumbeiros, minha admiração, respeito e homenagens. Apesar das “pingas” que tomavam de bodega em bodega, faziam um som limpo. Nunca desafinavam. 

ALAÍDE SILVA CARVALHO. 

Negro gigante de sorriso largo. A abertura do nosso carnaval na madrugada do sábado, o vozeirão do Alaíde, acordava toda acidade entoando o canto de partida: 

“LA VEM O CARIRI AÍ, CANSADO DE PEGAR CRIANÇA, PEGANDO AS MOÇA SOLTEIRA PEGA TUDO QUE A VISTA ALCANÇA...”(sic) 

Indicava que estava aberta a temporada carnavalesca e liberado o “*entrudo”. 

Nos dias atuais, Alaíde seria nosso Rei Momo com todas as honras e glórias possíveis e imagináveis. 

(*) ”Mela mela”. Sujar as pessoas de água, talco e outras ingredientes menos recomendados e não identificados.) 

NAIME CAMPOS

Naime tem na sua história a quebra de um tabu, que só viria a ser usual depois de muitos anos. O paradigma de homem se vestir de mulher, com peito e tudo, falando fino, sair rua a fora, bodega por bodega, venda por venda, bar por bar, foi quebrado por Naime. 

Todos os anos, durante a segunda- feira de carnaval, saía Naime travestido de mulher, a faturar os trocados para a cervejinha da noite. 

Creio que em todo o mundo machista do vale do Moxotó, tamanha ousadia até então ninguém tivera coragem de assumir. 

Pintado de preto, cabeça raspada a navalha, trajado com algum vestido emprestado por uma das irmãs, na segunda feira de carnaval, lá vinha o Naime “arrecadando” a grana das cervejas da noite que seriam tomadas no bar do Clube Lítero Recreativo de Custódia. Naime descolava uma graninha esperta. Detalhe: 

Nunca deixava ninguém lhe passar as mãos “nas partes”. Nem na frente nem atrás. 


FILOTANDO. 

Naime com sua verve séria, porem sempre cômica, nos brindou com esta pérola que passo a relatar. 

O forró mais animado e mais popular do São João, em Custódia, acontecia no Bar de Zuca Pinto, situado, creio que na esquina da rua Luiz Epaminondas com a Praça Padre Leão. Do outro lado o casarão do avô de Pedrinho Pereira. Aquela rua que sobe e vai até a cadeia pública. Era mesmo um forró para o povão. 

O sanfoneiro sempre foi “Mané” de Oscar, porém naquele São João, tendo compromisso já assumido lá pras bandas de Betânia, Mané passou a bola pra Alípio. 

Alípio um negro simpático, cheio de ginga, namorador, tocava uma sanfoninha com 

“oito baixos” de dar inveja. Fazia miséria com aquele fole chamado jocosamente de “pé de bode”. Repertório limitado, Alípio a cada duas músicas repetia sua preferida e única que sabia a letra até o final: 

“O candeeiro se apagou, o sanfoneiro cochilou, a sanfona não parou e o forró continuou...” 


Forró no Escuro. Clássico de Luiz Gonzaga. 

Sebastião “Leriano”, (Leriano: Não se sabe se é uma corruptela de “Aureliano” ou por causa de “leriado”, sinônimo bastardo de conversador) era o mais assíduo frequentador de todos os forrós onde Alípio tocava. Sempre de terno de linho impecavelmente amassado, Sebastião era apelidado de o “Pombo Branco”, apesar de ser da cor negra. Ozinaldo e Alfredo também se faziam presentes nos forrós tocados pelo Alípio, cuja profissão real era ser sapateiro. 

Sebastião “Pombo Branco”, sempre tirado a falar difícil, certa feita perguntaram-lhe: 

Então Sebastião, como foi o forró de ontem lá no Quitimbú ? 

Rapaz! O forró esteve uma DIOCESE de tão bom! Respondeu o simplório Tião Leriano. 

