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terça-feira, 10 de abril de 2012

Maria Luzinete Patriota de Souza (Costureira)

Viviane, Thiago Mendonça e Neta
Viviane, Rômulo Estrela e Neta

O sucesso da peça O CRISTO DA PAIXÃO em Custódia em suas duas edições, recebeu como é sabido por todos críticas positivas. Os atores convidados e os locais tiveram seus destaques pelo desempenho em palco. Outras pessoas merecem ser destacadas, pois mesmo não aparecendo ao público, mostrou com seu trabalho, esforço e dedicação o quanto sua colaboração foi de grande importância para a realização da peça.

Uma dessas pessoas, se chama MARIA LUZINETE PATRIOTA DE SOUZA, conhecida como Neta. Nascida no dia 05/04/1953 em Sertânia. Filha de Isbelo Patriota de Souza e Elvira Rodrigues de Souza. Viveu toda a sua infância e metade da adolescência no povoado de Caroalina. Casou com 19 anos com Osvaldo Aleixo de Souza. Tem duas filhas: Veruska Ires de Souza e Viviane Iara de Souza

A costura era seu principal meio de vida, sempre gostou de costura, fez muitas amizades e clientela pela sua habilidade. Desde quando foi inaugurado a CASA DAS JUVENTUDES, foi convidado pela diretora Lenilza Pereira Lopes e por Luciara Frazão de Lima para auxiliar com seus serviços. Além da peça O CRISTO DA PAIXÃO, fez roupas para a QUADRILHA ESTILIZADA. Sua parceria vem dando certo e merece ser destacado. 

Por Paulo Peterson
Colaboração: Viviane Iara de Souza e Veruska Ires de Souza

quinta-feira, 29 de março de 2012

Sr. Chiquinho e Dona Pura


Sr. Francisco Queiroz do Amaral, popularmente conhecido como Chiquinho do bar, casado com Dona Purificação, apelidada carinhosamente de Dona Pura. Seu bar era localizado na rua Nemésio Rodrigues, durante um bom tempo, ponto de encontro de várias gerações custodienses. 

Foto: Daniela Rael

domingo, 25 de março de 2012

José Campos Moura (Zé Moura)

Filho Roberto e a viúva Baíca

Bairro da Pindoba. A inauguração ocorreu dia 04.02.2012, com uma justa homenagem ao inesquecível Zé Moura. 

José Campos Moura, conhecido como Zé Moura, nasceu no sítio Cangalha, município de Custódia, em 02/01/1929, filho do fazendeiro Antônio José de Moura e da dona de casa Sra. Severina Campos Moura.

Ainda muito jovem, no ano de 1953, aos 24 anos de idade, casou-se com a Sra. Maria Ivo Moura, conhecida como Baica, com quem teve 07 filhos, sendo 03 homens: Roberto, Romildo e Robélio e 04 mulheres: Rizelda, Rosângela, Roseane e Rosilene.

Iniciou na sua vida profissional como sapateiro na indústria de calçados de Sr. Duquinha, e, paralelamente exercia a função de locutor na Difusora de propriedade do Sr. Adamastor.

Finalmente abraçou a profissão de motorista da Unidade Mista Elizabeth Barbosa. A ele foi confiado a primeira ambulância do nosso Hospital, na gestão do então prefeito João Miro da Silva, onde permaneceu, de modo dedicado, prestando serviço a população de Custódia até o último dia de sua vida, quando envolveu-se em um acidente que o vitimou ao deslocar-se para a cidade de Serra Talhada transportando um paciente no dia 26/05/1990.

Fonte: Site Cristiano Custódia
URL: 
http://www.cristianocustodia.com.br/

quinta-feira, 22 de março de 2012

Seu Né Marinho - Por José Melo



Por José Melo, com adendos 
de Vanise e Laíse Rezende 

Seu Né foi uma figura ímpar na história da Custódia de ontem, que participou efetivamente do seu desenvolvimento, nos primeiros sessenta anos do século XX. Nasceu em 15/09/1902, na Fazenda Tamboril, hoje integrada à área urbana do município, filho de Serapião Domingues de Rezende e Izaura Marinho (dona Dondom), que posteriormente residiram na cidade. 

De altura mediana, voz nasalada e postura elegante – jamais o vi sem o terno completo. Assumiu o tabelionato de Custódia substituindo o seu pai, que foi o primeiro tabelião da cidade. Era ainda jovem quando lhe foi outorgado esse importante cargo, tornando-se uma figura das mais respeitadas da sociedade custodiense de sua época. Sua esposa, dona Ester – da família Pires Ferreira de Tabira - era uma mulher simpática e inteligente, mãe de sete filhos, que sabia receber muito bem as autoridades e importantes correligionários políticos de Seu Né, em sua casa, situada ao lado direito da Igreja Matriz de São José. A inesquecível Tia Dona, irmã solteira de Seu Né, morava na mesma rua com sua mãe viúva, dona Dondom. Hoje, a antiga Rua Padre Leão, onde as duas famílias residiam, é chamada Rua Maria Marinho de Rezende, em homenagem a Tia Dona. Lembro-me que aos domingos ela saía apressada, com a fita da Irmandade de Maria e uma pequena Bíblia, para assistir à missa ou ensinar o catecismo que preparava as crianças para as cerimônias do crisma ou da primeira comunhão. Durante a semana, ensinava a um grupo de crianças, em um antigo prédio da paróquia, o mesmo em que, semanalmente, funcionava o cinema. 

O cartório de Seu Né ficava junto ao Bar Fênix, apenas separado por um longo corredor que dava acesso ao bar. O fórum funcionava na esquina da antiga Rua Padre Leão com a Av. Siqueira Campos (hoje Av. João Veríssimo), no mesmo local em que funciona, atualmente, a Biblioteca Pública Municipal Professora Zenilda Simões de Oliveira Burgos. Assisti a vários júris ali realizados. Adorava ouvir os discursos inflamados dos advogados e promotores. Seu Né era o escrivão. 

Figura muito respeitada ele era admirado por todos, especialmente pelos proprietários de terra. sítios e fazendas do município. Os mais pobres, que recebiam sempre sua atenção e orientação para resolverem problemas de terra, registros ou compra e venda de casas, costumavam trazer à sua residência, nos dias da feira, legumes e frutas, feijão verde, queijo de coalho, ovos e galinhas, para agradecer o que recebiam como um grande favor do escrivão. Ao mesmo tempo, era ele quem acolhia e orientava, com a sua longa experiência, os jovens e iniciantes promotores e juízes que atendiam na comarca. 

