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sábado, 28 de abril de 2012

André Campos - "Saudades do Amigo"



Na sua Plena função
Esse jovem foi ferido
Trocando, tiros com bandido
Com sua arma na mão
Caiu ferido no chão
Veja o destino que é!
Vamos aplaudi-lo com fé
Guerreiro, bravo e astuto
Custódia amanheceu de luto
Com a morte de ANDRÉ"


Recitado/Autor: Laércio Siqueira “ ALAÔ”, em 28/10/2011

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Poesia para Custódia-PE

Por José Carneiro


Hoje na longevidade
Das oitenta primaveras
Quero falar das quimeras
Da infância e mocidade
Naquela quadra da vida
Em minha terra vivida
Com toda vivacidade.

Custódia de antigamente
Do meu rio Moxotó
Era pra mim a melhor
Das outras tão diferente
O lugar onde nasci
Andei, falei e cresci
E vivi com sua gente.

Em Custódia, na cidade
Em Maravilha e Ingá
E na fonte do Sabá
Eu passei a mocidade 
De samambaia, Quitimbu
E do doce Tambaú
De tudo sinto saudade.

Da minha terra querida
Cenário de mil encantos
Eu lembro todos recantos
Que animavam minha vida
Alegrando o meu viver
Me dando muito prazer
Uma existência florida.

De minha infância gostosa
De muita coisa me lembro
E com ternura relembro
Daquela quadra ditosa
Onde reinava alegria
Em tudo que se fazia
Uma vida cor de rosa.

De quando fui pra escola
E senti grande emoção
Da primeira comunhão
E do meu jogo de bola
Nas animadas peladas
Com raça bem disputadas
Mas sem entradas de sola.

Não me sai do pensamento
O papagaio de papel
O meu brinquedo fiel
Bailando no firmamento
Se elevando num instante
Para longe e bem distante
Nas asas fortes do vento.

Ainda ouço o zunido
Do meu primeiro pião
Dançando na minha mão
Parecendo adormecido
Aquele som inda soa
E no meu peito ressoa
Zunindo no meu ouvido.

Sinto prazer em lembrar
Da festa de São José
Com a esquenta mulher
Zabumba de Zé Biá
Onda de Duda Ferraz
Quanta saudade me trás
Que quase me faz chorar.

E da minha mocidade?
Oh! Quanta recordação!
Onde tudo era ilusão
Uma vida sem maldade
Num mundo de fantasia
De pureza e alegria
De paz e felicidade.

No meio da caminhada
Lembro do primeiro beijo
Que no final do festejo
Eu roubei da minha amada
Naquele alegre natal
Que permanece atual
Como uma coisa sagrada.

De Cari, mulher da vida
Das putas a maioral
Todo ano, no carnaval
Botava na avenida
A troça das meretrizes
Que contentes e felizes
Esqueciam sua lida.

E não me sai da lembrança
Certa noite de São João
Quando soltei meu balão
Para o céu, como quem lança
Um olhar de despedida
À sua terra querida
Como última esperança.

Como nem tudo são flores
Neste mundo em que vivemos
Muitas vezes não podemos
Acalmar as próprias dores
Ou amargo padecer
Por não poder esquecer
Os nossos velhos amores.

Pois, no tempo que passei
Na minha terna cidade
Na quadra da mocidade
Uma moça muito amei
Minha linda namorada
De todas a mais amada
Mas com ela não casei.      

19/04/2012      

quinta-feira, 12 de abril de 2012

O Rio Moxotó - José Carneiro

Rio Moxotó nas imediações da cidade de Inajá
Foto: Panoramio (internet)

Composição sobre o rio Moxotó, fiz com o intuito de reparar uma injustiça, pois que, cantam o São Francisco, Pajeú, Ipojuca, Una e tantos outros, menos o Moxotó, o rio da nossa região, do qual nunca ouvi a menor referência. 



