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terça-feira, 24 de abril de 2012

Aluna vencedora de intercâmbio participa de programa em Rádio


A aluna do EREM José Pereira Burgos, vencedora do primeiro intercâmbio do Programa Ganhe o Mundo do Governo de Pernambuco, Allana Maria Rosendo Maia, esteve juntamente com seu genitor, Allan Maia, nos estúdios da Rádio Panorama FM no último sábado (dia 21).

Allana foi entrevista pelo Programa Espaço Aberto, por Fernando Brinaldo (transmitido todos os sábados, a partir das 11h, pela Rádio Panorama FM - http://www.panoramafmcustodia.com.br/). 

Durante o programa, a ex-aluna do próprio Fernando (ministrou aula no mesmo projeto no começo da parceria do EREM com a Microlins), falou aos ouvintes do programa, como foi receber o prêmio para um intercambio de 6 meses nos Estados Unidos.

Mais uma vez, parabéns a Allana. Desejamos muito sucesso não só neste intercâmbio, como também em sua futura vida profissional.

Cem anos de luta, cem anos do Dia Internacional da Mulher




Por toda parte do Brasil no dia 8 de março houve uma movimentação em reconhecimento à luta que travamos ao longo desses 100 anos para demarcar nosso território e conquistar nosso papel na sociedade. Apesar de 100 anos ter se passado, a luta continua.

O Jornal Hoje noticiou, no centenário da comemoração do Dia Internacional da Mulher, um estudo dizendo que no trabalho rude da terra, as mulheres ainda são discriminadas, rejeitadas e esquecidas. A elas não são oferecidas as mesmas chances que são dadas aos homens. As mulheres no campo não são apenas mal pagas, mas também são aproveitadas em trabalhos temporários, as suas áreas de cultivo são menores e elas têm muito menos acesso aos insumos do que eles.

Em Serra Talhada as trabalhadoras rurais não tinham o direito nem de participar das reuniões nos sindicatos. Vanete foi contratada para assumir a coordenação da FETAPE – Federação dos Trabalhadores na Agricultura em Pernambuco, em 1980. Em reuniões com mais de 100 homens, as mulheres apesar de trabalhadoras rurais, eram ausentes. Então ela deu início a reuniões na intenção de organizar um movimento em prol das mulheres e conseguiu.

Nas primeiras reuniões, lembra Vanete, elas não falavam e ainda traziam nos seus nomes a dominação dos maridos ou pais. Assim se chamavam Leonor de Zé Madeiro, Inez de Liro, Júlia de Zé Marques, Alzira de João Tico, Dora de Antonio Novo, Adalgisa de Expedito Torres, Maria de Osmá, Zuza de Antonio Maceno, Luzinete de Zé Alejado, Nenzinha de Alcido e Ana de Zé Nequinho.

Durante as reuniões, Vanete percebeu que elas conviviam com inúmeros problemas e dificuldades, como o preconceito, como educar os filhos, de como enfrentar a violência doméstica. Então iniciou um trabalho de palestras tentando fortalecê-las para enfrentar as adversidades.

No decurso do tempo as mulheres se fortaleceram, o movimento cresceu e na década de 90 foram eleitas as primeiras diretoras de Sindicatos de Trabalhadores Rurais e inda em torno dos anos 90, se construiu a comissão municipal de Mulheres Trabalhadoras Rurais em Serra Talhada.

Esse movimento chegou até o Sertão central – que abrange de Custódia a Terra Nova – e atualmente se consolida numa rede de mulheres rurais que abrange a América Central e o Caribe, contando atualmente com 15 grupos de mulheres na base. É um avanço considerável para quem antes nem participava como associadas hoje na condição de liderança. Graças a Vanete Almeida. Uma mulher de visão. Seu trabalho com as mulheres ao longo desses 25 anos é reconhecido pelo mundo a fora. Vanete recebe homenagens, incentivo, convites e tudo a estimula a prosseguir pois, que venha mais cem anos.

Parabéns Vanete por sua determinação, parabéns a todas nós que travamos as nossas lutas intimas, pequenas por nosso reconhecimento no mundo ainda machista.

* Helena Conserva é escritora, poeta e jornalista.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Aluna do EREM José Pereira Burgos é aprovada no Programa Ganhe o Mundo


A Secretaria Estadual de Educação (SEE) divulgou terça-feira (17) o resultado do primeiro intercâmbio do Programa Ganhe o Mundo do Governo de PernambucoOs estudantes deverão embarcar entre agosto e setembro para passar aproximadamente um semestre nos Estados Unidos e Canadá estudando o idioma inglês. Eles foram avaliados com base nas notas de um curso de inglês oferecido pela secretaria. Os jovens terão as despesas pagas pelo governo e ficarão em casa de família. Fora isso, ainda vão receber bolsa de U$ 300.

A aluna Allana Maria Rosendo Maia, do EREM José Pereira Burgos de Custódia, foi aprovada no Programa Ganhe o Mundo. O professor Célio Lopes, atribuiu a aprovação de sua aluna, ao seu empenho nos testes classificatórios, eliminatórios oral e escrito. Além da aplicação dos exames, o professor revisou também as provas. Segundo o mesmo, a aluna é aplicada e curiosa, esse último adjetivo, ele acha crucial para a aprendizagem de idiomas. "O aluno tem que ter curiosidade em saber o que está escrito ao seu redor, o que fala a letra daquela música. Falando em música, a aluna é uma ótima cantora, possui uma linda voz, além de cantar super em inglês" frisou Célio Lopes.

O professor ainda lembra a importante contribuição, se não a principal da professora de inglês Elayne Oliveira, do EREM José Pereira Burgos. 