Na época eu era uma criança chegada há pouco tempo da zona rural. Causava-me admiração ver aquele senhor de modos fidalgos, gentil com todos e diferente da maioria dos homens da cidade - apenas ele e Seu Ernesto, político da época que foi prefeito da cidade, trajavam invariavelmente da mesma forma: passeio completo, como se dizia, o que significava que estavam sempre de paletó e gravata. 

Entre o cartório de seu Né e o cinema, ficava o Bar Fênix, que era o ponto chic da sociedade da época, quando Custódia não dispunha de nenhuma casa de diversão ou Clube - e que pertencera também a seu Né, anos atrás. Parece-me ver, lá atrás, o balcão, algumas mesas e a velha geladeira movida a querosene. Mais à frente as mesas de sinuca muito disputadas pelos jovens. Uma vez por semana – sempre na segunda-feira - funcionava um verdadeiro cassino: roletas, mesas de baralho, “esplandim”, “maior ponto”, praticamente todo tipo de jogo. Nesse dia a frequência era restrita ao povão. Já da terça-feira ao domingo, o bar era o point da sociedade custodiense de então. 

Entre um expediente e outro, o Bar Fênix recebia grande número de pessoas que, aproveitando o intervalo do almoço, iam saborear um aperitivo. Encontravam-se ali o coletor estadual, o agente do IBGE, o prefeito, o escrivão , enfim, a nata da sociedade frequentava aquele espaço. 

Recordo com imagens muito nítidas quando observava seu Né sentado à mesa do Bar Fênix, absorto em pensamentos, com uma cerveja que durava uma eternidade. Ao chegar, sentava, pedia a cerveja, enchia o copo calmamente e a cada gole limpava os lábios com o seu lenço impecavelmente branco. Gostava de ver quando ele tirava o seu pente e fazia gestos de pentear a cabeleira quase inexistente. Vi por vezes ele abrir a carteira para dar dinheiro a populares que o procuravam. Depois que pagava a conta, levantava-se calmamente e se dirigia a sua residência que ficava do outro lado da igreja, em frente ao Bar Fênix. Dali só retornava à tarde para o cartório. 

Quando Seu Né decidiu se aposentar e vender o cartório, sua família foi residir em Recife, mas ele ainda ficou algum tempo na cidade, trabalhando como “rábula” para defender, no fórum, pessoas que geralmente não podiam pagar a um advogado. 

Uma característica marcante de seu Né era a caligrafia. Ainda hoje, décadas depois de tê-la conhecido e admirado, sou plenamente capaz de reconhecer a letra de seu Né, por ser bastante original - nunca vi nenhuma outra parecida. Sua assinatura - Manoel Marinho de Rezende - era inclinada para a direita, uma marca da sua personalidade, e ainda hoje seria vista como uma assinatura original. 

Recordo que nos finais de semana formavam-se várias mesas, com praticamente toda a sociedade representada no Bar Fênix. Recordo pessoas como Seu Né, Chico Eugênio, Zé de França e outras. Entre causos e piadas, a conversa rolava solta. 

Naqueles tempos o jogo do bicho era permitido e Seu Né possuía a Banca Confiança, depois repassada para Duquinha - e que funciona até hoje. Para ganhar uns trocados fui cambista da Banca Confiança, na época passando jogo de casa em casa, nos bares e em outros pontos da cidade. Antes das quinze horas ia fazer a prestação de contas e por vezes quem estava conferindo as apostas e recebendo os talões era Beto, filho mais novo de Seu Né, hoje o engenheiro e empresário Herbert Rezende. Nas férias do colégio ele ajudava na banca instalada em uma casa próxima ao cartório, a qual algum tempo depois foi a residência de meus pais. 

Anos depois, quando exercia o cargo de Secretário da Prefeitura, sugeri ao então Prefeito Luizito, que na época estava construindo o novo fórum da cidade, que fizesse uma homenagem a Seu Né, designando aquelas instalações com seu nome. Apesar da tentativa de Luizito, o Tribunal de Justiça não atendeu a solicitação, justificando que o fórum seria designado com o nome de um juiz, que tinha trabalhado recentemente em Custódia e havia falecido. Assim, o fórum foi designado “Fórum Dr. Josué Custódio de Albuquerque”, morto em decorrência de acidente de trânsito na capital pernambucana. 

Enquanto residiu em Recife, com a família, Seu Né jamais deixou de se interessar vivamente por tudo o que acontecia em Custódia. Em 2002, já à proximidade da morte alguns meses antes de completar cem anos, seu médico, na intenção de alegrá-lo, contava-lhe sempre que havia passado por Custódia, que lá tinha chovido e a política ia muito bem. 

Por tudo que representou para a Custódia daqueles tempos, Seu Né merece o reconhecimento de todos - e aqui fica a sugestão aos nossos representantes no Legislativo Municipal: que se faça justiça, mesmo que tardia, a quem tanto contribuiu com a Justiça em nossa cidade – e que seja designado um logradouro ou uma edificação pública com o nome desse custodiense honrado e batalhador, cujos descendentes hoje, apesar de ausentes da terra, demonstram carinho pelo berço que os acolheu. 

Juvina Alves Duarte - 90 anos (por Marlos Duarte)


Juvina Alves Duarte nasceu em 22 de março de 1922, nas proximidades do povoado do Ingá. Ela é Filha de Antônio e Ana Figueredo. Ela é a terceira filha de muitos desse casal: Tio Dudu, Tia das Dores, Ursulina (Dilu), Terezinha, Carmelita, Blandina (Tia Dina) e Rosa. Minha avó, ainda solteira, mudou-se com toda a sua família para Fazenda Nova após os seus pais venderem suas terras do Ingá, face a construção de uma usina de "Caruá" (vegetal que serve para fazer cordas). Minha avó foi criada num contexto de fazendas, tendo que ajudar seus irmãos e, principalmente, seus pais nas colheitas e nas demais atividades que toda fazenda familiar daquela época possuía.

