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sexta-feira, 30 de março de 2012

Rogério Tenório - Colaborador


Meu nome é Rogério Tenório de Moura, sou sobrinho do ex-deputado e ex-prefeito de Cassilândia, Luiz Tenório de Melo (Custodiense radicado em Cassilândia-MS). Foi por meio dele que soube do seu blog, aliás você já conta com um depoimento dele. Sou professor, jornalista e vice-presidente do Sindicato Municipal dos Servidores Públicos de Cassilândia, atualmente respondo pela presidência, uma vez que a presidenta licenciou-se do cargo para concorrer a uma vaga na câmara municipal.

Sou colaborador em diversos jornais impressos e digitais de Mato Grosso do Sul, entre eles: O Cassilândia Jornal, Tribuna do Vale, Bolsão em Notícias, Folha de Selvíria, Cassilândia News e Campo Grande News. Dada minha ligação com Custódia, por causa de meus antepassados (meus avós, meu tio e minha mãe nasceram aí) gostaria de colaborar em seu blog.

Anote o endereço do meu blog: http://tenorio.moura.blog.uol.com.br/.

Nele há diversos artigos meus já publicados, todo domingo há um novo. Sinta-se convidado a acessá-lo e a publicar os que você julgar pertinentes, sempre que quiser.

Um forte abraço e parabéns pela iniciativa.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Arlindo Carvalho - Por Rogério Tenório


São estranhos os caprichos que a vida mostra ter por algumas pessoas. Enquanto muitas parecem passar a vida em brancas nuvens, outras tem sua biografia repleta de conquistas, derrotas (afinal ambas são dois lados de uma mesma moeda), “causos” e muitas coincidências que parecem ter sido arquitetadas cuidadosamente.

Assim foi a vida de José Arlindo de Carvalho, mais conhecido simplesmente por Arlindo Carvalho, que curiosamente teve sua vida entrelaçada a de meu avô. Ambos naturais de Custódia, uma pacata e bela cidade do interior do Pernambuco, mas que outrora não fora tão acolhedora devido às intempéries do agreste nordestino. Embora fossem de gerações diferentes, tanto um quanto o outro se viram obrigados a deixar sua terra natal, pela qual sempre demonstraram nutrir imensa saudade e carinho, em busca de uma vida melhor e por um desses acasos do destino vieram parar em Cassilândia, ainda na época do Mato Grosso uno.

Na época em que Arlindo chegou a Cassilândia meu avô já estava bem estabelecido, era um próspero corretor de imóveis, produtor rural e uma das maiores lideranças políticas da região; foi simpatia à primeira vista, meu avô não se cansava em dizer nas reuniões de família que havia se visto novamente naquele audacioso jovem nordestino que havia deixado tudo para trás (que no caso eram só a família e os amigos) e se lançado ao mundo. Tendo tino como poucos para conhecer pessoas, meu avô não se enganou, fez o que pode para ajudar aquele jovem aventureiro em seu início de vida e este não desapontou, transformou-se em um dos comerciantes mais influentes da região, dono de uma rede de lojas de calçados; dirigente de partidos políticos, líder de clubes de serviços, presidente da Associação Comercial…

Infelizmente a história nos mostra que não só de vitórias se faz a vida de um homem, mesmo dos grandes homens. Há alguns anos os negócios de Arlindo deixaram de prosperar como antigamente e suas atividades resumiram-se a uma loja, bem mais modesta que a primeira, administrada pela família; enquanto ele, como nordestino aguerrido, saía de cidade em cidade vendendo de porta em porta, porém sem perder a postura de predestinado a vencer que sempre teve.

Mesmo enfrentando problemas de saúde e dificuldades financeiras manteve-se anos a fio a frente do tradicional leilão beneficente em prol do Hospital do Câncer de Barretos, leilão este idealizado por ele, mostrando-se um exemplo de determinação e consciência cidadã. O exemplo de Cassilândia e de Arlindo Carvalho serviu para inúmeras cidades atendidas por aquele hospital. O engajamento dele inspirou várias pessoas que deram continuidade a sua obra, quando de seu afastamento de líder das atividades há três anos, devido ao agravamento de seu quadro clínico.

Será estranho saber que ele não está mais entre nós, como já era estranho não encontrá-lo pelas ruas da cidade nos últimos tempos para um gostoso “dedo de prosa”, pois por uma dessas contingências caprichosas da vida havia voltado para Aparecida do Taboado, primeira cidade mato-grossense a acolhê-lo. Mais estranho ainda é saber que o corpo de um homem cuja história se confunde com algumas das páginas mais belas da história de Cassilândia não repousará entre nós. A família decidiu sepultá-lo na “terra dos sessenta dias apaixonado”, só nos resta respeitarmos e nos resignarmos.

No ano passado, logo após o sepultamento de minha avó, disse-me que iria a Custódia, que queria matar saudades, relembrar dos tempos de moço, rever parentes e amigos, que depois de tantos anos de desterro resumiam-se à família de seu padrinho, o ex-prefeito Ernesto Queiroz. Era sua despedida, mesmo sem ter consciência disso.

Bem ao seu estilo grandiloquente fez a última despedida a minha avó, também custodiense, suas palavras ecoam em minha mente como se fosse hoje: “Há noventa anos Maria José de Oliveira chorou por deixar a proteção do ventre materno e vir ao mundo, hoje são inúmeros os que choram por sua partida, teve uma vida frutífera, repleta de realizações e benfeitorias ao próximo”. Faço minhas as palavras dele!

*Rogério Tenório de Moura é licenciado em Letras pela UEMS, especialista em Didática Geral e em Psicopedagogia pelas FIC; presidente em exercício do SISEC (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Cassilândia).