O RIO MOXOTÓ
J.Carneiro



Os rios correm pro mar
Mas o meu não chegou lá
Nem por isso ele deixou
De cumprir sua missão
Sendo fonte de beleza
De fartura e de riqueza
Nos campos onde passou
Nas quebradas do sertão.

Por isso e por muito mais
Os rios são por demais
Pelos poetas decantados
Com muito amor e paixão
Assim vou cantar o meu
Onde nasceu e correu
Nos caminhos abrasados
Pelas secas do sertão.

O Moxotó, o meu rio
Corre sereno e macio
Discreto, com pouco atalho
Nos carrascais do sertão
Das águas brota a semente
Que dá os frutos que a gente
Com o suor do trabalho
Vem a colher do seu chão.

Lá em Sertânia nasceu
E de lá ele desceu
Aqui e ali dando vau
Deslizando em rodopios
Modesto, mas altaneiro
No seu vagar rotineiro
Por cima de pedra e pau
Como caminham os rios.

Pra Custódia ele segue
Até lá ele consegue
Descer moroso e com graça
Cumprindo bem o seu fim
O de melhorar a vida
Dessa gente tão sofrida
Mostrando por onde passa
Que os rios são sempre assim.

Em Custódia começa
A sua grande promessa
De se fazer em ação
Assim fez o velho rio
Com seu açude irrigado
DNOCS, como é chamado
Enfrentando o desafio
De salvar nosso rincão.

De Custódia a Inajá
Muitas voltas ele dá
Com toda tranquilidade
No seu manso voltear
Os seus campos aguando
Nas suas margens deixando
O lodo da umidade
Pra terra fertilizar.

Depois vem Ibimirim
Antes chamada Mirim
Com seu açude gigante
O velho rio em ação
Se desmanchando em beleza
Gerando muita riqueza
Com a sua água abundante
Afugentando o verão.

E por fim Tacaratu
Da tribo Pancararu
A serra de muitas pontas
E dos índios um aprisco
Onde o rio perde o rumo
Pois seu curso sai do prumo
E devagar, quase às tontas
Vai cair no São Francisco.

Ao meu rio, com fervor
Este canto de louvor
Na vegetação agreste
Das catingas do sertão
Até onde mais produz
No açude Poço da Cruz
Dos maiores do nordeste
Sua alma, seu coração.

sábado, 31 de março de 2012

Poema "Em segundos" - Hayanna Ramalho


ao poeta e jornalista Cristiano Jerônimo Valeriano


Os minutos se inteiram
Vagarosamente...,
a ansiedade me envolve os sentidos e
Incansavelmente acompanho
cada fração de segundos como se fosse máquina.

Como se fosse máquina
relembro
Cada tom de voz,
Cada olhar insaciável,
Cada dito e escrito,
A tua filosofia humana.

E eu que penso na utopia,
ao virar-me
para seguir o caminho de casa,
Posso ser engolido pelo mar...

Hayanna Ramalho, dezembro de 2009.


(Poema classificado no Concurso Nacional Novos Poetas - Antologia Poética, Prêmio Poetize 2012.

terça-feira, 6 de março de 2012

Verso ao povo de Custódia - por Fernando Alves




....CUSTÓDIA TERRA QUERIDA... 
BERÇO DE MUITOS TALENTOS, MÚSICOS CANTORES ARTISTAS ATORES...

POETAS E TRADUTORES POLÍTICOS DE ALTA ESTIMA... 
TERRA DE MULHERES VAIDOSAS E FEMININAS.

TERRA DE HOMENS VALENTES, GENTE FINA COMO A GENTE, 
TERRAS DE GRANDES DESBRAVADORES DE OUTRAS TERRAS QUERIDAS... 

QUE CONQUISTADAS POR NOSSOS FILHOS GENTIS, SONHAM COM UM RETORNO DELEITO...