Célio é formado em Letras, com especialização em Língua Inglesa. Estuda inglês há 18 anos. É professor de Inglês na rede pública. Trabalha na Secretaria de Saúde do município há 14 anos, onde há 8 anos é Coordenador de Epidemiologia do Município. Cursa atualmente o Nível 07 intermediário de Língua Inglesa para Professores pela Englishtown, empresa mundial de cursos de inglês. No momento se prepara para a conclusão do curso com apresentação do projeto de redação nos Estados Unidos, em novembro.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Assembléia cria medalha ‘João Ferreira Lima Filho’


Escrito por Inaldo Sampaio – 19 de Agosto de 2009


Por resolução de sua mesa diretora, a Assembleia Legislativa de Pernambuco instituiu a medalha “João Ferreira Lima Filho” para homenagear os constituintes estaduais de 1989. A entrega foi realizada no dia 05 de outubro de 2009 quando a Constituição Estadual estará completando 20 anos de sua promulgação.

Serão agraciados com a comenda os seguintes constituintes estaduais:

1- João Ferreira Lima Filho – presidente da Constituinte Estadual (in memoriam)
2- Felipe Coelho (in memoriam)
3- Carlos Lapa
4- Humberto Barradas
5- Geraldo Barbosa
6- Gilvan Coriolano
7- Manoel Ferreira
8- Marcus Cunha – relator
9- Ademir Cunha
10- Adolfo José da Silva
11- Álvaro Ribeiro
12- Antonio Mariano
13- Argemiro Menezes
14- Arthur Correia (in memoriam)
15- Carlos Porto
16- Roberto Fontes
17- Clodoaldo Torres
18- Eduardo Araújo
19- Fausto Freitas
20- Fernando Pessoa
21- Cintra Galvão
22- Garibaldi Gurgel
23- Geraldo Pinho Alves Filho
24- Geraldo Coelho
25- Henrique Queiroz
26- Inaldo Lima
27- Ivo Amaral
28- João Lyra Filho (in memoriam)
29- João Coelho
30- Joel de Holanda
31- José Aglailson
32- José Liberato (in memoriam)
33- José Áureo Bradley
34- José Cardoso (in memoriam)
35- José Amorim
36- José Humberto Cavalcanti
37- Mendonça Filho
38- Luiz Epaminondas (Luizito) – (in memoriam)
39- Manoel Alves
40- Manoel Ramos
41- Manoel Luna
42- Marcantonio Dourado
43- Lúcia Heráclio
44- Maviael Cavalcanti
45- Murilo Paraíso (in memoriam)
46- Newton Carneiro
47- Osvaldo Rabelo (in memoriam)
48- Paulo Guerra Filho
49- Pedro Eurico
50- Ranilson Ramos
51- Roldão Joaquim
52- Almeida Filho
53- Severino Cavalcanti
54- Sérgio Guerra
55- Valdemar Ramos
56- Vanildo Ayres (in memoriam)
57- Vital Novaes.

João Ferreira Lima foi secretário de Saúde do primeiro governo Miguel Arraes (1963-1964) e presidente da Assembleia Legislativa.

Matéria enviado por Chico Elizeu

terça-feira, 10 de abril de 2012

Major Nunes se destaca no Pacto pela Vida



A 8ª CIPM da cidade de Pesqueira comemorando o fato da avaliação trimestral do programa Pacto Pela Vida aponta a Companhia em 2º lugar no estado em redução absoluta e 3º na redução relativa denotando o esforço que vem sendo empreendido por todos os policiais que compõem a 8ª CIPM e AIS-15. "Conseguimos uma expressiva redução nos índices de criminalidade na região de atuação da 8ª CIPM 58% nos CVLI, Crimes Violentos Letais e Intencionais e 13 % nos CVP Crimes Violentos Contra o Patrimônio conforme dados", disse o Major Nunes comandante da companhia de Pesqueira.

"Prezado amigo, estamos desempenhando com esmero e dignidade os serviços e missões que nos são confiados contribuindo para o atingimento das metas propostas pelo Pacto Pela Vida", completou.

Clenildo de Azevedo Nunes é custodiense, filho do casal Sr. Dega e Dona Milagres.

Fonte: Dárcio Rabelo (www.darciorabelo.com.br)

domingo, 1 de abril de 2012

Adauto Pereira de Souza - Comenda Luiz Epaminondas


Este é o meu avô materno Adauto Pereira de Souza (in memorian), nesse dia (26/05/2007), foi homenageado pela Câmara de Vereadores de Custódia, recebendo a COMENDA Luiz Epaminondas Nogueira de Barros, que foi instituída por Decreto Legislativo.

Meu avô foi prefeito nos anos de 1955/1957, essa condecoração recebida foi um reconhecimento pelos relevantes serviços prestados ao Município de Custódia. Um cidadão com senso de responsabilidade, de justiça e honestidade, uma influência importantíssima nas decisões partidárias locais.

Fico honrado de ter participado desse momento de muita alegria para ele, e para todos nós de sua enorme família.

Paulo Peterson

sábado, 31 de março de 2012

Humberto Guerra - Recebe Comenda da Câmara de Vereadores RJ (2009)




Texto publicado anteriormente no Blog dia 05/03/2009.

Caro Paulo,

Como você se encontra? Espero que esteja bem. Parabéns pelo site, sempre nos remete a memória dos momentos bons. Quem foi ou é morador de Custódia se sente atraído pelas informações históricas que você sempre nos passa. Conquistei a medalha Pedro Ernesto pela atuação na novela Duas Caras e pela atuação que desempenho através dos projetos sociais na Comunidade de Rio das Pedras/RJ, que é uma área carente de cultura.

