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quarta-feira, 14 de março de 2012

Filho de Custodiense conquista prêmio


O engenheiro de alimentos Daniel Ibraim Pires Atala, 33 anos conquistou o Prêmio Bunge Juventude 2007, ele é autor da tese de doutorado “Processo Contínuo Extrativo a Vácuo para Produção de Etanol“, que resultou num sistema que permite triplicar a produtividade em dornas de fermentação alcoólica, a partir de melaço de cana-de-açúcar para destilação do etanol.

Inovador, o sistema oferece importante redução de custos no processo industrial. Sua pesquisa premiada foi conduzida nos laboratórios da Unicamp, é sobre o desenvolvimento do etanol que, propiciará grande economia para o país e diminuição da poluição do meio ambiente.

Daniel é filho da custodiense Elzira Pires ou Elzirinha como era chamada, filha do farmacêutico Elpídio Pires e Alzira Farias e neta de Samuel Carneiro e Prezalina Goés.

Mais detalhes sobre a premiação, visitando:

http://www.unicamp.br/unicamp/divulgacao/2007/08/04/ex-aluno-da-fea-conquista-premio-bunge-juventude

http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/bunge/patrocinador_253953.shtml?func=1&pag=1&fnt=10pt

(*) Agradecimento ao colaborador: Jailson Vital

quinta-feira, 8 de março de 2012

Senhoritas da Sociedade de Custódia (1938)



Folheando o álbum de fotografias de minha mãe verifiquei que uma foto definia bem a juventude feminina de Custódia em determinado tempo (1938). Na foto estão minha mãe, Jandira Farias, então com 20 anos, suas duas outras irmãs Alzira e Ozanira, ambas mais jovens que minha mãe e ambas infelizmente já falecidas, e outras amigas. 

Pedi a minha mãe se era possível ela identificar as amigas. Ela conseguiu identificar algumas apenas pelo primeiro nome, não se recordando dos sobrenomes ou de qual família eram e não se recordando nem do nome de outras. Minha mãe, hoje com quase 93 anos, tem sérios problemas de memória e também para todos nós, quando a convivência se acaba é natural que acabemos nos esquecendo daquelas pessoas que não foram tão presentes na nossa intimidade. 

Segue anexo a foto e aqui estão os nomes das senhoritas que representavam a "fina flor" da sociedade Custodiense na época, 1938. As que minha mãe não lembrou o nome colocarei uma "?".


Em pé: 1- "?" - 2-Jandira Farias - 3- Renilde - 4- "?" - 5- Rosa Góes - 6-Iracy - 7- Auta.
Sentadas: 1- "?" - 2- Nazaré - 3- Alzira Farias - 4-Joanita - 5- Ozanira Farias - 6- Antônia (filha de sêo Duda do banheiro).

Ainda :Marieta Severo, Dulcilia Florencio, Neuza Gonçaves, Neide Campos, Don Don Pires, Anunciada Cota, Eliza Beltrão...(quem souber a posição delas na foto, nos informar.)
Creio que seria interessante publicar a foto no blog e talvez receber mensagens de alguém que identificasse as que minha mãe não conseguiu.

Abraços

Jailson Vital

sábado, 26 de novembro de 2011

Boêmios de Custódia (1960)


Boêmios de Custódia, dos anos 60. Vale avisar que os violões eram apenas para compor a foto, pois ninguém dessa turma tocava instrumento nenhum. Mas tinha serenata sim senhor. Para quem, é segredo.

Da esquerda para a direita: Hermes Leandro, Herbert Marinho, João Bosco Epaminondas, Sílvio Carneiro, Antônio Medeiros (Totonho), Jailson Vital e João Elizeu.

Jailson Vital
26.11.2011

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Os medos de cada um



Por Jailson Vital de Souza
Jalvital@gmail.com

Alma do outro mundo, alma penada; eu morria de medo. Ainda muito criança fui morar na Rua da Várzea. A casa tinha um quintal comprido, cercado por uma cerca de varas a pique. Atrás tinha um caminho que passava por trás de todos os quintais daquele lado da rua e mais adiante levava às ruínas do “cemitério velho”, como o chamávamos.