CONHECENDO CUSTODIA NÃO JEITO... 
POIS ÁGUA AQUI BEBIDA, JAMAIS PODERÁ SER ESQUECIDA... 
CUSTÓDIA BERÇO DE TODOS... 
ACIMA DE TUDO NOSSA TERRA QUERIA...

 Fernando Alves.

sábado, 3 de março de 2012

Poemas para Custódia - parte 3


Por Miguel Pedrosa

E na hora dezoito dos mistérios, com as seis badaladas de um sino, em que anjos entoam doce hino sobre almas postadas em reverência, é aí que se mostram as ausências de Olívias, Anitas e Corinas, de Quitérias, Marias e Olindinas, dedilhando os segredos do rosário, transformadas em puros santuários, murmurando orações em bela rima. 

É a hora da prece e do perdão, evocando a beleza de um salmo: “paz na terra àqueles que são calmos, pois que são os herdeiros dessa terra!” diluindo rancores, ódio e guerra e hasteando a bandeira da esperança, assumindo a pureza da criança e implantando o brasão da harmonia. 

Esqueceram? – “vós sois o sal da terra e se o sal não salgar, como se salga?” São reflexos do Cristo em Sua saga de verdades, de dor e de paixão, um apelo aos traços de união que se deve implantar aqui e agora, não há mais tempo de espera ou demora, pois que urge implantar o reino eterno. 

E é na hora dezoito dos mistérios que as Olívias, Anitas e Corinas, as Quitérias, Marias e Olindinas, vão pedindo a Deus paz e concórdia, e que o futuro reserve pra Custódia, as noções do que o Mestre nos ensina.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Poemas para Custódia - parte 2

foto: Nadieth Medeiros

Por Miguel Pedrosa

Imponente tua torre se eleva, implorando dos céus os seus mistérios, de tua nave emana o refrigério para as almas famintas e sedentas, buscadoras de luz que se contentam com o perdão que vem do confessionário, não importa se vil ou perdulário, angariam de Deus a sua bênção. 

Pensamentos de mentes insondáveis, dos mistérios de virgens seduzidas, e os deslizes fatais de muitas vidas, resultaram em atos anulados, em resposta aos apelos confessados, conteúdos de puros sentimentos, assinados pelo arrependimento, saneando os efeitos do pecado. 

E às 18h, a hora das batidas em compasso sereno e respeitoso, o teu sino em ritmo melodioso, lança em tudo um manto sacrossanto. É a hora daquela Santa e Santa, a esposa daquele ser sereno, Mãe sagrada do Cristo nazareno, que dos anjos herdou o doce encanto. 

E assim na imponência dessa torre que implora dos céus os seus mistérios, és ainda o santo refrigério para as almas famintas e sedentas.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Poemas para Custódia – parte 1



Eu conheço tua história um pouco e um tanto, e do pouco conheço o permitido, de um tanto eu sei pelo sentido, do que sei perceber de longo tempo. Sei que alguns não conhecem no momento, do passado a longa trajetória, fragmentos cruéis de tua história, nem os pedaços de tuas alegrias. 

Das passadas que busco no caminho nos arquivos alegres da infância, dos momentos retidos na lembrança, sentimentos de amor e de poesia. Me parece ouvir a voz do sino anunciando o adeus dos falecidos, e as lágrimas dos seus entes queridos entre os muros cruéis do cemitério. 

Tua história tão cheia de mistérios e os sons cochichados dos segredos, escondendo a verdade dos enredos, enroscados nas sombras do esquecido, são passagens remotas de agonias, separadas no espaço das distâncias, mas que insiste pulsar entre as lembranças na memória de alguns sobreviventes. 

Hoje alegres os teus remanescentes, nos eflúvios alegres das baladas, nem sequer desconfiam que as calçadas e o solo que pisam distraídos, são registros de fatos esquecidos, são fantasmas de noites mal passadas. 