A Medalha de Mérito Pedro Ernesto é a mais importante comenda do município do Rio de Janeiro, entregue pela Câmara Municipal à aqueles que mais se destacam na comunidade brasileira. Foi criada em 1980, em homenagem ao médico pernambucano Pedro Ernesto Batista (1884-1942), que iniciou sua trajetória política nos primeiros anos da década de 1920, quando tomou parte dos movimentos de oposição ao Governo Federal levados a cabo pela jovem oficialidade revolucionária do Exército.

Portanto seria legal divulgar essa conquista, se tiver a oportunidade. Segue em anexo as fotos dessa conquista que ocorreu na Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro. Em uma foto estou sozinho, na outra estou junto com Ivan Martins, que foi responsável pela minha formação artística, na outra estou com o vereador Nadinho de Rios das Pedras, como é conhecido, sua esposa, eu, e o maqueador Maxuel da Rede Globo, que também foi premiado, e a vereadora Carminha Jerominho.

Um grande abraço.

Humberto Guerra



sexta-feira, 16 de março de 2012

Projeto São Francisco promove ciranda de mulheres


Uma homenagem às sertanejas que compartilham histórias de força e obstinação

Por Raquel Santos

Custódia (PE) – Centenas de mulheres morreram em 1857 enquanto trabalhavam em uma fábrica nos Estados Unidos. A reação das companheiras operárias foi imediata, reuniram em greve exigindo melhores condições de trabalho. Três séculos depois as reivindicações não mudaram tanto, mas algumas situações estão bem melhores. No Dia Internacional da Mulher – 8 de março, o Projeto de Integração do rio São Francisco com Bacias Hidrográficas do Nordeste Setentrional (PISF) quis conhecer outras histórias de lutas, só que de mulheres que cresceram no sertão de Pernambuco e como as estadunidenses trabalharam muito para conquistarem seus sonhos.

“Eu sou índia Pankararu e moro em Custódia há 19 anos. Minha mãe cuidou da educação de nove filhos. Ela nunca nos mandou ir à escola, mas sempre tinha um livro e o dinheiro reservado do ônibus. Ela sempre deu um apoio silencioso porque ela sabia que era pela educação que iria acontecer uma diferença. E realmente aconteceu! Hoje eu sou professora e ensino outras pessoas”, descreve Maria Elizabethe de Oliveira Carneiro. Ao todo 33 moradoras do município de Custódia e comunidades da zona rural participaram na última quinta-feira (8) da Ciranda de Mulheres do Projeto São Francisco no Centro de Referência de Comunicação Social (CRCS) do PISF. O encontro teve como objetivo tecer uma roda de conversas costurada pela linha de vida deste grupo de mulheres.





 Entre tantos depoimentos emocionados, as sertanejas puderam conhecer ainda mais a história de cada uma delas. Muitas delas são amigas ou já tinham visto umas as outras, mas tiveram a oportunidade de falarem e escutarem passagens de vida que às vezes estiveram adormecidas. “Vim da agricultura, batalhei e me formei. Trabalhei em roça para sobreviver, tenho quatro filhos e o que eu desejei, hoje eu consegui. Enquanto eu estudava para me formar em professora, eu levava R$ 1 real para comprar um prato de sopa e não passar fome. Lecionei durante nove anos, hoje me dedico ao comércio e continuo trabalhando muito para realizar meus sonhos”, relatou a comerciante de Custódia, Gisocleide Araújo.

O Projeto São Francisco parabeniza todas as mulheres que estão pelo mundo construindo sociedades mais fortes, sem perder a ternura como o exemplo a ser seguido de Hilda Maria Resende. “Minha história é de vitórias. Eu nasci em sítio Brabo Novo, sou adotada e tenho orgulho da minha família ter me criado. Sou auxiliar de serviços gerais, casada e mãe de dois filhos formados. Amo trabalhar com o povo, sou política e presidente de uma associação e de uma cooperativa. Não sou política por causa do dinheiro, porque para isso já recebo meu salário. Eu sou política porque gosto de ajudar o próximo. Ser mulher é a coisa mais especial da vida porque só por ser assim eu cheguei onde estou”, finalizou.   

quarta-feira, 14 de março de 2012

Fernando Florêncio recebe prêmio


O custodiense Fernando Florêncio foi laureado com um certificado LITTERARE EX CATHEDRA, prêmio  ALLe - Reconhecimento Literário, pela indicação a Academia Limeirense de Letras, do seu livro FOI ASSIM. A indicação foi feita por Francisco Alves, outro custodiense (radicado em Limeira-SP), membro da Câmara Brasileira de Cultura em São Paulo.  

Filho de Custodiense conquista prêmio


O engenheiro de alimentos Daniel Ibraim Pires Atala, 33 anos conquistou o Prêmio Bunge Juventude 2007, ele é autor da tese de doutorado “Processo Contínuo Extrativo a Vácuo para Produção de Etanol“, que resultou num sistema que permite triplicar a produtividade em dornas de fermentação alcoólica, a partir de melaço de cana-de-açúcar para destilação do etanol.

Inovador, o sistema oferece importante redução de custos no processo industrial. Sua pesquisa premiada foi conduzida nos laboratórios da Unicamp, é sobre o desenvolvimento do etanol que, propiciará grande economia para o país e diminuição da poluição do meio ambiente.

Daniel é filho da custodiense Elzira Pires ou Elzirinha como era chamada, filha do farmacêutico Elpídio Pires e Alzira Farias e neta de Samuel Carneiro e Prezalina Goés.