Essa proximidade da nossa casa com a porta do além me apavorava, principalmente nas noites em que vítima de um ataque de asma não podia dormir. As luzes se apagavam às 10 horas da noite e a fraca luz do candeeiro a querosene com sua luz bruxuleante dava movimento em alguma roupa dependurada na parede, aumentando a minha vigília. A minha mente enfraquecida pela doença e pelo sono, dava forma sobrenatural àquela roupa.

Vencido pelo cansaço eu conseguia adormecer, mas logo vinham os pesadelos. Personagens horrendos assemelhados à figura representativa do diabo que, eu tinha visto em algum livro vinham me atacar no quintal. No sonho o pavor era imenso diante daquela figura medonha e apesar dos meus gritos não aparecia ninguém para me salvar. Mas a mente fabulosa das crianças também cria os meios para escapar.

Então, não havendo saída eu dava um salto e começava a voar escapando do perigo de ser levado pelo diabo que, nos meus sonhos não voava. Esse pesadelo se repetiu algumas vezes, mas eu escapava sempre do mesmo jeito: voando. Tanto voei que terminei gostando e passei a usar dessa faculdade para me divertir. Voava por prazer e quando queria. Isso durou até a minha maturidade. E o diabo dos pesadelos? Deve ter ido para o diabo que o carregue, pois nunca mais atanazou os meus sonhos.

Cada época traz consigo os seus medos. Os de hoje, bem conhecidos, não incluem mais medo de alma penada ou do diabo, talvez. Os medos de hoje são mais bem reais e certamente e infelizmente mais danosos física e mentalmente. Os medos de antigamente eram transmitidos por nossos colegas quando contavam “acontecidos” fantásticos ou por nossos pais com o intuito de controlar melhor os filhos ou até porque acreditavam neles também.

O medo do diabo, como descrevi, era passado pelo padre, do púlpito, no sermão ou nas aulas de catecismo. A figura do demo era usada para inibir as crianças e adultos, no seu modo de agir, pois a lista de pecados era muito extensa e o diabo estava sempre a espera que alguém transgredisse as regras do bom comportamento.

Medo de Deus. Medo de Deus? Sim, isso mesmo. Do mesmo modo como a figura do diabo era usada, a figura pregada de Deus também. Deus era aquele que tudo via e estava sempre pronto a castigar quem saía da linha. Deus era uma espécie de “big brother”, o grande irmão do “romance” 1984 de George Orwell e chegava a ser representado em algumas gravuras por um grande e único olho. Esse conceito foi modificado pela Igreja que, prega hoje, Deus como o Pai amantíssimo e misericordioso.

Medo do pai. Hoje acredito que, poucas crianças têm medo do pai; o que não acontecia antigamente. Naquela época, a 40, 50 anos atrás o conceito de autoridade mandava que a obediência paterna e a disciplina devessem ser exercidas através de chicotadas e puxões de orelhas. O pai era temido e talvez também amado, mas esse segundo sentimento ficava bem oculto, pois era interpretado como uma fraqueza.

Medo de papangu. A figura medonha do papangu colocava qualquer criança em desespero. Quando pequeno, durante o carnaval, para ir da minha casa para a casa da minha avó era uma aventura. Eu fazia o trajeto por partes, correndo entre os pontos de parada seguros, vigiando se não aparecia algum papangu. Os rapazes que se trajavam de papangu vestiam geralmente perneiras e gibão e colocavam uma máscara tapando todo o rosto para não serem reconhecidos.

Outros envolviam o corpo em sacos de estopa, penduravam chocalhos na cintura que faziam um barulho disrítmico quando eles andavam ou corriam e usavam igualmente a máscara. Não podia faltar na mão um chicote que tinha uma ponteira, a qual produzia um estalido alto quando o chicote era brandido. A associação da vestimenta com o chicote apavorava até alguns adultos. Esses rapazes assim trajados saiam durante todo o carnaval, pedindo dinheiro e pregando susto.

Tormento, para mim, era quando morria alguém em Custódia. Eu não tinha coragem de ver defunto, pois isso estava associado ao medo de alma penada. Se fosse somente isso, tudo bem. Era só não ir lá vê-lo. Mas havia um costume, na época, de anunciar o óbito na difusora Duas Américas. E aí a coisa se complicava, porque esse anúncio era elevado à potência do absurdo.