Nem sempre ela fazia isso. Em uma das tantas colheitas de algodão que os irmãos saíam para fazer, minha avó se deitou no chão, numa sombra projetada por um Umbuzeiro, e começou a dormir, enquanto seus irmãos mais velhos colhiam o algodão da fazenda de seus pais. Seu irmão mais velho, Tio Dudu, com pena da minha avó, disse: "Toma, Juvina, um pouco do meu algodão para tu não voltar para casa sem nada, e papai e mamãe não brigarem com tu." Um irmão melhor do que esse a gente não encontra em qualquer lugar... (risos)


Da esquerda para a direita: Tia Blandina (Tia Dina), Tia Terezinha, Tia Dilu, Tia das Dores, minha avó e Tio Dudu. Sentados, num "amor eterno", meu bisavô Antônio e minha bisavô Ana, que não cheguei a conhecê-los [Foto gentilmente cedida pela minha prima Fátima Figueredo]

Minha avó não é letrada, mas é mais sábia do que muita gente "entendida" por esse mundo. Um vez a perguntei o porquê dela não ter ído a aulas de alfabetização. Ela, respondeu: "Meu filho, nunca fui para a escola direito porque naquela época tinha uma tal de Palmatória...". Nem todo mundo gosta de sofrer para aprender, não é? (risos)

Minha avó conheceu Abílio José Duarte, se casou e teve oito filhos. Minha mãe, em um de suas inúmeras histórias antigas que me conta, disse-me que antes de se casar com a minha avó, Abílio José Duarte sonhou com a mãe de Juvina, a Ana Figueredo, com uma criança nos braços. Depois do sonho, ele ficou se perguntando por que estava sonhando com a mulher de Antônio Figueredo com uma criança no colo. Hoje, posso afirmar que essa criança seria a minha avó, que futuramente iria casar com ele. Meu avô, viúvo, com 50 e tantos anos, casou com a minha avó, que ainda nem tinha 20 anos. Juntos, tiveram um história de 30 anos de companherismo e construíram uma grande família.


Depois de se mudar algumas vezes de residência (na rua da Várzea e na Praça Padre Leão), minha avó queria uma casa que pudesse dar assistência ao seu pai, para ele amarrar o seu cavalo quando chegasse de Fazenda Nova nos dias de feira em Custódia; e meu avô, sempre pronto para fazer os gostos de minha avó, conseguiu uma casa na Avenida Inocêncio Lima. Lá, eles terminaram de criar seus filhos e se estabeleceram definitivamente.

Quando estou com saudades dela (moro fora de Custódia), a voz dela parece que ecoa nos meus ouvidos, me chamando: "Marrim, ôôôô Marrim!". Ou então, quando está entediada, gritando: "Eitaaaaaa!!!". Hoje em dia, a sua audição está comprometida por causa do envelhecimento e das "apoptoses" da vida, mas, mesmo assim, eu passo vários minutos conversando com ela, tirando fotos e matando a saudade. Ela às vezes sonha comigo, ou eu pedindo dinheiro, ou dando-me ordens, ou dizendo coisas para eu não fazer na vida. Ela é a minha segunda mãe. Ela praticamente me criou e sou muito grato a ela por tudo, por ela ter me dado tanto afeto.

Minha avó e minha mãe


Mas o que falar de Juvina...? Uma mulher guerreira, que soube lidar com a viuvez precoce. Uma mulher de pulso forte, que não se deixava levar pelos outros, tendo um espírito de liderança impressionante, que tive o prazer de ver pessoalmente na minha infância. Não conheço uma pessoa mais vaidosa que a minha avó. Ela não tira os seus brincos por nada, não tira suas pulseiras por nada... sempre, sempre ela manda buscar um objeto, algo que ela tenha, que seja elegante para me mostrar. Elegante: essa é a palavra-chave para eu definir Juvina Alves Duarte com muita firmeza e sem medo de errar. Atualmente, minha mãe e minhas tias cuidam da minha avó.

Minha avó e eu (1994)

Ela é mãe de oito, avó de dezoito, bisavó de quinze... Ela construiu uma família imensa. Ela é a matriarca de um enorme família, da minha família. Ela é uma mulher de fibra, de respeito inigualável. Depois da morte do meu avô em 1972, ela não quis saber mais de ninguém, não queria conhecer ninguém mais. Era a viúva de Abílio José Duarte e pronto. Admiro esse sentimento forte que ela tinha pelo meu avô. Admiro a lealdade que ela tem com todos que ela gosta. Admiro cada palavra de minha avó, porque ela, simplesmente, é uma firmeza de ideais fortes, de opinião, de afeto e amor, com quem ela ama. Ela é uma grande mulher. Ela é muito mais que uma personalidade... Ela é muito mais que 90 anos de história, de lutas, de experiências, de vitórias. Ela é muito mais que uma postagem como essa, que deixa a desejar sobre ela. Ela é a minha avó inesquecível, a minha avó de memorável personalidade. Ela é a minha segunda mãe. Ela me acolheu nos seus finais de semana. A mulher que ajudou a minha mãe a me criar. A minha avó linda, mais que linda, sempre linda. Ela é a forte Juvina Alves Duarte.

Se costumo ter pés e mãos frias, é porque, isso, eu ''peguei'' dela. Se tenho lábios finos; nariz fino, mas grande, é porque "herdei" dela; se tenho queixo curvado e não reto, é porque eu sou neto dela. A genética não falha... Obrigado por ter me dado conselhos, por ter sido "A Avó". Obrigado por tornar nossas conversas numa "resenha": de rir do meu cabelo grosso, de ''tirar onda da minha cara'', de dizer que eu estou um ''rapaizão". Obrigado por ter dado o meu primeiro banho, por ter sido o meu exemplo de experiência. Obrigado por ter me dado o que todos precisam: amor. Obrigado por me proporcionar uma infância maravilhosa, brincando de bola na frente de sua casa e de deixar eu te aperriar por tantas vezes. Obrigado por sempre sorrir quando me ver. Obrigado por sempre me reconhecer, quando, hoje, reconhece pouquíssimas pessoas. Obrigado por nunca ter me esquecido. Obrigado, por tudo.

Postagem: Antonio Marlos Duarte, o seu neto mais novo, que tanto te ama! Você é 10!!!!


Nota: quis fazer uma postagem bem pessoal. Ainda, quis mostrar um pouco do que vivo com a minha avó e um pouco de sua personalidade forte e sua história. Os fatos históricos de minha avó foram baseados em relatos de minha mãe. Abraços!

Link: http://blogdotoiim.blogspot.com.br/2012/02/90-anos-de-juvina-alves-duarte.html

quinta-feira, 8 de março de 2012

Dona Delícia: Um parâmetro de elegância e estilo em nossa cidade.