Naquele forró do dia de São João no bar de Zuca, a mesa da sinuca foi encostada no canto do salão e sobre ela, servindo de palco: 

Alipio (nos oito baixos) João Kaki Oito (no violão) Zezin Calango (no pandeiro) Avião de Alcides (no triângulo) e na zabumba Chico Deca, que logo após viria a morrer num acidente de caminhão. 

Aquele forró transcorria muito animado, com muita calma, até aquele momento nenhuma arma, principalmente peixeira, tinha sido tomada. Cautelosamente, sabendo que na entrada do baile o Cabo Deodato mais dois soldados estariam de plantão dando uma corrigida geral nos frequentadores, e quem estivesse armado, teria a arma apreendida, então, por precaução, e para não passar vergonha, as armas foram deixadas em casa ou escondidas em algum buraco de muro ou moita de mato. Todos sabiam que o Cabo Deodato não brincava em serviço, dizia ele que do lado que era liso era um ralo, do outro esporão de galo. Cumprindo as ordens do Coronel Manoel Neto, então, quem quiser que se habilitasse. Era cana dura. 

Uma moça morena e muito bonita estava no salão. De visita à cidade, chamava a atenção da rapaziada. Não era conhecida em Custódia e com certeza devia ser convidada de alguma família. Era junho, portanto devia estar de férias. 

Sentada e bem comportada no canto do salão, sempre observada com muita curiosidade. 

Zezin de Chico Barra, com um medo da gota serena, pois a moça poderia estar esperando o namorado e seria confusão na certa, mesmo assim encheu-se de ousadia, meteu a cara e foi tirá-la pra dançar. 

Voltou para onde estávamos, dentro do bar tomando Samba em Berlin (Rum Montilla com Coca-Cola) e com a maior cara de Amélia nos disse que a moça lhe “cortara”. Dissera ela: 

“-Não posso. Eu só danço filotando”...(?) 

Aquilo nos deixou encabulado. 

Hermes Leandro, exímio dançarino, conhecido pelas qualidades de um Pé de Valsa, levou também uma “cortada” da moça: 

Ela só dança “filotando”. Voltou o Hermes dizendo cabisbaixo e invocado. Como seria aquela dança? Questionávamos nos todos. 

Depois de mais dois ou três serem “cortados”, aí entrou o Naime na história. 

Sob nossa curiosidade, o Naime atravessou o salão de lado a lado, disposto a dar o famoso cheque- mate na dama de fora que só dançava “filotando” e que já cortara uns cinco. 

“Se não dançar comigo agora, esta noite, não dança com mais ninguém. Está cansada, vá simbora”!! 

Não precisou tal grosseria. Naime foi educado e a moça correspondeu explicando com ponderação, como se vê a seguir. 

Naime chegou até a moça com gosto de gás e abriu o verbo: 

Fique a dona moça sabendo que eu paguei a quota (entrada) e quero dançar. Eu danço de tudo: 

Xote, Côco, Baião, Xaxado, Reisado, Bolero, Samba-Canção, Samba de Roda, Mambo, Tango, “filotando”, sem “filotar”, assim, quero dançar com você. Escolha. 

A pobre moça, constrangida, só respondeu: 

Moço eu só danço filotando. E esclareceu o mistério: 

É QUE FILÓ É MINHA TIA. ESTOU HOSPEDADA NA CASA DELA. COMO NÃO SOU DAQUI, ELA ME PEDIU PRA SÓ DANÇAR QUANDO ELA CHEGAR. 

ASSIM, EU SÓ DANÇO FILOTANDO. 

ME DESCULPE! 

Naime retornou murcho igual maracujá engavetado. Não disse palavra. Nem podia. O motivo para a moça não dançar carecia apenas de explicação. 

Fernando Florêncio 
Ilheus/Ba (02/11/2011) 

EM TEMPO 
Recado para Severino (do Rádio) único e atual vereador que viveu aquela época: 

Apresente um projeto na câmara, homenageando Zé Biá, Alaíde e Naime Campos, dando seus nomes a uma rua e/ou a qualquer outro logradouro público da nossa cidade. 

quarta-feira, 20 de julho de 2011

I Encontro de Custodienses em Recife 2009



Realizamos mais um evento.

