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quinta-feira, 8 de março de 2012

Entrevista com Lourdes de Deus


Quando o Blog Custódia Terra Querida iniciou-se em março de 2008, pouco tempo depois, fiz bastantes pesquisas no Google por material sobre a cidade. Dentre uma dessas, encontrei a história da custodiense Lourdes de Deus, artista plástica que saiu ainda muito nova de Custódia com sua família rumo ao sudeste do país. Descobri que ela era esposa do famoso näif Waldomiro de Deus, ele por sinal, é sua maior influência, seus trabalho hoje está ganhando muito destaque nas principais galerias de pintura do Brasil, sem contar o reconhecimento pelo tipo de pintura desenhada por ela ser hoje usada por várias editoras como referência para ilustrar manifestações culturais dos sertões brasileiros.

Durante o mês de março conversei com a senhora Lourdes, os internautas do blog podem a partir de agora saber mais detalhes sobre suas atividades e um pouco sobre sua trajetória familiar e artística. Ela explicou durante a entrevista, como homenageou sua cidade natal, com uma tela que foi influenciada pelo blog Custódia Terra Querida. Esta tela por sinal, faz parte de um calendário anual distribuído no Brasil e no exterior.

Por Paulo Peterson - 15/05/2011 (aniversário de Lourdes)



Biografia publicada em calendário, texto de Oscar D'ambrosio.



Blog Custódia Terra Querida - Lourdes de Deus, você nasceu em Custódia e foi embora muito pequena. Quem são seus pais e qual a família eles pertencem? Existe algum parente por aqui ainda ou todos residem fora?

Lourdes de Deus - Meu pai se chama Vicente Alves da Hora. Minha mãe se chama Adelaide Alves de Freitas. Tenho uma tia que mora em Belo Jardim os outros foram embora. Minha mãe disse que os pais dela eram os índios da serra, família da hora, e família dos Freitas.

BCTQ - Após sua saída de Custódia, onde foi morar? Qual a sua formação?

LD - Fui para São Paulo, onde morei até meus 14 anos, depois que me casei e vim morar em Goiânia. Estudei  somente o Ginásio, ate a oitava serie. Sou artista plástica auto didata. Pesquiso o Folclore brasileiro. Atualmente participo de um grupo de alunos na UFG, onde pesquisam a História do Folclore no BRASIL.

BCTQ - Como conheceu seu esposo Waldomiro de Deus?

LD - Waldomiro me conheceu pela porta da cozinha do meu pai, era muito amigo dele, e como éramos vizinhos, ele não perdeu tempo rs, Me pediu em casamento, na hora não aceitei. Ele viajou para Itália, assim que voltou resolvi aceitar. Estamos casados há 34 anos.

BCTQ - Quantos filhos dessa união? Algum herdou o dom da pintura dos pais?

LD – São seis (06) filhos, são eles: Rebeca, Amomm Hebrom, Edomm Hezrom, Edemm Shalom, Naara Tov e Sara Benaia. O Amomm também é pintor e músico, os outros estudam Direito, Psicologia e Administração de Empresas. Mas só o Amomm herdou a pintura. Tenho três (03) netos, se chamam: Cecília, Jonatas e Gabriel. Todos se relacionam com a arte, sempre nos ajudam com contatos e vendas. Enfim, a arte está neles.

BCTQ - Como surgiu o interesse em fazer homenagem à terra natal?

LD – Sempre busco inspiração naquilo para pintar, meus quadros dentro da realidade em que vivemos. E quando você Paulo Peterson, me falou da festa do Encontro de Custodienses, tive a ideia de pintar alguma coisa para homenagear esta cidade. Já que sou filha da cidade, busco mostrar o que tem o nosso Brasil, lindo com lugares maravilhosos. Sempre pintei o frevo de Olinda, o Galo da Madrugada e assim que vi seu blog Custódia Terra Querida, nossa falei – “Agora me achei na arte popular”. Ela nos dá liberdade de expressar na tela o sentimento da alma e ainda mais sendo pernambucana.

BCTQ - Vc tem alguma lembrança de Custódia?

LD – Não. Mas  sempre minha mãe fala de quando moramos ai, fala dos amigos. Sempre quis conhecer minha terra, sempre pintei as festas baseada em informações de Pernambuco, por ter essas festas populares e a caatinga. Sempre foi minha inspiração.

BCTQ - Explique para os nossos leitores, como suas obras foram parar nesse calendário?
LD - Uma empresa em São Paulo me convidou para participar, pois eles tinham visto minhas obras, e também adquirido algumas. Assim o convite foi feito pela própria diretora da Empresa, e também estava com estas obras na data do convite em uma Exposição no Museu de Goiania.

BCTQ - Qual a repercussão sobre suas obras no momento? Qual obra obter mais destaque?