Nós costumamos prestar homenagens às pessoas que não estão mais em nosso convívio. É meio que paradoxal dizer da admiração, do respeito e do amor que sentimos por elas, se não mais nos escuta e não nos vê fisicamente. As coisas seriam diferentes, se esses sentimentos fossem externados em vida.


Custódia perdeu um símbolo de bom gosto, de personalidade forte e beleza nata. Dona Delícia, mulher extraordinária e autêntica na sua trajetória de vida. Católica praticante e de um grande amor a sua Igreja e ao seu Deus, soube viver sua história com seus altos e baixos. Foi esposa, mãe de 10 filhos, avó e bisavó. Nunca perdeu a classe de mulher elegante. Criou seu próprio estilo em pleno Sertão Nordestino; fez a diferença entre as mulheres da sua contemporaneidade.


Viver 103 anos é uma dádiva da misericórdia Divina. Esse tempo bem vivido nos mostra que Dona Delícia soube viver e para que isso aconteça com cada um de nós é necessário estarmos bem com nós mesmos.


Dona Delícia. Era uma delícia vê-la de chapéu, saltos altos, meias finas e colares enfeitando sua silhueta de mulher bonita.


Saudades,

Lindinalva Pinto Simões de Almeida

Custódia, 25 de outubro de 2009.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Abílio José Duarte - por Marlos Duarte


Por Antônio Marlos Duarte

A história desse homem reflete-se na importância de explorar a memória da família e também da sua cidade, Custódia. Meu avô nasceu no ano de 1888: ano da abolição da escravatura. Percebe-se que o meu avô nasceu algumas décadas antes da emancipação de Custódia como município. Abílio José Duarte nasceu em Cacimba Limpa e foi criado pelo tio José Josino em São João do Leite. Seus pais moravam em Palmeiras dos Índios, no estado de Alagoas, e, por motivos desconhecidos por mim, não criaram meu avô. Vivendo nessa região a sua infância, meu avô foi criado num contexto de bucólico, de fazendas e de sítios. Tendo fazendas para se dedicar a cuidar (visto que seu tio era dono de terras), meu avô sonhava em ser vaqueiro... e foi. Tornou-se o vaqueiro do sítio de seu tio-pai.

Meu avô cresceu e virou o que ele sempre quis na infância: vaqueiro. Num dia, em que corria pelas fazendas que fora criado, Abílio José Duarte corria em alta velocidade com o seu cavalo quando não viu um buraco enorme. Não conseguindo "frear" o cavalo, caiu e ficou, como se diz na nossa linguagem típica, "corcunda". Ele ficou assim até o último dia de sua vida. Com o acidente, deixou de ser vaqueiro para ser outras coisas. Casou-se anos depois com a sua primeira mulher - Enedina Leite - , a qual morreu após uma série de complicações após um parto. Ela deixou filhos, tios meus que já morreram - Joanita, Zezito (Rock Lane), mas outros continuam vivos como Tia Neta e Irene. Passado alguns anos de "viuvez", casou-se novamente. Casou com a jovem Juvina Alves Figueredo, minha avó, a qual permaneceu com o meu avó até o seu último dia de vida. Com ela, teve oito filhos: Gilda, Djanira, Josa, Afonso, João, José, Dorinha e Magaly, esta última minha mãe.

Como Oficial de Justiça, meu avô pregou a Justiça sempre, nunca se subjugando a subornos ou coisas do ramo. Por várias vezes, pessoas que queriam ser privilegiadas em divisões de terras, em heranças, tentavam subornar meu avô querendo "dar um bônus", caso meu avô aumentasse suas posses. Meu avô nunca aceitou a ideia de ser um qualquer corrupto da justiça, sendo reconhecido por todos. Já escutei várias histórias sobre pessoas que hoje são idosas e que, quando jovens, conheceram meu avô e me falaram sobre isso. Sempre escutei histórias sobre Abílio José Duarte como um homem digno, honesto, entendido, inteligente, sábio... incorruptível.

Na Justiça, meu avó já passou por muita coisa como o caso, que sempre escuto com muita frequência, da insistência de Lampião em enfrentar o meu avô. O tio que criou o meu avô gostava muito de Lampião, dando comida e abrigo quando os cangaceiros vinham a Custódia. Meu avô, ao contrário do seu tio-pai, nunca gostou de Lampião e vivia reclamando quando o anti-herói ia se abrigar na casa que fora criado. Lampião soube desse "mal-estar" e passou a afrontar o meu avô, mandando ameaças. Dizem que, quando Lampião chegava em Custódia, meu avô corria. Quando Lampião o ameaçava, ele viajava para outros lugares, inesperadamente. Eu disse que ele era incorruptível, não corajoso com cangaceiros! Enfim, todos os homens têm suas fraquezas... e meu avô não seria diferente! (risos)

Já aposentado, meu avô criava em sua casa um papagaio muito ciumento, que só queria a atenção dele e de mais ninguém da casa. A minha tia ensinava palavrões ao papagaio. Após dias da morte do meu avô, ele também morreu. Eram inseparáveis dentro de casa. Enquanto vivia nessa vida de aposentado, meu avô tinha uma rotina: durante a manhã, caminhava em direção ao Cruzeiro, onde tinha alguns parentes que ia visitar; durante a tarde escrevia muito e, a noite, vivia em casa. Meu avô fez um livro autobiográfico, que se encontra com minha tia, que mora no Estado do Rio de Janeiro. Diversas prosas pequenas meu avô escrevia, todos os dias. Além disso, meu avô era "consultor político". Muitas pessoas iam na casa dele para saber em quem ele iria votar, para votar no mesmo candidato, visto que todos julgavam meu avô "entendido". Quem não gostava desses "conselhos políticos" era a minha avó, que sempre dizia: "Abílio, esse povo só vem na hora do almoço, é? Abílio, deixa de ser besta... esse povo só vem para cá comer!!!" (risos)

Em uma de suas manhãs, foi caminhar e, mais ou menos, de frente onde hoje é a Tambaú (na época era o Posto Texaco) teve o seu destino cruzado com o de uma moça que estava aprendendo a dirigir carro. Inesperadamente, ela atropelou o meu avô, que não resistiu às lesões e faleceu. Era 15 de Dezembro de 1972. Meu avô tinha 84 anos e deixou filhos e a minha avó, que ainda tinha 50 anos na época (hoje, minha avó - Juvina Alves Duarte - tem 89 anos e completará 90 anos no dia 22 de Março). Em 2012, completa-se 40 anos da morte do "Abílio Corcunda", da morte de um homem de caráter incontestável, de índole, de firmeza de ideias, de pensamento e de sonhos. Existe uma rua com o nome "Rua Abílio José Duarte", que fica perto da CIOSAC, na entrada do Bairro Mandacaru.