Desde a hora do falecimento até a hora do sepultamento, toda a população era bombardeada com o anúncio e convite para esse “ato de piedade cristã” como anunciava a locutora, entremeada seguidamente, sem descanso, com a Ave Maria de Gounod, cantada por um tenor de voz grave, que mais parecia um lamento saído das profundezas. E não havia como fugir desse tormento, pois a Duas Américas tinha alto-falantes em toda a cidade. O jeito era esperar que o finado fosse finalmente sepultado.

Os leitores desta, conforme as suas idades irão alguns, identificarem alguma semelhança ou nenhuma. Como eu disse antes, são sinais do tempo. Cada tempo nos assusta de modo diferente. O importante é adquirirmos o conhecimento para que sejamos capazes de identificar os medos reais e possamos criar nossas defesas, e os medos criados pela nossa mente para que deles possamos nos tratar.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Manzualto! Camonebói



Por Jailson Vital de Souza

Era mágico. Eu entrava na casa de Fernando de Laura (Florêncio) sem pedir licença, me dirigia para a pilha de revistas de história em quadrinhos (HQ) que chamávamos gibís e fascinado com tanta diversidade escolhia a que queria ler ou reler e ler mais quantas vezes a revista me convidasse. Era fascinante incorporar os personagens heróis defensores da lei e da ordem. As revistas ainda eram impressas em tinta preta, mas meus olhos de menino davam colorido, davam movimento e davam som a cada quadrinho. 

Eu realmente vivenciava cada história. Os heróis eram diversos. Haviam os cowboys, os meus preferidos, cujo cenário era o velho oeste americano e nomes como Billy The Kid, Cavaleiro Negro, Tom Mix, Zorro, Hopalong Cassidy, Roy Rogers, Rocky Lane, Flecha Ligeira e muitos outros. Na Selva estavam lá atentos, Tarzan, O Fantasma e Jim das Selvas. Na cidade os heróis voadores Super Homem, Capitão Márvel, Capitão América e Centelha Vermelha além da dupla Batman e Robin. Nos mares, o Homem Submarino, no espaço planetário, Flash Gordon e Buck Rogers. Enfim, o mundo naquela época estava protegido dos malfeitores em todos os seus ambientes por esses personagens maravilhosos. 

Hoje, lembro de uma característica interessante. Nunca um herói matou um bandido. No máximo, um tiro era disparado na mão do facínora para derrubar-lhe a arma, estes eram dominados, presos e entregues ao xerife ou outra autoridade policial. Os autores tinham o cuidado de não estimular a violência. Muitos anos depois, com o advento das HQ de lutas marciais é que a violência começou a ser mostrada em suas histórias.

Depois veio o cinema. Zé de Isaías montou uma sala de exibição num prédio que ficava de frente para a Praça Padre Leão, próximo onde hoje é a Câmara Municipal e era a primeira sede ou veio a ser depois, do CLRC (Clube Lítero Recreativo de Custódia). O projetor era de 16 mm e a sessão precisava ser interrompida para trocar os rolos de filme. Tinha sessão apenas nos fins de semana. Foi nesse cinema que assisti: O Homem da Máscara de Ferro, O Conde de Monte Cristo e Os Sinos de Santa Maria, todos em preto e branco, pois o filme colorido ainda era raro. Mas o que mais atraía a meninada e mesmo os adultos eram os seriados. 

Eram filmes curtos de mais ou menos meia hora, semelhantes à novela de hoje, com uma diferença; o “mocinho ou a mocinha” terminava cada capítulo em perigo de vida. Passava sempre depois da exibição do filme semanal. A meninada ficava imaginando e discutindo, o resto da semana, o modo como eles sairiam daquela enrascada. Assim, ninguém perdia o próximo capítulo. O seriado que ficou na minha lembrança foi “Os Perigos de Nyoka”. 

O casal Nyoka e seu companheiro Larry eram os artistas. Todo capítulo essa mocinha caia numa armadilha montada pelos bandidos, era ameaçada por um leão ou uma cobra, despencava de uma cachoeira, era ameaçada por índios e muitas outras situações. Nós, meninos ficávamos apreensivos, torcendo pela nossa heroína.Algum tempo depois, esse cinema passou a ser propriedade de Inácio Germano, onde Osminda Carneiro era a bilheteira.As nossas brincadeiras, na época, incluíam a reedição dos filmes de faroeste com uns sendo os “artistas” e outros os bandidos. 