Desta vez o Encontro dos Custodienses aconteceu no Recife. Mais precisamente no Clube dos Oficiais da Policia Militar do Estado de Pernambuco, gentilmente cedido para nosso Encontro pelo comando da Corporação a pedido de Betinho e Zezé Amaral.

A ideia inicial deste encontro no Recife, era a principio incentivar aqueles que nunca foram aos Encontros em Custódia. Muitos, confessaram, não tinham ideia da magnitude daquela “brincadeira”. Não perderei mais nenhum. Diziam.

Sempre questionei, porque vinham para os Encontros em Custodia, custodienses residentes na Bahia, no Rio de Janeiro, custodienses de Brasília, de Minas Gerais, do Rio Grande do Norte até do Mato Grosso.

Já os custodienses residentes no Recife, bem mais perto de Custodia, onde mora a grande maioria, aparecia apenas meia dúzia de “gatos-pingados”.

Resolvemos que íamos reverter este quadro.

O Encontro de Recife atingiu plenamente o objetivo.

Fizemos 134 convites. Conseguimos colocar dentro do clube 104 custodienses natos, com mais seus acompanhantes, o clube encheu. Não fora o 7 de setembro caindo na segunda feira, dando ensejo a um feriadão, creio que o espaço disponibilizado pelo clube seria pequeno. Foi uma alegria só.

Rever um doce de criaturas como Laise e Vanize de Seu Né Marinho? Não tem preço. Vale qualquer sacrifício.

Rever Janoca de Chico Eugenio, Regina de Gerson Pinto (carcereiro) Jurandir de Alcides, Tona de Chico Eugenio. Salete Veríssimo, Naísa Amaral, João de Zuca Pinto, Neuman Florencio, e mais uma infinidade de conterrâneos, foi realmente gratificante.

A propósito: A quanto tempo não se via Zé Carneiro. Ele estava lá.

A programação foi cumprida à risca.

O som ao vivo, impecável, com o cantor indo de mesa em mesa atendendo aos pedidos, almoço, (churrasco esperto) refrigerante s e água por conta do evento, fotógrafos e cinegrafistas profissionais documentaram a festa, cerveja bem gelada “trincando”.

Alguns saíram “no lixo”. Betinho Amaral, Fernando Florencio, Zé Ernesto, Cícero de Quitéria (noivou) Prometeu que vai casar no Encontro de 2010, inaugurando o coreto da nova Praça Velha.(Não vale “farrapar” estamos de olho).

Foi um encontro sem solenidades, inteiramente formal, serviu para as pessoas que não se viam a muito tempo se irmanarem e estreitarem os laços de amizade rompidos pela necessidade de uma vida fora.

Como ponto alto, houve a apresentação em slide, num telão, do projeto Arquitetônico e Urbanístico, que será usado pela Prefeitura na reurbanização da Praça Velha(Ernesto Queiroz) elaborado pela Arquiteta Fabíola Secchin, de Marilia (SP).

Esperamos entregar a aos custodienses a Praça Ernesto Queiroz(Praça Velha) totalmente reurbanizada no Grande Encontrão de Setembro de 2010. Para tanto estamos envidando todo esforço possível junto à Prefeitura, Câmara de Vereadores e demais órgãos, para a concretização daquele projeto que foi doado à cidade sem nenhum ônus para os cofres públicos.

Acessem o blog Custodia Terra Querida – www.custodia-pe.com.br – e vejam o projeto implantado num excelente trabalho do Paulo Peterson.

As fotos e a filmagem foram editados em CD e DVD.

Aqueles que interessarem contatem:

Paulo Ataíde (81)9126-0072 ou 3091-1150 – pfjmpp@gmail.com

Está bonito e vale a pena ter como lembrança.

Vale destacar o trabalho de João Elizeu, Hermes Leandro, Betinho Amaral, que num esforço sem limites contribuíram para o sucesso do evento.