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Adeus Pai!



Olá, amigo Paulo. É com o coração pesado que volto a entrar em contato contigo. Venho lhe informar do falecimento do meu pai, Job Gomes de Moura, no último dia 22. Por ironia do destino aniversário da morte do meu avô materno, o Pernambuco, ocorrida em 1987. Segue em anexo uma foto nossa e um texto que escrevi em homenagem a ele. 

De seu amigo e admirador à distância,
                                                                                                       Rogério Tenório de Moura



ADEUS, PAI! 

Se houve uma coisa que a vida me ensinou, a duras penas, sobretudo nos últimos anos, foi a sempre enxergar o copo meio cheio. Tenho pena das pessoas que sempre enxergam o copo meio vazio. A vida para eles é um fardo insuportável. 

Aprendi que a vida é cheia de oportunidades, todos os dias o sol ressurge no céu, brilhando para todos, mas muitos estão tão ocupados em busca de glória ou tão absortos em seus próprios umbigos que não tem tempo para vê-lo resplandecendo sobre nós. Perdem tempo demais com auto comiseração. 

Aprendi com meu pai, Job Gomes de Moura, que a vida é mais, muito mais que o brilho dos holofotes, que a vida real se faz é cá embaixo, com o pé no chão, com o trabalho honesto e diligente que se faz metódica e diariamente. 

Aliás aprendi tanta coisa com meu pai que sei que ele nem faz ideia. Gostava tanto de citar as palavras de sabedoria de seu próprio pai que praticamente não sobrava conselhos que ele mesmo pudesse nos dar. O que ele não sabia era que seus gestos falavam mais que as palavras. Com eles, aprendi que o bom trabalhador é aquele que faz além da sua obrigação, é o que chega primeiro e sai por último e ainda leva serviço para casa; que trabalhador honesto, não importa quão simples seja sua função, tem de ser respeitado; aprendi (não muito bem, confesso, mas me esforçarei para melhorar) que a diplomacia é o melhor caminho e que a caneta é mais poderosa que a espada; aprendi que mais vale um vizinho perto que um irmão longe, que o que a mão direita faz de bom para alguém a esquerda não precisa ficar sabendo; que quem se auto-promove já teve a sua paga; aprendi o gosto pela leitura! 

De tudo o que aprendi, o que certamente mais me marcou e sei que intrigava muita gente, e por isso será lembrado, é o leque de amizades que mantinha. Mesmo sendo uma pessoa que exerceu cargos importantes na administração municipal ao longo de décadas, nunca escolheu amigos, eles é que o escolhiam. E eram dos mais variados, os garis com os quais batia papo na porta de casa, os guardas da praça que adorava frequentar, professores, médicos, funcionários da administração, advogados, aliás dentre estes é difícil me lembrar de algum, dos mais antigos na cidade, que não tenham ido em casa pedir conselhos a ele sobre questões do direito trabalhista e previdênciario. 

Como todo homem à moda antiga, cria que homem não chora, por isso ia para o quintal chorar às escondidas a morte do meu irmão. Quantas foram as vezes que minha mãe me pediu que fosse ao cemitério atrás do meu pai, pois fazia horas que ele havia ido até lá e, por isso, estava preocupada! Quantas foram as vezes que o encontrei sobre o túmulo do meu irmão chorando copiosamente como quem quisesse arrancá-lo de lá com as próprias mãos e trazê-lo de volta à vida! 

Sua partida pegou a todos de surpresa, ou talvez não! Como a maioria de nós, homens, que só vai ao médico quando está realmente passando muito mal, assim era ele. Creio que apostou alto em sua genética, meus avós e tios mais velhos morreram todos por volta dos noventa anos, ele era o caçula, estava com apenas sessenta e oito, logo tinha muito ainda a viver. Perdeu a aposta. Há anos não se consultava, não fazia exames, não tinha nenhuma atividade física, por mais que insistíssemos para que os fizesse. Talvez tivéssemos que ter sido mais contundentes. Talvez ele devesse ter sido menos turrão. Talvez... são tantas as hipóteses e todas elas tão inúteis, neste momento, quanto querer saber quando será o nosso dia. 

Se há consolo, e todos os que perdem um ente querido ficam em busca de um, é saber que nos últimos anos fomos mais que pai e filho, fomos grandes amigos, mas sempre fica um gosto na boca de que podia ter havido tempo para gente ser mais, para gente ter mais... 

Não tenho mais o direito de te pedir conselhos, meu velho pai, de ter crises de insegurança, de me recostar no teu peito, de olhar no teu rosto que o tempo fez mudar, de olhar teu olhar que tudo dizia sem a necessidade de nada falar. Agora vou tentando, vivendo e pedindo com loucura para você renascer em meus gestos, em meu olhar, em minha voz, pra que os filhos que um dia terei possam brincar de avô com você! 

Neste momento, banhado em lágrimas, termino sonhando com a vida que poderia ter sido, mas não foi, com a certeza de que tudo vale a pena, se a alma não é pequena. Você foi meu herói, meu bandido, aprendi muito com ambos. Espero ser tão importante para meus filhos quanto o senhor foi para mim. Valeu por tudo, pai! 

Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu. Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou” (Eclesiastes 3:1, 2



*Rogério Tenório de Moura é licenciado em Letras pela UEMS, especialista em Didática Geral e em Psicopedagogia pelas FIC. É neto de Joaquim Tenório Sobrinho, mais conhecido em Cassilândia por “Pernambuco”, fez história na polítical local. Custodiense nascido no sitio Lajedo.

 
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