Brincávamos principalmente na Praça Ernesto Queiroz e em volta da igreja. As armas eram feitas de madeira ou simplesmente imitadas com a mão estendendo dois dedos. Quando algum menino surpreendia outro vinha a ordem de rendição: “manzualto”! Isto é, mãos ao alto. Dizendo assim ficava mais claro, pois a pronúncia MÃOS-AU-AU-TO ficava parecendo um latido. No final com todo mundo rendido fazia-se a conta de quem venceu. Geralmente todos. E para irmos embora vinha a ordem imitando os cowboys: 

“Camonebói”! (Come on boys) – Vamos rapazes.

Pois é. Vamos rapazes, vamos para Pasárgada, ainda dá tempo.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Nova Biblioteca - A hora é agora




Por Jailson Vital de Souza 
jalvital@gmail.com
Vitória-ES, 02/05/2011


Há algum tempo que, sempre que vou a Pernambuco passo pelo menos um final de semana em Custódia. A cada visita me surpreendo com algo novo. O crescimento demográfico urbano é impressionante. O cemitério que nos meus tempos de infância ficava bem afastado da periferia da cidade, hoje, encontra-se a bem dizer circundado com as construções de casas que estão sendo feitas nos loteamentos ao seu redor. O movimento do comércio e a diversidade de serviços, cresceu muito com o aumento da capacidade de compra da população, alavancada principalmente pela quantidade de empregos ofertados pelas obras do governo federal em andamento.

No entanto, há algo que está imutável através dos tempos e posso dizer sem erro, desde os meus tempos de estudante, e bote tempo nisso. Imutável não! Em decadência contínua! Trata-se da biblioteca municipal. Localizada ao lado da casa da minha tia, eu não poderia deixar de ver o descaso com que essa instituição foi e é tratada governo após governo. Abre diariamente e sempre teve uma funcionária sempre presente, não se sabe para que, pois os livros que ainda restam estão misturados nas prateleiras sem qualquer critério de arrumação ou catalogação, mesmo porque a funcionária não foi treinada para isso. Parece que nenhum prefeito olhou para a biblioteca como um órgão importantíssimo na complementação da educação recebida pelos nossos jovens na escola. 

Em uma sociedade carente como foi e hoje se esforça para sair dessa carência econômica como a de Custódia, seria na biblioteca, onde a juventude, principalmente, poderia procurar as informações complementares às que recebe nas salas de aula e onde o professor iria procurar aprimoramento aos seus conhecimentos além de aumento a sua capacidade intelectual. O preço do livro desestimula a sua compra, cabe ao poder público prover esse benefício à população. 

Tenho notado a vontade da juventude de formar grupos para a realização de eventos culturais como o grupo de danças Luar do Sertão, formado por jovens que se esforçam nessa tarefa com seus próprios recursos financeiros e conhecimentos literários, além da formação de jovens na arte de representar, iniciativa louvável do ator Humberto Guerra e anteriores tentativas de formação de grupos teatrais.. Mas é necessário que esses jovens encontrem fontes de pesquisas para se aprimorarem nas suas artes ou ficarão na mesmice. 

O livro é um portal mágico que transporta quem o lê para distâncias inimagináveis e tempos vetustos ou futuros. É lendo livros que podemos sair dos nossos limites físicos e viajar através das palavras e imagens para, por exemplo, Paris; entrar no museu do Louvre e conhecer as obras dos grandes mestres da pintura universal, ir a Atenas até a Acrópole conhecer a arte da arquitetura grega, mergulhar nas teorias do princípio do universo e da raça humana, tomar ciência do que estamos fazendo com o nosso habitat, a terra, e dos possíveis destinos que nos aguardam, conforme nossas atitudes.

É conhecendo a nossa história que evitamos que os erros cometidos se repitam. Lendo, nos abstraímos e incorporamos os personagens de um romance e nos deliciamos e sofremos com suas aventuras, enquanto percebemos o estilo que o escritor usa para tecer a trama. É nos livros que aprendemos novas palavras, novos conceitos, refinamos nosso poder de avaliação, mudamos ou reafirmamos nossas opiniões com maior sabedoria, escolhemos melhor nossa comida, nossa bebida, nosso lazer, as músicas que ouvimos; as nossas companhias, tomamos conhecimento dos nossos direitos de cidadão e podemos avaliar melhor os candidatos que pretendem nos governar. 