Mais detalhes sobre a premiação, visitando:

http://www.unicamp.br/unicamp/divulgacao/2007/08/04/ex-aluno-da-fea-conquista-premio-bunge-juventude

http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/bunge/patrocinador_253953.shtml?func=1&pag=1&fnt=10pt

(*) Agradecimento ao colaborador: Jailson Vital

segunda-feira, 12 de março de 2012

Dona Hilda - Mulher de Fibra 2012


Custódia hoje viveu uma noite memorável, foi concedido o prêmio Mulher de Fibra 2012, ideia espetacular do secretário de Ação Social e Cidadania Nadilson Santos, a uma sertaneja, de fibra, de fé e de força imensuráveis. Dona Hilda do Sitio Brabo, é um verdadeiro exemplo de vida, uma figura admirável, tem a fineza (como se diz aqui no meu querido sertão) que poucas pessoas têm. Muito merecido e agradeço a Deus por ter presenciado um momento tão nobre.  (Carla Frazão)

Dona Hilda é a mulher que emocionou o presidente Luiz Inácio "Lula" da Silva, quando esteve em Brasilia, durante III Seminário Nacional do Programa de Aquisição de Alimentos, em 25 de Novembro de 2010. Seu depoimento arrancou lágrimas de milhares de pessoas, inclusive o até então presidente Lula. 

Quem ainda não assistiu seu depoimento em DF, pode conferir novamente abaixo:

quinta-feira, 8 de março de 2012

Sevy Gomes - Mulher que mudou a história de PE



O jornalista Carlos Cavalcante resolveu através do livro “Mulheres que mudaram a história de Pernambuco” homenagear personalidades que se destacaram em diferentes áreas desde a política, educação, sindicalismo, economia, jornalismo, música, cultura popular, teatro, cinema, antropologia e ONGs.

Para nosso orgulho, a custodiense Sevy Gomes de Oliveira foi uma das homenageadas, com um relato sobre sua trajetória de vida, como pela educação, como exemplo de bravura e experiência.

Breve estaremos disponibilizando o conteúdo publicado no IV volume do livro “MULHERES QUE MUDARAM A HISTÓRIA DE PERNAMBUCO“.

Maria Vanete - Destaque na Época Negócios


A rede das mulheres esquecidas


Escrevendo cartas, Maria Vanete Almeida criou, a partir do sertão de Pernambuco, um grupo que reúne milhares de trabalhadoras rurais da América Latina e do Caribe

Por Época Negócios

A pernambucana Maria Vanete Almeida, de 65 anos, tem um talento especial para reunir mulheres em torno de uma causa. Fez isso pela primeira vez nos anos 80, como assessora da Federação de Trabalhadores de Pernambuco. Naquele tempo, Vanete - que trabalhou a maior parte de sua vida vendendo bordados ou como secretária numa escola em uma pequena comunidade próxima a Serra Talhada, a 400 quilômetros de Recife - ficava incomodada com a ausência de trabalhadoras na federação. Para reverter esse quadro, resolveu visitá-las em suas casas, numa época em que essas mulheres mal atravessavam o espaço da cozinha. Levava informação, música ou uma história para contar. As trabalhadoras, por sua vez, falavam de suas rotinas e problemas.


Como as reuniões atraíam apenas duas ou três mulheres, Vanete logo encontrou um meio de incentivá-las. Enquanto percorria a pé comunidades rurais da região, usava sua participação como locutora do programa de rádio A Voz do Sertão para divulgar as visitas. "Eu falava o nome das mulheres na rádio e informava que a reunião tinha sido um enorme sucesso", afirma Vanete.



MOBILIZADORA: Vanete em visita à África, em 2007: a fundadora da Rede LAC promove a troca de experiências com trabalhadoras rurais de outros países.


Na década seguinte, ela criou uma rede ainda maior, que ultrapassou as fronteiras do país. Em 1990, quando participava de um encontro entre empresárias, profissionais liberais e lideranças sociais feministas na Argentina, Vanete estranhou o silêncio das mulheres rurais no debate que reunia 3 mil pessoas. Saiu pelos corredores e pelo restaurante do evento pregando cartazes que diziam: "Mulheres rurais e quem trabalha com mulheres rurais: vamos nos reunir", com uma proposta de local para o encontro. Timidamente, foram aparecendo trabalhadoras rurais da Bolívia, do Chile, de Honduras, da Nicarágua. Num lugar improvisado, sentadas em círculo no chão, elas começaram a descrever a realidade da mulher e do trabalho rural em seus países. Mesmo diante do esforço para compreender as diferenças de idioma e sotaque, concordaram em buscar um sonho: iniciar uma rede feminina de troca de experiências e informações que abrangesse todo o continente.

Vanete voltou ao Brasil com depoimentos gravados em fitas cassete, alguns documentos e anotações de histórias de vida. Com a ajuda de amigas que conheciam o idioma espanhol - ela, que estudou até a quinta série, ainda não havia aprendido a língua - conseguiu produzir a ata daquela inesperada reunião na Argentina. Fez cópias usando mimeógrafo e enviou, por correio, para cada colega em seu país. Para sua surpresa, todas responderam. Receber uma carta internacional era algo inédito na realidade daquelas mulheres. A partir da troca de correspondência, elas criaram a Rede de Mulheres Rurais da América Latina e Caribe, ou Rede LAC.