Foi uma satisfação muito grande compartilhar, mesmo que tão pouco, a história de um homem de ideais. Tenho orgulho de ser neto dele, porque, quando se é adolescente, sempre nós procuramos a quem seguir em pensamento, vendo as histórias de seus heróis. Encontrei, além do meu pai, um outro herói na minha família: uma homem de Justiça e de sabedoria paterna. Encontrei um herói querido por todos na sua vizinhança e na sua cidade. Encontrei um herói paciente e que não guardava mágoas de ninguém. Encontrei a história de um incorruptível, de um cidadão, de um homem real e ideal. Encontrei a história de Abílio José Duarte. 

Publicado no (blogdotoiim.blogspot.com)

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Sílvio Carneiro de Farias Souza


Um olhar sobre a trajetória de vida de Sílvio Carneiro de Farias Souza 

“Custódia é a minha terra e a minha primeira devoção como professor e homem público”. Silvio Carneiro de Farias Souza. 

Apresentação 

O teor deste trabalho registra uma retrospectiva feita em arquivos, textos, memórias e fotografias, mostrando o que significou para Custódia ter Sílvio Carneiro como cidadão, professor e prefeito. Implicou, antes de mais nada, plantar uma semente que nasceu, cresceu, deu bons frutos e que vive até os dias de hoje. 

Um olhar sobre a trajetória de vida de Sílvio Carneiro de Farias Souza.

Sílvio Carneiro de Farias Souza nasceu no dia 18 de abril de 1940 na cidade de Custódia, onde passou toda a sua infância ao lado dos seus pais Apolônio Carneiro de Farias e Maria de Souza Farias e dos seus seis irmãos. 

Em Custódia, estudou e concluiu o primeiro grau menos (1ª a 4ª série) em seguida transferindo-se para a cidade de Pesqueira onde, no colégio Cristo Rei, fez o ginasial (5ª a 8ª série). Logo em seguida ingressou para a capital pernambucana – Recife e, no colégio Salesiano iniciou e concluiu o 2º grau maior (hoje ensino médio). 

No seu currículo escolar ainda consta a formação de Técnico em Contabilidade, curso que ele fez no Colégio Comercial de Sertânia-PE. 

O gosto de Sílvio, pelos estudos, a dedicação e determinação com que realizava suas tarefas, o respeito que tinha pelos seus semelhantes, em especial pelos seus professores, foram determinantes para a sua formação profissional cujo exemplo é digno de ser seguido por todos aqueles que sonham e lutam por um mundo melhor. 

Em todas as funções que exerceu: Professor, Secretário da Prefeitura e Prefeito, Sílvio mostrou com ações práticas que é possível construir uma sociedade justa. Já que, segundo o mesmo a sociedade é um reflexo de que somos. Sejamos então, justos e a nossa sociedade será melhor.



Um olhar sobre a profissão-professor 

Muitos dos que são professores o fazem por vocação, e inspirados na própria família ou influenciados pelo ambiente em que vivem partilhando da convivência com pessoas com as quais se identificam cujo exemplo merece ser seguido. 

Essas razões e tantas outras da mesma grandeza conduziram Silvio Carneiro à sua vocação natural: ser Professor. 

Verdadeiramente, nasceu professor. Quem usufruiu do privilégio da sua convivência, quer seja como aluno ou como amigo, guarda certamente alguns dos seus ensinamentos podendo constatar a sua validade até os dias atuais. 

O magistério para Sílvio, sempre foi uma das atividades mais importantes, exigindo por parte de quem o exerce comprometimento profissional, ética e competência, qualidade que alicerçaram sua vida de professor dando-lhe a certeza ao término de cada dia de aula de ter cumprido como o dever da sua profissão e de sua consciência. 

A lembrança do homem e do professor Sílvio Carneiro, na área educacional, resultou no reencontro do professor com a atividade na qual ele mais se realizou tornando justo o reconhecimento pelo seu trabalho por toda a sociedade de Custódia. 

Um bom exemplo dessa dedicação ocorreu no inicio dos anos de 1960, por ocasião da fundação do Ginásio Municipal Padre Leão (hoje Colégio Municipal Ernesto Queiroz), quando pela falta de professores, o que acabaria prejudicando os alunos e, consequentemente, o funcionamento do Ginásio, Sílvio Carneiro se dispôs na condição de professor voluntário a lecionar disciplinas fora da sua área de formação, situação que perdurou até 15 de março de 1963. 

Reconhecido pela presteza e comprometimento com o magistério (a partir de 1963), Sílvio Carneiro assume as disciplinas de História e Desenho Geométrico fascinando e cativando todos os seus alunos. 

Os mais saudosistas lembram da sua simplicidade, da sua linguagem e da sua forma natural de ensinar, fazendo com que o conhecimento fosse construído numa relação de confiança, entre professor e aluno. Se aprendia para a vida e ensinar História fazia sentido porque também fazia parte do dia a dia de cada estudante. 

Já em Desenho Geométrico a régua, o esquadro e o compasso além de desenharem as formas geométricas fundamentais para o desenvolvimento da percepção e compreensão da realidade, ganharam também u sentido poético que hoje se pode ser traduzido por Toquinho na canção Aquarela que diz “Giro um simples compasso e num círculo eu faço um mundo”. Talvez tenha sido esta a grande missão de Sílvio, enquanto educador: Acreditar na construção de um mundo melhor para todos. 

A sua brilhante trajetória no magistério o elevou da condição de professor do Ginásio Municipal Padre Leão de Custódia a diretor do mesmo ginásio. Tendo exercido essa função com o mesmo zelo, dedicação e competência que lhes eram natos, prestando serviço de grande relevância ao Ginásio Municipal, à sociedade de Custódia e à Educação do Estado de Pernambuco até abril de 1979. 

O profundo conhecimento de Sílvio Carneiro sobre a situação socioeconômica e educacional do município de Custódia credenciou-lhe a por duas vezes como Secretário da Prefeitura Municipal nos mandatos dos prefeitos João Miro da Silva e do Tenente Miguel José. 

Em ambas as administrações, Sílvio Carneiro teve seu trabalho reconhecido como de fundamental importância para o desenvolvimento da cidade de Custódia, tanto pelos prefeitos supra citados, mas especialmente pelo povo de Custódia, sobremaneira, pela própria comunidade educacional da cidade, o que para ele era motivo de muito orgulho. 