Por: Miguel Pedrosa
        Petrolina 26.02.201
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segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Turistas de Sombras


por Francisco Alves da Silva

Senhor Deus!
Que perfume será que exala daquelas insuláveis flores não plantadas, será que tem o gosto e o sabor da insolvência humana?
Meu Deus!

Onde será que estão os olhos do mundo que já não enxergam esse bicho,
Nos detritos do lixo vagando.

Ora revirando montanhas… Ora tornando em disputas o resto da sombra, que já não sobra, pois a fome é tanta que se encantam e comem com olhos de felicidade e pronto!

Que situação meu Deus!
Pobres implorando ajuda… Pobres instalados nas ruas sem qualquer
Condição de vida humana.

Ora catando comida… Ora catando papel, que degradante!
Seres semelhantes humanos sensíveis como qualquer outro.
Apenas diferenciado pelo fardo carregando do que lhe é imposto à vida

Mas que vida! Que sina!
Vida essa dada, aos turistas de sombras.
Mas, que vida?

“Inspirado no documentário ilha das flores”

Do livro “Olhos de poetas”

domingo, 11 de dezembro de 2011

Lançamento do livro: Sertão Versos & Poesia


Poeta e agora escritor, Sr. Pedro Henrique Alves , custodiense, fez ontem a noite 09/12/11 no auditório da Sec. de Educação Municipal, às 20 horas. o lançamento de sua primeira edição o livro: SERTÃO VERSOS & POESIAS, onde aborda vários temas do passado e do cotidiano, relatando assim a verdadeira poesia do povo sertanejo, realizando assim seu grande sonho que era de colocar seus versos e poesias, que antigamente eram escritos e mostrados em pedacinhos de papel. 


Sendo uma cerimônia simples como é a pessoa de Seu Pedro, como ele é conhecido, com noite de autógrafos e dedicatória mais de grande riqueza para a cultura Custodiense, onde contou com o apoio da comunidade e de apresentações dos grupos e artistas culturais de Custódia como: O Grupo de Danças Luar do Sertão, o Sanfoneiro Eduardo, o Cantor Romântico Amadeilson Neres, o Grupo de Dança de Rua The Break Boys, os violeiros José Bartolomeu e Evaldo Severino(Sumé-PB).



Participaram também como convidado o popular Chico Paraíba que recitou alguns versos e falou que iria lançar um livro, como já tem material suficiente, ouvimos a entrevista feita ao Homenageado pelo Dr. Cícero Bento, e também as palavras de Dona Zita Queirós, sendo também prestigiado por artista custodiense como: o ator Humberto Guerra, o artista plástico e radialista Fernando Alves, o musico e cantor Rubinho , o maestro Galdino da BAMUC, onde este disponibilizou a Associação Comunitária Cultural de Custódia - ACCC, da qual é presidente em apoio aos artista da Terra, reconhecendo o apoio dado ao artista por empresários e comercio local, elogiando a iniciativa do Sr. Ivan, que mostrou-se um peça chave neste empreendimento cultural. 


Mostrando assim que Custódia, Terra Querida, é berço de gente de valor, basta apenas que seja dada uma oportunidade.

Parabéns Sr. Pedro por fazer parte de nossa Cultura!

Por: Galdino da Banda

Fonte: Site Cristiano Custódia - http://www.cristianocustodia.com.br/

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Pedro Henrique Alves - Livro Sertão Versos & Poesias


Pedro Henrique Alves, filho de Henrique Francisco Alves e Maria Silvina da Conceição, nasceu no dia 10 de abril de 1946, no sítio Sabá em Custódia. Estudou apenas até a 4ª série do 1º Grau (hoje 4ª série do Ensino Fundamental). Trabalhou como Agricultor e Vigilante do Banco do Brasil, hoje é aposentado.


Desde muito tempo faz poesias, abordando temas diversos. Expressa o cotiano da nossa terra, do sertão entre outros assuntos. Procura tocar o coração dos que amam a poesia, e das pessoas que apreciam o valor cultural do nosso povo. Em dezembro de 2011, será lançado seu livro SERTÃO VERSOS & POESIAS. 