Hoje a Rede LAC é uma organização que representa 25 mil trabalhadoras de 23 países. São mulheres que, sem ter acesso a fax, telefone celular ou correio eletrônico, decidiram se unir para trocar experiências e estimular a capacidade de engajamento e a conquista dos direitos das trabalhadoras rurais em suas regiões. Com uma estrutura de comunicação frágil e poucos recursos, elas já fizeram dois grandes encontros internacionais. Trouxeram 230 mulheres ao Brasil e levaram outras 260 ao México. O próximo destino será o Equador, onde mais de 400 são esperadas. "A rede é uma poderosa plataforma internacional de escuta, articulação e amplificação das vozes das mulheres rurais", diz Neylar Lins, representante da Fundação Avina para o Nordeste do Brasil. Graças ao seu trabalho, Vanete integrou o 1000 Mulheres pela Paz ao Redor do Mundo, uma indicação coletiva ao prêmio Nobel da Paz de 2005. Foi indicada com outras 51 brasileiras - entre elas Zilda Arns, da Pastoral da Criança, a atriz Zezé Motta e a escritora Ana Maria Machado.

Nos primeiros anos da rede, Vanete usava emprestado o único fax de sua cidade, na loja de um revendedor de móveis, e, quando tinha alguma urgência, o telefone do dono da farmácia. Atualmente a Rede LAC tem uma secretaria própria, em Recife, que organiza as atividades com a ajuda de mais duas pessoas. Existe também uma coordenação internacional, da qual fazem parte membros da Argentina, Bolívia, Brasil, Equador, Peru e Uruguai. O apoio financeiro vem de organizações como Avina, Ação Mundo Solidário, Action Aid, The Global Fund for Women e Coordenadoria Ecumênica de Serviço. O principal recurso, contudo, sai do próprio bolso das participantes, que custeiam boa parte dos deslocamentos pelo continente. "Quando conseguimos apoio para uma passagem internacional, isso significa metade do caminho", diz Vanete. "O trecho entre a casa e o aeroporto mais próximo é, muitas vezes, a parte mais complicada para elas percorrerem." Muitas dessas mulheres jamais tiveram passaporte, roupa apropriada ou sequer uma mala para viajar.

VISIBILIDADE
Trabalhar com base na diversidade cultural e histórica de cada país é uma rotina árdua até para o mais experiente executivo de uma multinacional. Com as mulheres da Rede LAC não foi diferente. Na primeira reunião, que aconteceu em 1996, em Fortaleza, o estranhamento não demorou a aflorar. Já no início do encontro elas se olhavam desconfiadas. O que provaria que todas ali - negras, indígenas, caboclas, brancas ou mestiças, com diferentes costumes, dialetos, roupas e tradições religiosas - eram legítimas trabalhadoras rurais e campesinas? "Foi quando um grupo sugeriu mostrar uma parte do corpo: as mãos. Todas calejadas e com marcas da vida no campo", diz Vanete. A partir daí, os vínculos de confiança e respeito - ingredientes indispensáveis para animar qualquer rede colaborativa - não se romperam mais.

Apesar dos avanços na comunicação, as mulheres da Rede LAC convivem com os desafios de fazer suas mensagens atravessar as enormes distâncias geográficas que as separam e, principalmente, de dar visibilidade a uma temática ainda invisível nas agendas governamentais e no investimento social das empresas. Em 18 anos de trabalho, colecionam importantes conquistas. No Peru, um grupo de participantes organizou, em Tarapoto, a venda de vinhos, doces, geléias e pães que produziam. O sucesso da empreitada estimulou novos grupos femininos a fazer o mesmo em Bellavista, Cacatachi, Juanjui, Saposoa, Cuñumbuqui e San Antonio. Hoje, o que produzem representa a principal renda das mulheres nessa região do Peru. Experiências como essas também aconteceram na Argentina, no Equador, no Uruguai e na Bolívia. Nesses países, as trabalhadoras não somente conquistaram o direito de receber, pela colheita, o mesmo salário pago aos homens como também conseguiram organizar diversas atividades para ter outra fonte de renda.

Há casos em que a invisibilidade que sempre marcou as profissionais do campo cedeu lugar a trajetórias públicas. No Equador, Luz Maclovia Haro Guanga disputou uma vaga para a Assembléia Nacional Constituinte e, atualmente, integra um grupo parlamentar que elabora propostas sobre a visão de gênero na nova Constituição equatoriana. Na Bolívia, Silvia Lazarte Flores, uma indígena de 44 anos, é presidente da Assembléia Constituinte. Em diversos momentos, a Rede LAC também ajuda a romper barreiras em temas delicados. "Eu tinha medo de falar do meu povo, os Shipibos", diz Hilda Amasifuén, uma peruana de 41 anos. "Convivemos com muita violência familiar, somos discriminadas e reprimidas. Mas percebi que isso acontece em vários países." O contato com outras mulheres ajudou Hilda a superar sua timidez. Como coordenadora da Organização Regional de Desenvolvimento de Mulheres Indígenas, no Peru, ela comanda um programa de rádio em que tenta despertar a autovalorização das indígenas.

"No início, essas mulheres eram quase mudas, mal diziam o próprio nome", diz Vanete. "A única referência que tinham eram suas comunidades. Hoje, conhecem o continente." No Brasil, a articulação da Rede LAC ajudou a dar um caráter internacional à Marcha das Margaridas, o maior evento de mulheres rurais do país. Em 2003, a mobilização - que levou cerca de 30 mil mulheres do campo a marcharem em Brasília por direitos trabalhistas, contra a violência e pela segurança alimentar - teve pela primeira vez a participação de lideranças rurais do México, da Argentina e do Uruguai. Em 2007, a presença de mulheres estrangeiras praticamente dobrou, ampliando a visibilidade e repercussão da marcha no resto do continente.