Fernando Florencio

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Um dos primeiros marceneiros de Custódia



João Ferreira e esposa, foram os primeiros marceneiros e carpinteiros que iniciaram a construção de Custódia. Quem não conheceu Benedito Marceneiro, Cicero Cocão como era o apelido dele em Custódia? Seu tio José da Telha, já falecido, cobriu várias casas em Custódia, deu trabalho para os soldados da cidade na época, como João Gaguinho e João Anjo.

Um fato interessante aconteceu com o finado José Telha, um policial foi na marcenaria de João Ferreira, e falou “Seu João, o José da Telha está dando muito trabalho na rua, nós vamos prender ele“. Ao que seu João Ferreira sem titubear comentou “O que eu posso fazer seu guarda, guarde ele por uns dias até ele melhorar“.

Colaboração: Fernando Florêncio e Valdemiro Rodrigues

terça-feira, 21 de junho de 2011

Os Dudas de Custódia


1 - "Sêo" Duda do Banheiro: Se não me engano era pai de Seu Lunga e do Ovídio (?) primeiro custodiense a ingressar na Marinha do Brasil. Este era funcionário da prefeitura e tomava conta do Banheiro. Daí seu nome. Vendia latas d'agua mediante uma ficha e banhos. Ainda "vejo" as pessoas que moravam do outro lado da cidade atravessarem todo o "Quadro" (Praça Padre Leão,) em direção ao banheiro, com uma toalha enrolada ao pescoço. Grande parte dos descendentes do Seu Duda do Banheiro moram em Feira de Santana, aqui na Bahia.



2 - O outro Duda, morava naquele casarão perto das "gramas". Tinha um imenso tamarineiro na porta da casa. Este Duda tinha um parque de diversões (carrossel e canoas) era pai de Adamastor, de Lia (Locutora da Rádio Difusora Duas Americas) e de Téa (Sonoplasta da mesma "rádio"). Sôbre este Duda, conta-se que ele vinha procedente do campo de aviação para a cidade numa bicicleta descendo a ladeira do cemitério no sentido da bomba. Quando passava embalado exatamente defronte ao cemitério, vendo que tinha que pedalar para subir a parte da ladeira já em direção à bomba, teria dito: "SE O CÃO EXISTE, QUE SAIA DAÍ DE DENTRO E ME EMPURRE ATÉ SUBIR O TOPO".
Rapaz, seu Duda montado nesta bicicleta, subiu o topo sem dar uma pedalada, desceu pra bomba, passou no posto fiscal com mais de 100. Dobrou a curva do Café da Hora, entrou na Praça, passou em frente à Farmácia Pereira, que todos saíram para ver o que era aquilo. Subiu até a igreja, fez a curva em direção ao Beco de Valentim, tentou descer o beco, errou o ângulo da curva estatelando-se na esquina da Farmácia de Otacílio Pires, lado oposto à casa do Valentim.

Quem estava na Praça, nunca tinha visto tamanha velocidade numa bicicleta. Deste dia em diante Seu Duda começou a escarrar com raios de sangue, não tendo saúde jamais. Ele contou a Tuta de Dona Manoca, locutor da difusora, que dissera aquela frase, daí perdeu todo o controle da bicicleta. Inclusive "gastou" todo o solado de pneu da alpercata, tentando parar a bicha.

Coisas da nossa terra.

Abração.
Fernando Florêncio

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Zé Daniel e Dona Laura



Meus pais fariam 82 anos de casados. Portando, bodas de não sei o quê, pois que eu saiba, catalogaram só até bodas de diamante (75 anos).

Revendo fotos antigas, encontrei essas que te mando para que você e outros da tua geração vejam como eram os meus antepassados e as pessoas daquela época revivam uma saudade de mais de 50 anos. Não existe nada de excepcional a destacar sabre esta familia. As mulheres, como era comum na época, eram essencialmente “donas de casa”. Eram criadas para casar e procriar, sem no entanto se afastar um milimetroda conduta ilibada e dos bons costumes. Se viúvas viessem a ficar, se enlutariam de preto total e fechado por um ano.