Dia 9 de dezembro, às 19h45 na Secretaria de Educação (primeiro andar do BB)
Aguardem




quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

O poder da natureza - Pedro Henrique Alves


Uma pulga desinquieta
Um cachorro bem grandão
Uma cobra tão pequena
Mata um touro e um leão
É a lei da natureza
Que não dá explicação

Vejo um imbua andando
Que bicho lerdo é aquele
Não há quem saiba contar
As pernas que existe nele
Uma cobra não tem perna
E corre mais do que ele

Pequeno fura-barreira
Faz sua casa no chão
Forrada com o capim
Que tem na vegetação
Para dormir sossegado
E escapar do gavião

João de Barro vive bem
Morando lá na floresta
Faz sua casa sem telha
Não entra o sol pela fresta
O homem que tem ciência
As vezes faz e não presta

No galho duma aroeira
Sem cal e sem cimento
Antes de cair a chuva
Que seja o contrário o vento
João de Barro faz a casa
Para o acasalamento

A casa do João de barro
Tem porta não tem janela
Vive bem com a joaninha
Recebendo o carinho dela
Mas pode matar a Joana
Se for traído por ela

Veja bem como é terrível
Pro casal a traição
Até mesmo um passarinho
Apelidado de João
Não aceita ser traído
E nem quer explicação

João de barro faz a casa
Sem ter o prumo e sem ter linha
Constrói a sua casinha
Ligeiro não se atrasa
Vai lá na lagoa rasa
E bate o barro no chão
Faz com tanta perfeição
Que admira ao criador
João de Barro é construtor
Nas florestas do sertão

João de barro só trabalha
Pra fazer a residência
Com calma e com paciência
E não comete uma falha
Ligeiro não se atrapalha
Sem ter um carrinho de Mão
Sem doutor na construção
Sem ter um ajudador
João de barro é construtor
Nas florestas do sertão

Depois que a casa termina
Dentro dela vai morar
Se um intruso penetrar
Não vai se queixar da sina
Procura outra campina
Voando na região
Deixa aquela construção
Para outro morador
João de barro é construtor
Na floresta do sertão

No sertão quando é tempo de chover
Um carão sai voando pela flora
Uma galha de pau logo se tora
Quando o vento começa lhe torcer
Sai o gado correndo para beber
Muita água que tem no ribeirão
A formiga sai cortando o feijão
Uma corta pra outra carregar
Todo campo começa a se enfeitar
Nas primeiras chuvas do sertão

No sertão quando o ano é bom de inverno
Uma rez se atola em qualquer canto
E a relva parece com um manto
Tudo isso quem faz é o pai eterno
Fica o tempo bonito mais moderno
Causa susto o estralo do trovão
Uma cabra deitada no oitão
Abre as pernas pro filho amamentar
Todo campo começa a se enfeitar
Nas primeiras chuvadas do sertão

Só Deus Pai que é tão poderoso
Poderia esse mistério nos dizer
Como pode abelha mel fazer
Dum pereiro que é tão amargoso
Ela faz e o deixa tão gostoso
No cortiço a abelha fica presa
No escuro sem lamparina acesa
Sem ter água sem química, ser ferver
Cientista nenhum sabe fazer
Quanto é grande o poder da natureza

A formiga levanta madrugada
Sai ligeira prá cortar uma planta
Quando o dono ver aquilo se espanta
Leva comida prá sua filharada
Quando chove que dá um enxurrada
Na própria casa a formiga fica presa
Sai cavando procura uma defesa
Abre outra passagem lá na frente
Para o homem entender perfeitamente
Quando é grande o poder da natureza.