Um olhar sobre a vida pública 

A vocação para servir aos interesses do povo, a seriedade e competência profissional além de seu indiscutível pode de liderança, fez do cidadão comum, Sílvio Carneiro, o representante mais respeitado dos interesses da cidade de Custódia, na condição de prefeito eleito pelo voto do povo. 

No exercício do seu mandato compreendido no período de 31 de janeiro de 1969 a 31 de janeiro de 1973, o prefeito Sílvio Carneiro defendeu os interesses do seu povo com determinação e perseverança conquistando para o seu município, o respeito e a credibilidade junto as esferas do poder público Estadual e Federal. 

Discurso na Câmara Municipal dos projetos de interesse da população de Custódia. 

A transparência, a ética, a austeridade e a determinação política que caracterizaram a sua gestão à frente do poder executivo municipal, trouxeram para o seu município, sede e distritos, investimentos em obras e serviços que além de garantirem o desenvolvimento da cidade ajudaram o homem da roça a enfrentar com dignidade os longos períodos das secas. 

Apesar das inúmeras dificuldades que existiam na época quanto à escassez de recursos passados à prefeitura e a centralização do poder de decisão por parte do governo federal dentre tantas outras, não tiraram do prefeito mais jovem da história política de Custódia, sua visão empreendedora implementada no município com o mais absoluto controle fiscal, onde prevaleceu sempre a regra “gasta com qualidade o pouco que se tem”. 

Essa teoria simples de administração pública, praticada por Sílvio Carneiro e as suas convicções pessoais, que elegeram a educação como a grande propriedade do seu governo, demonstra a sua visão de futuro. E para que tenhamos uma ideia do que isso significa hoje, basta analisarmos os dados atuais referentes a nossa educação. Hoje, em pleno século XXI mais de 50% das nossas crianças na 4ª série não sabem as quatro operações fundamentais e 57% na 5ª série não são capazes de entender um texto simples sem contarmos com os tantos milhões entre crianças, jovens e adultos que mal sabem assinar o próprio nome. 

Os dados favoráveis ratificam hoje, a decisão tomada por Sílvio Carneiro há mais de 30 a nos passados, quando priorizou a educação enquanto um direito fundamental do seu povo e assumiu enquanto prefeito a responsabilidade e o dever de garantir o pleno exercício dessa direito a toda população. 

Nesse sentido, ações como as construções, ampliações e reformas das escolas e biblioteca municipal merecem ser destacadas, além da nomeação dos primeiros professores diplomados para o exercício do magistério no município, mostrando-nos a importância de Sílvio Carneiro para a educação da cidade de Custódia e um bom exemplo, digno de ser seguido pelas autoridades políticas de nosso país, pois se ações iguais a essas tivesse sido implantadas em todo país e tido continuidade nas sucessivas administrações públicas, a situação atual da educação brasileira seria outra.

Executivo e Legislativo da gestão de Sílvio Carneiro (1969-1973) 

Ações destacadas na sua gestão 

A visão administrativa implantada em Custódia por Sílvio Carneiro transformou a cidade e os seus distritos em um canteiro de obras, e a confiança do povo em seu líder político era retribuída de forma justa, honesta e responsável. 

Difícil seria destacar entre tantas obras, a de maior relevância, pois cada uma teve a sua importância. Porém o assentamento das famílias carentes em casa de alvenaria construída pela prefeitura, o abastecimento de água da cidade, a instalação de uma repetidora de televisão na cidade para lazer e entretenimento do povo, a construção do estádio de futebol “Carneirinho” para os desportistas e amantes dos esportes, a construção de postos de saúde e os investimentos na melhoria do funcionamento do hospital público, as eletrificações dos distritos de Quitimbu e Maravilha, construção e reformas de escolas, calçamentos de ruas, além de tantas outras ações devem fazer parte da história de Custódia porque, verdadeiramente é parte da história do seu povo. 

Amostra de algumas construções e reformas realizadas na cidade de Custódia na gestão do Prefeito Sílvio Carneiro.



Um olhar sobre a cultura 

A paixão pelos carnavais revela o lado artístico e alegre do cidadão Sílvio Carneiro. Da sua criatividade nasceu o bloco carnavalesco CARCARÁ, cujos participantes influenciados pelo entusiasmo e animação saíram às ruas, todos fantasiados no compasso da marchinha “Carcará” composta pelo próprio Sílvio (...). 

Além da paixão pelos carnavais, era também um amante da literatura e, além da literatura dos clássicos literários, foi também o primeiro prefeito de Custódia quiçá, do interior do Estado de Pernambuco a fazer uma assinatura de um jornal (Diário de Pernambuco) para sua cidade, fato de grande significado, pois na verdade tratava-se de uma medida no sentido de democratizar as informações sobre a situação política, econômica e social do nosso Estado e do Brasil. 

No universo da arte, Sílvio também foi de grande relevância para a música da cidade, não como compositor, mas certamente como admirador da musicalidade do seu povo. Nesse sentido sua contribuição foi fundamental para a incrementarão da Banda Marcial Mário César. 

Da sua imaginação sempre surgiam idéias que logo eram abraçadas por seus amigos e, consequentemente, por toda a população de Custódia. A exemplo da construção do prédio para o Centro Lítero Recreativo de Custódia, cuja participação do primo Aparício Feitosa (Shands) e do amigo Gerson Gonçalves além de outros companheiros merecem destaques, sobretudo, por terem alcançado o principal objetivo da obra: proporcionar à população de Custódia um espaço físico adequado para a realização de eventos sociais, culturais, etc. 




Um olhar sobre a família 

Foi no embalo dos ritmos carnavalescos que Sílvio Carneiro conheceu Creuza Leopoldina com quem construiu uma relação de amor e respeito consolidado pela união de suas vidas através do matrimônio sagrado. 

Cerimônia de casamento de Sílvio e Creuza.

Sílvio Carneiro e Creuza Leopoldina de Souza Carneiro construíram um modelo exemplar de família. Tiveram uma única filha, Isabella Carneiro de Souza, que herdou do pai a sua personalidade, idoneidade e determinação – características presente na sua vida acadêmica, profissional e pessoal é, certamente, um motivo de muito orgulho para toda a família. 