Em maio deste ano, Vanete e suas colegas da Rede LAC comemoraram mais uma conquista. Em parceria com a Fundação Avina e o Museu da Pessoa, elas lançaram o livro Uma História muito Linda - Perpetuando a Rede LAC. A publicação, editada em espanhol e português, traz o relato de 22 lideranças da Argentina, Brasil, Costa Rica, Equador, Nicarágua, Peru e Uruguai. Algumas das entrevistas que compõem o livro foram conduzidas pelas próprias mulheres rurais. "Eu nunca tinha contado essa história nem dentro da minha família", diz Verônica Andréa Gómez Prestes, do Uruguai. Assim como a peruana Hilda, Verônica pisou pela primeira vez no Brasil somente para participar da noite de autógrafos do livro. Depois da festa, as duas voltaram para casa. Vanete seguiu para a Itália e já tinha passagem marcada para o Uruguai. "Preciso buscar recursos para realizar mais um encontro", disse. Antes de iniciar cada viagem, Vanete precisa percorrer dez horas de ônibus entre sua casa, em Serra Talhada, e o aeroporto internacional de Recife. Uma rotina que faz questão de manter. "Não posso perder o contato com a minha casa", diz. "É pelo campo que me conecto com o resto do mundo."


QUEM É VANETE ALMEIDA

IDADE>>> 65 anos Nasceu em Custódia, Pernambuco
VIVE EM>>> Santa Cruz da Baixa Verde, no mesmo estado
FAMÍLIA>>> Tem dois filhos adotados, Leonardo e Adenilda, e um neto, João Mateus
FORMAÇÃO>>> Concluiu a 5ª série
PROJETO>>> A Rede de Mulheres Rurais da América Latina e Caribe, criada por ela em 1990, hoje conta com 25 mil integrantes de 23 países
RECONHECIMENTO>>>Vanete integrou o 1000 Mulheres pela Paz ao Redor do Mundo, indicação coletiva ao prêmio Nobel da Paz de 2005
POR QUE ESCOLHEU TRABALHAR COM MULHERES RURAIS>>> "Elas são invisíveis, isoladas e dificilmente contempladas por políticas públicas".

LINK MATÉRIA: ÉPOCA NEGÓCIOS


Maria Vanete - "Guerreira da Paz"



O trabalho pioneiro que a pernambucana Vanete Almeida desenvolve há mais de 30 anos nos movimentos de trabalhadores rurais, e no Movimento de Mulheres Trabalhadoras Rurais no Sertão Central de Pernambuco, é reconhecido mundialmente. A prova é que a ativista ganhou o Prêmio Cláudia, em 2002, e foi selecionada para concorrer coletivamente com mil mulheres de 154 países ao Prêmio Nobel da Paz, em 2005.


A história da pernambucana que nasceu há 63 anos no sítio Cachoeira, no município de Custódia, pode ser conferida no livro Brasileiras Guerreiras da Paz, que tráz a biografia das 52 mulheres do País indicadas ao prêmio Nobel. Publicado pela Editora Contexto, com coordenação de Clara Charf, textos de Carla Rodrigues, Fernanda Pompeu e Patrícia Negrão, a obra foi lançada no Museu da Casa Brasileira, em São Paulo.

Vanete começou a atuar nos sindicatos dos trabalhadores rurais do Sertão Central na década de 80. Ao notar que não existia a participação feminina, ela partiu para a mobilização das mulheres do campo. “Aos poucos, elas começaram a aparecer em reuniões, duas, três, mas não falavam, tinha medo“, diz ela.

Da primeira reunião em dezembro de 1982, em Serra Talhada, realizada com mais de 10 mulheres, o movimento das trabalhadoras rurais se expandiu para as cidades vizinhas, para o Nordeste e para América Latina. Hoje o movimento liderado por Vanete, que também coordena a Rede de Mulheres Rurais da Amérca Latina e Caribe, articulando 25 países, reune mais de 100 grupos, com cerca de 400 mulheres, de 12 municípios pernambucanos.

Elas estão à frente de sindicatos, coordenam encontros e têm consciência e reivindicam direitos trabalhistas, saúde, educação, respeito ao corpo e conservação ambiental. “Nesses anos, sofri muito por ver um povo tão trabalhador muitas vezes não ter o que comer. Mas me alegro com o progresso das trabalhadoras rurais“, conclui Vanete.

Matéria originalmente publicada no Jornal de Serra, em maio de 2006, na página 15.

Sevy Gomes de Oliveira - Mulheres que mudaram a história de Pernambuco


Natural do Município de Custódia – Sertão do Moxotó, ali vivi uma infância de muito espaço, muitos folguedos, contato com a natureza e aconchego familiar. Conclui o curso primário aos 11 anos no Grupo Escolar General Joaquim Inácio. No Colégio Santa Dorotéia, em Pesqueira, as irmãs, abnegadas e competentes, souberam lidar com as inquietações e as fantasias de normalistas adolescentes, tornando-se cidadãs profissionais.

Volto à minha terra como profissional titular, e, aos 17 anos, fui designada para uma escola multisseriada em Samambaia – zona rural do Município. A inexperiência, as limitações do material didático, a falta de energia elétrica e transporte motorizado só nos finais de semana, num primeiro impulso, me fizeram pensar em renunciar.

O exemplo de bravura e a persistência das crianças vindas de sítios e de fazendas, a pé ou a cavalo, sob o sol forte ou sob chuvas, o seu afeto e carinho me sensibilizaram, e assumi a escola e as atividades da comunidade durante cinco anos.