Pedro Henrique Alves
Custódia/PE, 1 de setembro de 2010

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Cordel : André Campos


Autor: CB PM Gallindo


Carlos André Campos Lopes
Em Custódia ele nasceu
Em vinte e oito de abril de 79
Na mesma cidade cresceu
tornou-se um homem decente
vivia feliz e contente
Até que a tragédia aconteceu

Fez Faculdade na AESA
Foi grande sua vitória
Tinha orgulho de ser
Graduado em História
Era um matuto valente
Um jovem muito descente
O guardaremos na memória

Na AESA André Campos
com o CAP Alex estudou
Também com o Major Marcelino
E Major Wanderley completou
Os amigos de turma oficiais
Eram seus amigos demais
Com eles Campos se formou

Ao concluir sua graduação
foi ao Recife fazer cursinho
Dedicou-se plenamente
estudando muito sozinho
mas a sua grande ambição
era entrar na corporação
por ela tinha amor e carinho

No curso de Direito
foi fácil ele entrar
abdicou de seu Direito
e continuou a estudar
e para a sua satisfação
ingressou na corporação
da Policia Militar.

Manteve suas raízes
estudava sem cansaço
das vitórias e conquistas
e também do fracasso
Do homem sem coração
Virgulino o Lampião
o perverso Rei do Cangaço

Tinha na figura do Avô
um herói verdadeiro
Combatente do cangaço
do bando de desordeiro
na Avó sua Mãe verdadeira
uma senhora de primeira
educou um neto ordeiro

Um jovem bem conhecido
disposto a qualquer parada
gostava de pega de boi
e também de vaquejada
assistia com emoção
vibrava com o boi no chão
dando muita gargalhada

Respeitados ao extremo
um jovem mais bem vivido
era ordeiro e não bebia
um policial precavido
mas também reservado
era um praça prevenido

Com as crianças ele tinha
um contato especial
a elas se dedicava
dando atenção total
ficar perto dele queriam
com ele as crianças sentiam
A segurança do policial

De forma extrovertida chamava
dos companheiros a atenção
dos interesses pessoais
Campos não abria mão
tudo que diz respeito
que o praça não tinha direito
Ele alertava com razão

Melhor que ele não tinha
Pode ser que um empate
ele tinha experiência
na frente de um combate
o comando lhe indicou
e seu sonho realizou
tirando o curso do Gati

Destemido e cauteloso
E de não se acreditar
um policial tão preparado
Em nada pode confiar
Na Polícia o risco é total
um descuido nosso é fatal
na vida de um militar

Na Polícia era Campos
André no convívio comum
ter um amigo como esse
Não era pra qualquer um
o mundo perdeu o brilho, a cor
Para nós restou apenas a dor
no peito de cada um

Os vaqueiros fizeram
Uma homenagem de glória
Cantaram versos e toadas
Que guardaram na memória
que Deus te receba no céu
nosso grande amigo fiel
Aqui ficarás na História

Com uma salva de tiros
A polícia homenageou
este policial valente
que o perigo enfrentou
um  bandido covardemente
tirou do meio da gente
e André Campos Deus levou

Em nome do 3º Batalhão
eu tive essa coragem
de fazer em um cordel
a Campos uma homenagem
e as companhias e o PCS
de você nunca esquece
aqui de sua passagem

Termino Campos dizendo
sua morte não foi em vão
todos os dias perseguiremos
esse assassino e ladrão
a Polícia não vai descançar
enquanto não capturar
e mandá-lo para a prisão

Fim

Folhetim distribuído pela cidade por sua Avó Nilda Campos. .

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Cordel - Caravana Antinuclear



Cordel elaborado por Climério Lima (Jatobá-PE/outubro-2011)
Lido durante a passagem da Caravana Antinuclear naquele município 


Vocês que estão em Brasília
Com as rédeas da nação
Nos gabinetes trancados
Para tomar a decisão
Escutem a voz do povo
Sofrido deste Sertão

Nosso Nordeste é marcado
Por seca, fome, abandono
Para o país um problema
Um território sem dono
E o Sudeste com as riquezas
E as benesses do trono

No passado nós lutamos
Até de armas na mão
Tantas guerras nós travamos
Revoltas, revolução
E produzimos riquezas
Pra engrandecer a nação

Acham pouco, meus senhores
Nossa contribuição?
Usinas no São Francisco
Iluminando a nação
A custa do ribeirinho
Sem direito a irrigação?