Lembro bem de Da. Izaque viúva de “Sêo” Antonio Lopes, mesmo muitos anos depois de viúva, foi sepultada de preto. A exemplo de Da. Izaque muitas nunca voltaram a refazer a vida com outro casamento. Quanto aos homens, meu pai, – Zé Daniel, – consta que teve uma fase próspera como comerciante, tendo desistido daquela atividade porque alguém lhe dissera que logo após a ditadura de Getulio Vargas, entraria o Comunismo através de Luiz Carlos Prestes e neste regime tudo passaria a ser do Estado. Todo e qualquer bem seria confiscado.

Minha mãe, Da. Laura Florencio, contava que logo outro comerciante – Sr. Zuzú Pires – mais bem informado, comprou todo o estoque de Zé Daniel com um deságio de 20% (vinte por cento) sôbre os preços das faturas. Ou seja, deu de presente. Com os poucos “caraminguais” que recebeu de Zuzú Pires, comprou uma fazendola lá pras bandas do Serrote. Todos sabem qual o destino final de pequenos agricultores naquele sertão inóspito, sem meios sequer para adquirir o necessário para viver com decência.

Zé Daniel, também teve uma fase digna de registro. Segundo Ernestinho, no livreto CORONEL SEM PATENTE, Zé Daniel exerceu por algum tempo a função de “Juiz de Paz” que hoje corresponderia a “Juiz de Pequenas Causas” e presidente da Cooperativa Agrícola de Custódia. Zé Daniel, logo após ficar viúvo de Da. Laura, caiu em depressão, vindo a falecer pouco tempo depois, em Nova Iguaçú, no Rio de Janeiro, não obstante a dedicação em tempo integral de Dulcilia (filha mais velha) durante todo o tempo, por 24 horas todos os dias que duraram sua lenta agonia. Faleceu lúcido aos 83 anos, chorando, lamentando e sentindo que partiria sem rever a sua terra natal. E assim foi.

Vou combinar com Dulcilia para trazer os despojos dos dois para um sepultamento simbólico em Custódia. A Da. Laura Florencio e Zé Daniel, nesta data, manifesto o meu mais puro e sincero agradecimento por terem me indicado o caminho da honradez da decência e da cidadania. E, principalmente por não terem dado ouvidos a aqueles que os hostilizavam – alguns até com o mesmo sobrenome, – quando alertavam que “Estavam criando cobra para mordê-los“, já que eu era filho adotivo. Coisa que menino jamais esquece.

As fotografias que veem a seguir, foram tiradas por ocasião das Bodas de Ouro de Zé Daniel e Da.Laura Florencio, juntamente com o Batizado da nossa filha mais velha – Prúdence -.(no colo ) na Igreja de Santa Luzia, em Nova Iguaçú no Rio de Janeiro, para onde a familia migrou lá pelos idos de 1965.

1a. Foto da esquerda para a direita:

Zé Daniel e Da.Laura (Missa em ação de graças pelas Bodas de Ouro.)



2a.Foto…… Da. Iaiá Florencio, Zé Daniel, Da.Laura, Catonho Florencio e Da.Gercina.(esposa de Catonho)

3a. Foto - Ma.das Dores (Filha de Dulcilia c/Manoel do Curtume), Sr.Francisco Elias (Esposo de Dulcilia), Dulcilia, Padre Marcelo, Fernando Florencio, Maria Apolonia(esposa) e Osmam (filho de Dulcilia c/Manoel do Curtume) Zé Daniel e Da.Laura c/ Prúdence no colo.



De antemão, agradeço

Fernando Florencio – florencio.fernando@hotmail.com
Ilheus/Ba

terça-feira, 17 de maio de 2011

O time de Odilon



Por Fernando Florêncio - Ilhéus-BA



O Esporte Clube Custódia era um time ousado. Dentro dos seus domínios, ou seja, no “nosso” campo era praticamente imbatível. A fama da “parede” GABIRÚ, NAIME E VEVÉ, era conhecida em todo sertão. Mesmo sendo somente em amistosos, até porque naquela época não existia campeonato intermunicipal. Eram apenas visitas de cortesia, sendo retribuída logo após pelo visitado. Ou seja: Custodia jogava em Sertania, depois Sertania retribuía jogando em Custodia.