Essa experiência, que me legou uma bagagem pedagógica e de vida, me fez administrar sem dificuldades o Grupo Escola João Guilherme, em Tacaimbó, no Agreste, e passar com destaque no Concurso de Supervisor Escolar de Professores Leigos, promovido pela Secretária de Educação, em Recife. Tal supervisão se desenvolveu dentro de um programa com excelentes resultados nas escolas municipais do Interior e da Região Metropolitana, que lamentavelmente foi suspenso com o afastamento do governador Miguel Arraes.


Lotada na Divisão de Contabilidade da Secretaria de Educação, participei do curso intensivo Orçamento e Administração Financeira, da Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro. A programação de visitas e passeis da disciplina Relações Pública me fez comprovar ser o Rio de Janeiro a Cidade Maravilhosa, que não se repete, pela exuberância de sua natureza, pela construção do homem e pela sua vocação turística.

De volta a Recife, prestei vestibular para o Curso de Pedagogia, com especialização em Supervisão Escolar, na Universidade Federal de Pernambuco – UFPE. Professora atuei em turmas com perfis sociais, econômicas e emocionais diferentes: alunos da zona rural e do Recife – Nova Descoberta, Colégio Israelita (particular) e Juizado de Menores. Foram vivências que exigiram uma dinâmica pedagógica diferenciada para lidar com um universo de atendimento tão distinto, ainda que criança.

Como técnica em assuntos educacionais, o tempo maior de serviço público, foi voltado para o Ensino Supletivo. Coordenei a equipe de Educação e Promoção Profissional do Adulto – DEPPA, sob a direção do Professor Josias de Albuquerque.

Com o advento da Lei de Diretrizes e Bases n° 1.692, de 11 de agosto de 1972. O Ministério de Educação e Cultura- MEC, cria o Departamento de Ensino Supletivo – DSU Nacional e nos Estados.

Com a reforma da estrutura técnica e administrativa da Secretária de Educação e Cultura – SEC, em 1974, durante gestão de dois secretários – Coronel Costa Cavalcanti e Dr. José Jorge, assumi a Divisão de Ensino Supletivo – DSU.



Com essa função, participei dos encontros de diretores dos DSU´s, em Brasilia, congressos dos Secretários de Educação, em diferentes Estados, e reuniões técnicas com representantes de outros países, patrocinada pela OEA, OIT e Ministério do Governo Brasileiro. Em todos esses eventos, a pauta social incluía jantares, passeios e festas de congratulações que estreitavam círculo de relações pessoais e profissionais.

Com a pretensão de ampliar experiências, submeti-me ao concurso interno da SUDENE/MINTER. Selecionada, integrei a equipe da Divisão de Treinamento do Departamento de Recursos Humanos, assessorando as Secretarias do Trabalho nos Estados do Nordeste, com visitas mensais.

Para essa atuação, participei do curso de Pós-Graduação em Planejamento e Desenvolvimento de Recursos Humanos, por meio de convênio celebrado entre a SUDENE e a Universidade Federal de Minas Gerais. Foi uma experiência de universidade aberta, com um curso a distância e em serviço, com avaliações prévias e posteriores para cada módulo de ensino, em Belo Horizonte, durante 18 meses.



Essas atividades de trabalho e de estudo foram entremeadas por viagens de férias em excursão a cidade brasileiras e passeios aos países da América do Sul e da Europa.

Revivi, com festas comemorativas, à altura das datas, as bodas de 50 e 60 anos dos meus pais, com a presença de quatro gerações, casamentos e conclusão de curso dos familiares.

Com a aposentadoria, voltam as imagens da “pátria da infância” – Custódia. Edito o primeiro livro autobiográfico, Caminhos do Afeto, com recursos próprios e lançamento em Brasília, Recife e Custódia, onde a renda foi revertida para a restauração da Matriz de São José, um belo templo construído pelo Padre Pedro Leão Verzeri, italiano, no ano de 1934.

Participei de reuniões do Centro de Estudo da História Municipal – CEHM, em Recife, organismo integrante da Agência CONDEPE/FIDEM, e centrada na afirmativa do poeta acadêmico Cyl Galindo de que “Um povo sem história é um povo se identidade… ”e de que o Brasil precisa coletar o registro histórico dos municípios e do seu povo”, decidi historiar o meu município.

O livro Custódia Relicário do Sertão tem a justificativa de homenagear os 80 anos de emancipação política do Município, divulgar de modo singular e específico a história e a força dessa gente sertaneja, despertar o senso de preservação nos jovens da sua própria história e propiciar o acervo particulares público de escolar, bibliotecas e instituições.

Do Sertão ao Litoral, passando pelo Agreste e pela Zona da Mata, vivenciei experiências com grupos diferenciados social e economicamente, cujo linguajar, costumes e anseios caracterizaram o regionalismo do meu Estado. Esses caminhos são minha história, onde fui me deixando e me construindo como individuo, como um ser coletivo e como profissional.

Texto extraído especialmente do livro “MULHERES que mudaram a história de Pernambuco” – IV Volume – Carlos Cavalcante.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Sevy Gomes - Mulher que mudou a história de Pernambuco


Natural do Município de Custódia – Sertão do Moxotó, ali vivi uma infância de muito espaço, muitos folguedos, contato com a natureza e aconchego familiar. Conclui o curso primário aos 11 anos no Grupo Escolar General Joaquim Inácio. No Colégio Santa Dorotéia, em Pesqueira, as irmãs, abnegadas e competentes, souberam lidar com as inquietações e as fantasias de normalistas adolescentes, tornando-se cidadãs profissionais.