Porque querem construir
Nessa terra renegada
Uma usina nuclear
Pelo mundo condenada?
Porque não constroem mais
Hospital, escola, estrada?

Venham melhorar os níveis
Da nossa educação
Melhor salário, emprego
Projetos de irrigação
Proteger o São Francisco
Veia de amor do Sertão

Uma usina nuclear
É um perigo constante
Na União Soviética
Numa explosão gigante
Matou e espalhou câncer
Numa área bem distante

Também nos Estados Unidos
O acidente aconteceu
Fukushima no Japão
Com uma explosão sofreu
Depois de um terremoto
Aquela terra tremeu

O lixo dessas usinas
É um resíduo fatal
Não pode ser reciclado
Jogado em qualquer local
Se posto na natureza
É perigoso e mortal

Esse tipo de energia
É, por demais, perigosa
A causa de uma explosão
É ligeira e desastrosa
A energia do Sol
É muito mais vantajosa

Todos sabem: Temos ventos
Abundantes no Sertão
Para gerar energia
Sem a tal poluição
Essa usina nuclear
É uma contradição

Ao povo de Itacuruba
Pra que não seja enganado
Tem político querendo
Esse projeto aprovado
Pensem: se tiver dinheiro
Quem é o beneficiado?

Eu repondo sem pensar
O povo é quem não é
O dinheiro vai pros ricos
Comprarem carro e chalé
E fugirem da cidade
Quando o perigo vier

A região vai sofrer
Belém, Floresta e Jatobá
Petrolândia, Paulo Afonso
Sem dever irão pagar
Se o rio São Francisco
Vier se contaminar

Também a piscicultura
Será bem prejudicada
A morte tomará conta
Da água contaminada
Se isso acontecer
Ninguém pode fazer nada

Projetos de agricultura
Terão que paralisar
Sergipe também Bahia
Preços altos vão pagar
De Pernambuco a Alagoas
Até descambar no mar

O problema, como sempre
Sobra pro povo sofrido
Precisamos nos unir
Criar um grande alarido
Político só tem medo
Do povo que está unido

Desculpem-me pelas rimas
Se não são do seu agrado
Sou um poeta pequeno
Que não quer ver aprovado
Esse projeto maluco
Pelo Governo criado

domingo, 18 de setembro de 2011

Caminhão



O meu juízo tem um para-choque mutante de caminhão;
A minha boca é um megafone horizontal de ideais;
Só acredito nos aprendizes que aprendem tudo sempre;
Eternamente, os mestres formam mestres e não súditos.


O medo do saber é uma ferramenta para manter o poder.
Em vão, porque, após algumas tentativas mais difíceis,
A manutenção de um estado permanente ainda não vinga.
Eu só creio em sementes que só insistem em brotar sempre.


O meu conciso é tão relativo quanto o retrato do nunca;
Infelizmente, o que vejo e o que calo não fazem muito bem.
Mas deixei de andar nas espirituais e negativas espeluncas;
Sem, por isso, ficar dando explicações a quase ninguém.


Sabemos de tudo o que nos faz mal e também do que faz bem.
O protagonismo é uma linha inevitável na independência do ser.
Nem sempre fazem o que, na verdade, melhor lhe convém.
Confundem a beleza de ser humano com a crueldade do ter.


Nem tudo aquilo que se aprende trata-se de um saber.
Se você não acredita, não imagino que possa ter.
Não adianta se enganar e partir para dizer foi sem querer.
Nós sabemos da verdade e não esperamos ver pra crer.


Cristiano Jerônimo

 
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