Hoje, Isabella é casada com Luiz Carlos Evangelista Bezerra e do fruto desse amor nasceram seus dois filhos Rodrigo Carneiro de Farias Evangelista e Gabriela Carneiro de Farias Evangelista. Ambos são motivos de muita satisfação para os seus avós e, sem nenhuma dúvida de muita alegria para Sílvio Carneiro. 

Mais uma palavra 

A trajetória de vida de Sílvio Carneiro deixa para as futuras gerações a certeza de que é possível construir uma sociedade com base na liberdade e na igualdade e o seu compromisso na luta por esses ideais democráticos através de suas ações, praticadas enquanto Prefeito, Secretaria Municipal, Professor e cidadão comum ratificam a sua posição de destaque no cenário político e educacional da história de Custódia. 

Sílvio Carneiro é, verdadeiramente, uma referência para a vida publica, não só da cidade de Custódia onde nasceu, cresceu e para qual se doou completamente, mas também para o Estado de Pernambuco e para o Brasil. 

A ética, a honestidade, o compromisso e o amor pelo trabalho, independente do cargo ou função que exerceu, fazem com que seja lembrado pelos seus conterrâneos da maneira mais sublime e sincera, pois esse reconhecimento vem exatamente da atividade que mais lhe deu prazer em vida, a educação. Um pouco de sua história, a partir de hoje, será compartilhada com os estudantes e professores, pelos quais sempre teve respeito e carinho. 

No dia 2 de fevereiro de 1989, Sílvio Carneiro concluiu sua trajetória de vida e deixa para sua cidade Custódia e distritos e para todos os seus cidadãos a sua lição maior: - De ter vivido inteiramente sua vida, de ter transformado em realidade muito dos seus sonhos e, finalmente, poder oferecer a sua vida como exemplo para todos aqueles que sonham, acreditam e buscam um mundo melhor.



Principais obras da gestão Sílvio Carneiro 

1-Construção, ampliação e reforma das seguintes escolas: 

a) Escola Marli Mira da Silva, localizada no Guarani; 
b) Escola Aureliano Simplíssimo de Góis, localizada no Bom Nome; 
c) Escola Deputado Olímpio de Souza Ferraz, localizada na Pitombeira; 
d) Escola Prefeito Miguel José, localizada na Pindoba; 
e) Escola Germano de Souza Lima, localizada na Boa Vista; 
f) Reforma do antigo prédio do Posto de Saúde na Avenida João Veríssimo para o funcionamento da Escola Reunida Maria Augusta; 
g) Construiu duas salas de aula, um depósito e um auditório na Escola General Joaquim Inácio; 
h) Reformou e equipou a Biblioteca Municipal na praça Padre Leão, hoje denominada Zenilda Simões; 
i) Reformou a Escola Mínima do distrito de Maravilha; 
j) Foi o primeiro prefeito a nomear professores diplomados para o exercício do magistério nas Escolas Municipais; 
k) Iniciou a construção do prédio onde hoje é a atual Escola Normal Municipal Ernesto Queiroz. 

2 – Abastecimento de água, inaugurado em 1972; 

3 – Conclusão de calçamento das seguintes ruas e avenidas:

a) Avenida Dr. Manoel Borba; 
b) Rua Tenente Moura; 
c) Rua João Veríssimo; 
d) Travessa Heleno Aleixo 

4 – Construção de prédios na Rua Tenente Moura onde na época funcionavam: almoxarifado, depósito e sede do Mobral; 

5 – Desapropriação de dez casebres na Rua Major Experidião de Sá, onde hoje funciona a Escola Municipal Ernesto de Queiroz; 

6 – Construção de dez casas de alvenaria no final da Avenida Inocêncio Lima, para assentamento das famílias dos casebres desapropriados; 

7 – Firmou convênio com DETELPE no qual a prefeitura pagou uma grande quantia para a instalação da Repetidora de Televisão; 

8 – Construiu o Estádio de Futebol que foi denominado o “Carneirinho”; 

9 – Em convênio com a Secretaria de Saúde do Estado, construiu um Posto de Higiene e melhorou o funcionamento do Hospital. 


Zona Rural 2º Distrito – Quitimbu 

a) Eletrificação do Distrito 
b) Construção de Chafariz Público 
c) Construção do mini Posto de Saúde 
d) Construção de uma Escola no Mimoso 
e) Reforma na Escola Mínima 

Zona Rural 3º Distrito – Maravilha 

a) Construção de calçamentos 
b) Eletrificação 
c) Construção de Mini Posto de Saúde 
d) Construção de uma Escola no Açude dos Costas 

Ingá 

a) Construção de Chafariz Público 
b) Eletrificação do povoado de Ingá e Samambaia 
c) Construção e conservação das estradas 


Recife, 10 de Novembro de 2003.

Atenciosamente, 

Creuza Leopoldina de Souza Carneiro 
Isabella Carneiro de Souza 

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Perfil: Adauto Pereira de Souza



Adauto Pereira de Souza, nasceu no Município de Santa Maria do Cabucá, em 06/09/1918. Transferiu-se para Custódia, em 1937, para trabalhar na Usina de Caróa José de Vasconcelos, localizada na Fazenda São Gonçalo, que hoje pertence a Betânia, mas na época pertencia ao município de Custódia. O sr. Adauto fixou residência na cidade de Custódia, após 17 anos de trabalho na usina, onde conheceu a Sra. Josefa Lins com que se casou e teve 10 filhos. Passou a exercer atividades comerciais, no ramo de estivas. Sua participação na política custodiense se deu através de um convite do então “Chefe político” Ernesto Queiroz, para compor a Chapa Majoritária para as eleições municipais de 1955, que tinha como candidato principal o Sr. Luiz Epaminondas Nogueira de Barros, os quais venceram as eleições sem maiores dificuldades.