Volto à minha terra como profissional titular, e, aos 17 anos, fui designada para uma escola multisseriada em Samambaia – zona rural do Município. A inexperiência, as limitações do material didático, a falta de energia elétrica e transporte motorizado só nos finais de semana, num primeiro impulso, me fizeram pensar em renunciar.

O exemplo de bravura e a persistência das crianças vindas de sítios e de fazendas, a pé ou a cavalo, sob o sol forte ou sob chuvas, o seu afeto e carinho me sensibilizaram, e assumi a escola e as atividades da comunidade durante cinco anos.


Essa experiência, que me legou uma bagagem pedagógica e de vida, me fez administrar sem dificuldades o Grupo Escola João Guilherme, em Tacaimbó, no Agreste, e passar com destaque no Concurso de Supervisor Escolar de Professores Leigos, promovido pela Secretária de Educação, em Recife. Tal supervisão se desenvolveu dentro de um programa com excelentes resultados nas escolas municipais do Interior e da Região Metropolitana, que lamentavelmente foi suspenso com o afastamento do governador Miguel Arraes.

Lotada na Divisão de Contabilidade da Secretaria de Educação, participei do curso intensivo Orçamento e Administração Financeira, da Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro. A programação de visitas e passeis da disciplina Relações Pública me fez comprovar ser o Rio de Janeiro a Cidade Maravilhosa, que não se repete, pela exuberância de sua natureza, pela construção do homem e pela sua vocação turística.

De volta a Recife, prestei vestibular para o Curso de Pedagogia, com especialização em Supervisão Escolar, na Universidade Federal de Pernambuco – UFPE. Professora atuei em turmas com perfis sociais, econômicas e emocionais diferentes: alunos da zona rural e do Recife – Nova Descoberta, Colégio Israelita (particular) e Juizado de Menores. Foram vivências que exigiram uma dinâmica pedagógica diferenciada para lidar com um universo de atendimento tão distinto, ainda que criança.

Como técnica em assuntos educacionais, o tempo maior de serviço público, foi voltado para o Ensino Supletivo. Coordenei a equipe de Educação e Promoção Profissional do Adulto – DEPPA, sob a direção do Professor Josias de Albuquerque.


Com o advento da Lei de Diretrizes e Bases n° 1.692, de 11 de agosto de 1972. O Ministério de Educação e Cultura- MEC, cria o Departamento de Ensino Supletivo – DSU Nacional e nos Estados.


Com a reforma da estrutura técnica e administrativa da Secretária de Educação e Cultura – SEC, em 1974, durante gestão de dois secretários – Coronel Costa Cavalcanti e Dr. José Jorge, assumi a Divisão de Ensino Supletivo – DSU.

Com essa função, participei dos encontros de diretores dos DSU´s, em Brasilia, congressos dos Secretários de Educação, em diferentes Estados, e reuniões técnicas com representantes de outros países, patrocinada pela OEA, OIT e Ministério do Governo Brasileiro. Em todos esses eventos, a pauta social incluía jantares, passeios e festas de congratulações que estreitavam círculo de relações pessoais e profissionais.

Com a pretensão de ampliar experiências, submeti-me ao concurso interno da SUDENE/MINTER. Selecionada, integrei a equipe da Divisão de Treinamento do Departamento de Recursos Humanos, assessorando as Secretarias do Trabalho nos Estados do Nordeste, com visitas mensais.


Para essa atuação, participei do curso de Pós-Graduação em Planejamento e Desenvolvimento de Recursos Humanos, por meio de convênio celebrado entre a SUDENE e a Universidade Federal de Minas Gerais. Foi uma experiência de universidade aberta, com um curso a distância e em serviço, com avaliações prévias e posteriores para cada módulo de ensino, em Belo Horizonte, durante 18 meses.


Essas atividades de trabalho e de estudo foram entremeadas por viagens de férias em excursão a cidade brasileiras e passeios aos países da América do Sul e da Europa.

Revivi, com festas comemorativas, à altura das datas, as bodas de 50 e 60 anos dos meus pais, com a presença de quatro gerações, casamentos e conclusão de curso dos familiares.

Com a aposentadoria, voltam as imagens da “pátria da infância” – Custódia. Edito o primeiro livro autobiográfico, Caminhos do Afeto, com recursos próprios e lançamento em Brasília, Recife e Custódia, onde a renda foi revertida para a restauração da Matriz de São José, um belo templo construído pelo Padre Pedro Leão Verzeri, italiano, no ano de 1934.

Participei de reuniões do Centro de Estudo da História Municipal – CEHM, em Recife, organismo integrante da Agência CONDEPE/FIDEM, e centrada na afirmativa do poeta acadêmico Cyl Galindo de que “Um povo sem história é um povo se identidade… ”e de que o Brasil precisa coletar o registro histórico dos municípios e do seu povo”, decidi historiar o meu município.

O livro Custódia Relicário do Sertão tem a justificativa de homenagear os 80 anos de emancipação política do Município, divulgar de modo singular e específico a história e a força dessa gente sertaneja, despertar o senso de preservação nos jovens da sua própria história e propiciar o acervo particulares público de escolar, bibliotecas e instituições.

Do Sertão ao Litoral, passando pelo Agreste e pela Zona da Mata, vivenciei experiências com grupos diferenciados social e economicamente, cujo linguajar, costumes e anseios caracterizaram o regionalismo do meu Estado. Esses caminhos são minha história, onde fui me deixando e me construindo como individuo, como um ser coletivo e como profissional.


Texto extraído especialmente do livro “MULHERES que mudaram a história de Pernambuco” – IV Volume – Carlos Cavalcante.

 
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