Custódia está passando por um momento excepcional, mas não nos enganemos que seja o suficiente. A atividade econômica pode continuar crescendo ou arrefecer quando faltar o pleno emprego, conforme as ações dos administradores públicos e dos empresários, mas o investimento que sustentará a capacidade de crescimento econômico, social e cultural é sem dúvida nenhuma o investimento na educação. A construção de um novo prédio para a biblioteca; mais amplo, com capacidade de abrigar um acervo importante, a instalação de computadores para gerenciar o acervo e prover acesso à internet, dirigidos à consulta e estudos, o emprego de um(a) bibliotecário(a) ou pessoa capaz de fazer indicações e devidamente treinada nos assuntos de gerência de uma biblioteca, a atuação da Prefeitura junto ao Ministério e Secretarias Estaduais da Educação e Cultura, campanha de doação de livros novos e usados pela população e empresas, torna-se nesse momento essencial e inteligente. 

A professora Zilda Simões está precisando de uma casa digna. Os professores terão papel de importância primordial no funcionamento da biblioteca. Na divulgação, incentivo à leitura, indicação, uso e interpretação de textos na sala de aula. 

Caros conterrâneos custodienses: o cavalo da oportunidade está passando na nossa porta selado e encilhado. Montemos agora, pois se deixarmos para depois, talvez só vejamos a poeira deixada pelos seus cascos. 

(*) Todo e qualquer texto publicado não reflete necessariamente a opinião deste blog. São matérias publicadas que refletem apenas a opinião do autor.

sábado, 7 de maio de 2011

O Eclipse




Por Jailson Vital de Souza

Nos dias de hoje a crendice em fantasma, alma penada, lobisomem, vampiro etc., está desmoralizada. Os filmes de terror que antigamente nos assustavam tanto e nos deixavam sem dormir, hoje são comédias e os personagens embora de aparência aterrorizadora e executando ações macabras, só provocam gargalhadas dos jovens espectadores. No entanto uma parcela grande da população, principalmente aquela menos culta, ainda acredita que fenômenos naturais como enchentes, secas prolongadas, grandes incêndios e eclipses são castigos de Deus ou sinais do fim do mundo. Imaginem essa situação no início da década de 60. Ou melhor, imaginem o anúncio em Custódia de um eclipse total, naquela época. Pois eu lhes conto. 
O anúncio do eclipse (da lua, acredito) trouxe inquietação a grande parte dos moradores e começou a correrem os boatos dos malefícios trazidos por esse acontecimento, como doenças, pestes e mortes. Mas corria também para alívio dos desesperados a receita do antídoto para tudo isso. À semelhança dos castigos de Deus ao faraó e seu povo no episódio bíblico das 7 pragas do Egito (Êxodo), onde a salvação para os israelitas seria pintar as ombreiras da sua porta com o sangue de cordeiro (pois Deus veria esse sinal e seu castigo não entraria naquela casa), a salvação para aqueles custodienses na ocasião do eclipse seria colocar um ramo de arruda em um vidro e pendurá-lo na porta de entrada da casa. 
Alguns estudantes, eu entre eles, achávamos aquilo tudo um absurdo e tentávamos explicar a algumas pessoas que o eclipse se tratava de um fenômeno natural causado pelo alinhamento do sol, da terra e da lua, mas éramos vozes vencidas. Éramos pouquíssimos em relação aos que criam que o ramo de arruda era a barreira contra o mal iminente. Não nos conformávamos vendo que quase todas as casas tinham um vidrinho com um ramo de arruda pendurado na porta. 
Então, “bolamos” um modo de demonstrar esse absurdo. Naquela noite, quando aconteceria o eclipse, já altas horas, quando todos dormiam, saímos no jeep de um de nós e cuidadosamente fomos recolhendo os vidrinhos e colocando no jeep. Ao final da “coleta” fomos para a praça em frente à igreja e lá, em uma construção circular de paralelepípedo construída talvez com o intuito de futuramente ser colocada uma estátua, fomos depositando os vidros. 
No dia seguinte ao acordarmos fomos para a praça ver a reação dos que paravam para ver aquilo sem entender o que significava nem como todos aqueles vidros tinham ido parar ali. Havíamos finalmente demonstrado que, mesmo sem a arruda estavam todos sãos e salvos.

 
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