Depois de dois anos de mandato, o Senhor Epaminondas faleceu, ficando o Governo Municipal sob a responsabilidade do Sr. Adauto, que teve de administrar uma grave crise gerada pela grande seca que se prolongou durante seus dois anos de mandato. De maneira bastante lúcida, o Sr. Adauto relembra que a Prefeitura contava com uma verba repassada pelo Governo Federal, a cada seis meses, mas era insuficiente para fazer qualquer investimento. Relembra ainda, que a Prefeitura contava apenas com cinco funcionários internos, além de dois fiscais de arrecadação, Sr. Francisco Elizeu e o Sr. José Amaral e um professor lotado em cada Distrito. Apesar das dificuldades que o Município enfrentava, como falta de verbas e uma grande seca, o Sr. Adauto ainda pôde realizar algumas melhorias que até os dias de hoje continuam trazendo grandes benefícios, relatados logo abaixo:

- A continuação do calçamento do centro da cidade, iniciada pelo seu antecessor, que engloba as Praças Pe. Leão e Ernesto Queiroz;
- A fundação do Centro Lítero Recreativo de Custódia, do qual foi seu primeiro presidente;
- A construção do prédio onde atualmente funciona a garagem da Prefeitura;
- A instalação da luz elétrica, movida a motor na Maravilha;

Entretando a ação que mais marcou a administraçãdo do Sr. Adauto, foi sem dúvida, o ínicio da construção do Açude do DNOCS. Sensibilizado com o sofrimento devido à seca que se alastrava e a fome que abatia a população mais pobre, o então Prefeito, procurou o Diretor do DNOCS, por intermédio do Deputado José Lopes de Siqueira, para pedir-lhe ajuda, já que havia um estudo para a construção do açude e a referida obra poderia aproveitar a mão de obra da população para iniciar o projeto. Foi atendido e centenas de pessoas foram alistadas para dar início às obras do açude.

Terminado o mandato de Prefeito, o Sr. Adauto não quis continuar na política, segundo seu relato, porque havia ficado desapontado por causa da grave crise enfrentada em seu governo e também porque teria perdido dois grandes amigos, tragicamente, que foram: o então Prefeito Luiz Epaminondas Nogueira de Barros e João Veríssimo. Mais tarde, voltou a fazer política, fundando o MDB, em 1976, lançando como candidato a Prefeito, o sr. Nestor, que teve como adversário Luiz Epaminondas Filho (Luizito), o qual, mais tarde passou a ser seu grande aliado político, com quem dividiu grandes responsabilidades na política mais recente, chegando inclusive, a presidir o PFL, e influenciando nas decisões partidárias.

(*) O texto acima, foi publicado no Jornal da Câmara, na edição nº 009, em abril de 2007. Dentro das comemorações do Centenário de nascimento de Luiz Epaminondas Nogueira de Barros(28/05/1907 – 28/05/2007), a Câmara Municipal de Custódia, por proposta da Mesa Diretora e aprovação de todos os vereadores, através do Projeto de Resolução nº 003/2007, criou a Comenda Luiz Epaminondas Nogueira de Barros (ex-prefeito do Municipio), cujo Centenário de Nascimento foi comemorado na Câmara de Vereadores com Sessão Solene realizada no dia 26/05/2007. Na solenidade, os vereadores fizeram uma justa homenagem ao Sr. Adauto Pereira de Souza, pelos serviços relevantes prestados ao Município de Custódia, numa época sem as mínimas condições financeiras entregando-lhe uma placa com a Comenda.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Seu Né Marinho



Manoel Marinho de Rezende (Seu Né), nasceu em Custódia, no dia 15/09/1902. Tabelião do Cartório de Registro Civil nessa cidade. Casado com Ester Pires de Rezende, de tradicional família de Tabira-PE. Aposentado, passou a residir em Recife, onde parte dos seus filhos já se encontravam estudando e trabalhando. 

Seus filhos são: Leny Pires de Rezende Barros (Formação Pedagógica), Hélio Manoel Pires Rezende (Advogada), Maria Vanise Pires de Rezende (Bacharel em Jornalismo), Maria Laíse Pires Rezende (Bacharem em Direito e Jornalismo), Herbert Pires de Rezende (Engenheiro de Minas) e Marilda Pires de Reznde (Contadora).

Foto e Texto: Arquivo Pessoal Odete de Andrada Alves, extraído do livro Do Âmago da Memória.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Biografia:José Virgínio de Queiroz



Filho único de Antônio Alves de Queiroz e Elvira Virgínio de Queiroz, nasceu no dia 07 de julho de 1945 na Fazenda Soares – Custódia/PE. Com 11 anos foi estudar no Colégio Olavo Bilac, na cidade de Sertânia, no ano seguinte foi transferido para o Colégio Salesiano, no Recife, no sistema de internato, em seguida passou a morar na pensão de seu tio Elídio.

Sendo filho único, sempre foi muito paparicado pelos pais, que não mediram esforços para lhe proporcionar tudo de melhor que a vida pode oferecer em termos de conforto, educação e diversão. Dessa forma, Zé Virgínio desfrutou na sua adolescência no Recife, tudo quanto tinha direito.

Voltou para Custódia em 1965 com 20 anos de idade. No dia 18 de janeiro de 1966 conhece a mulher que mudaria sua vida para sempre, Marilene. Nesse mesmo dia começaram um namoro que terminaria em casamento, realizado no dia 26 de setembro de 1967 na Igreja Matriz de São José. Dessa união nasceram 9 filhos, a primogênita morreu na hora do parto, mas em seguida vieram Fred, Darlene, Kleber, Ricardo, Roberta( In memorian), Brena, Péricles e Emerson. Zé Virgínio teve o privilégio de formar uma grande e bonita família, pois, com o passar dos anos, juntaram-se aos filhos, quatro noras e oito netos.

Tanto na doença de sua mãe, Dona Elvira, quanto na velhice de seu pai, seu Tonho, Zé Virgínio foi de um dedicação impressionante, não deixando-lhes faltar conforto, carinho e principalmente muito amor.

Com a morte dos seus pais, muitos acharam que ele ia acabar com todo o patrimônio herdado. Mas, contrariando toda essa gente, ele investiu pesado nas suas fazendas, deixando para sua família, um legado para ser lembrado para sempre.

A Fazenda Soares foi a grande paixão da vida de Zé Virgínio, a qual ele dedicou a maior parte da sua vida. Pois, foi do Soares que tirou todo seu sustento e também foi a única fonte de renda com a qual conseguiu criar e educar sua família.

A Fazenda Soares também foi palco de grandes farras realizadas por ele, onde reunia seus filhos e amigos no dias de vacinação e ferra de gado. Foram certamente os dias mais felizes da sua vida, porque passava o dia inteiro comendo, bebendo e ouvindo seus CD´s preferidos.

Com sua personalidade forte e autoritária, Zé Virgínio foi um homem muito rígido na criação de seus filhos, exigindo sempre muito respeito de todos e, do seu jeito, às vezes, rude, procurava incentivar todos quando o assunto era educação, sempre mostrando o valor que a mesma exerce na formação moral e profissional de cada um. Graças a Deus e com seus exemplos de esforço, dedicação e honestidade, conseguiu formar uma família bem estrutura.

Texto cedido pela família.

 
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