Uma partida inesquecível foi entre Custódia X Serra Talhada, que tinha um time “tirado a gostoso”. Só jogava nos chamados Grandes Centros, tais quais, Petrolina, Salgueiro, Crato no Ceará, Arcoverde e por aí vai. Não obstante vários convites, sempre desdenharam do nosso Esporte Clube Custódia.

Até que um dia a ficha caiu. Resolveram nos visitar. Jogão lá e cá. Gabiru até pênalti, pegou. Campo cheio, gente até em cima “dos aveloz.” Jogo apitado por Chico Eugenio,

Resultado: Aos 40 minutos do segundo tempo, o mundo veio abaixo. Gol de Custódia. E sem ninguém saber por que, a “porrada comeu no centro” E tome-lhe tapa, correria, pé na bunda.Graças a Deus, não teve tiro nem faca. Toreba, pequenininho, acertou um chute “nos quibas” de Um e com o cara correndo atrás, se enfiou ali pelos aveloz, saiu na roça de “Sêo” João Miro e reapareceu apenas na segunda feira, mostrando os meiões rasgados pelos espinhos “unha de gato”.

MOTIVO DA BRIGA: GOL FEITO POR EDMUNDO BLANDINO (CENTRO AVANTE) DE MÃÃÃÃOOOOO, depois de uma confusão na área proveniente de um escanteio cobrado por Zé Veríssimo. Daí a briga, (só na mão).

Como era de se esperar, Serra Talhada pediu revanche que foi marcada para dali a 15 dias.
Chegado o dia, com a cidade fervendo, a noticia do gol de mão correu a região, veio gente de Sertânia, até de Petrolina para assistirem àquela grande revanche. Foi noticiado até pela Rádio Pajeú, de Afogados das Ingazeiras.

Serra Talhada chegou com gosto de gás. Veio pra humilhar. Mas por esta “Eles” não esperavam.
Por motivos óbvios, Edmundo (o do gol de mão) foi “poupado”.

No lugar dele, “enxertaram” Missinho Feitosa, filho de “Sêo” Aftônio Feitosa, que estudante em Recife, estava de férias em Custódia na casa dos pais.

Serra Talhada abriu o placar 1 x 0 logo nos primeiros minutos. Silencio tumular. Até o aveloz deu uma murchada. Parecia o Maracanã na copa de 50 após o gol de Gighia, que deu a copa ao Uruguai.

Nisso “mermão”, os deuses do Olimpo baixaram sobre o nosso território e quando o juiz (Que não foi Chico Eugenio, poupado também por motivos óbvios) apitou o fim do jogo, o placar marcava:

CUSTODIA 3 X 1 SERRA TALHADA
Três gols de Missinho. Nunca mais Serra Talhada jogou em Custódia.

Com esse relato, chegarei agora ao motivo do título lá no alto. O TIME DE ODILON DO RIACHO DO GADO.

Com aquela fama do Esporte Clube Custodia correndo “o mundo” imagina, chegou até em Caruaru, tanto que o Central mandou “olheiro” para aliciar nossos craques.

Odilon criou o ESPORTE CLUBE DO RIACHO DO GADO, nome da fazenda lá pras banda de São Caetano, famosa pela colheita do Algodão Mocó.

Às segundas feiras, Odilon vinha “fazer a feira” e a galera perguntava:
E aí Odilon, como está o time da fazenda.???

Ao que ele respondia:

- Agora está fraco, mesmo assim consigo colocar 20 a 25 de cada lado, mas na colheita do algodão, se Deus quiser vou botar de 30 a 40.

As bolas usadas pelo time do Odilon, eram bexigas de boi.

 
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