LD - Esta tendo  uma boa,  eu diria ótima repercussão, pois variam editoras tem procurado os meus trabalhos para serem publicados em livros didáticos. Pôr se tratar de uma pintura que tem uma mensagem, uma historia, um recado para nossas crianças e jovens etc. Essas telas têm sido bastante procuradas. Falam da nossa identidade, como nossas festas populares, o São João que tenho pintado em seus seguimentos na Bahia e em Pernambuco. Agora estou com essa homenagem a Custódia, que saiu no calendário, inclusive vou enviar para as editoras.


Tela feita em  homenagem à Custódia. Nela consta nomes de comércios antigos da Praça Padre Leão e nomes de famílias.



BCTQ - Sua maior influencia na pintura é o seu esposo, o naif Waldomiro de Deus?

LD – Sim, foi depois que me casei com ele e conviver com as tintas e pincéis, visitar exposições que, tomei a liberdade de começar a pintar. Waldomiro me falou “pinta alguma coisa, vou ver se você tem um caminho a seguir”. Então meus primeiros quadros foram feitos em cartolina. Depois fui para a tela, só que pequenas. Comecei a pintar feiras livres, com barracas, meninos jogando bola. Ele viu que eu não ia desperdiçar material. (rs) Me falou para ir em frente. Me ajuda e me incentiva até  hoje. Dizem que estou pintando melhor do que ele. Ele só me diz maravilhas.

BCTQ – Mudando de assunto, como descobriu o blog Custódia Terra Querida?

LD – Descobri quando fiz uma pesquisa no Google, vi um trabalho meu publicado no blog Custódia Terra Querida. Comecei a procurar mais coisas e vi que você estava divulgando Custódia. Fiquei feliz em ver alguém da minha terra, ter esta capacidade de mostrar e falar dos filhos dessa terra querida.

BCTQ - Qual impressão a distância você tem da cidade hoje em dia, depois que passou a conhecê-la um pouco mais por intermédio do blog?

LD – Bem,  depois que vi no BLOG foi uma surpresa, pois as pessoas precisavam mudar, e quem ganhou foi à cultura. O povo teve oportunidade sem precisar sair de sua terra para  se aventurar em lugares que já estavam lotados. O povo agora tem a oportunidade de explorar o que tem de beleza, de riqueza bem debaixo dos olhos. Custódia para mim está uma menina que cresceu, ficou linda, e tem muitas surpresas a mostrar ainda, para qualquer estado, cidades etc.
Site da artista: 

sábado, 29 de outubro de 2011

Entrevista com Humberto Guerra (jan/2010)


Por Paulo Peterson

Blog Custódia Terra Querida Humberto inicialmente gostaria que você nos falasse onde você nasceu, e como foi a sua infância e quais recordações tem dessa época?

Humberto Guerra – Sou do Distrito de Maravilha, nasci no Hospital e Maternidade de Custódia. A minha infância, posso dizer, foi de alegria, brincando como criança, aproveitando o que a natureza nos oferece. Hoje o mundo vive a crise do hamburguerismo, onde todo mundo quer tudo pronto, vive a era da informação, em que as crianças vivem em frente a um computador o dia inteiro, muitas vezes, nem brincam com os jogos de costumes, brincando de bolinha de gude no tapete. A infância precisa ser bem aproveitada.

BCTQ - Apresente-nos seus familiares, onde reside boa parte deles, e o que fazem atualmente.

HG – Sou da família Guerra, por parte do meu pai, onde todos moravam em Maravilha, há décadas atrás. Tem também a origem Brás. Atualmente a maior parte se encontra em diversos pontos do Sudeste, principalmente em São Paulo. Por parte da minha mãe, sou da família Figueiredo, Campos, Fernandes, Valeriano. Da família do meu pai alguns exercem a função de cozinheiro, profissões típicas do nordestino que vai para São Paulo. Outros são da construção Civil, vigilantes, entre outras. Por parte da minha mãe tem o médico Zé Wilson, que é dos Figueredos, outros são professores.

BCTQ – Quais são as maiores lembranças que você tem de Custódia da época em que residia aqui.

HG – Sinto falta no Rio de Janeiro da cultura Nordestina, uma boa conversa na porta de casa, deixar minha filha Beatriz brincar em frente de casa de maneira calma, sem se preocupar com a violência. Sinto falta de conversar com amigos verdadeiros, que gostam de cultivar uma boa amizade. Quando chego a Custódia, vou as casa de meus melhores amigos para dar um abraço. Gosto de amizades. Sinceras!!

BCTQ – Por que você decidiu ir morar em outro estado. Quais foram às razões?

HG – Sempre gostei da arte, sabia dos nomes dos atores, assistia ao Vídeo show. Ficava atrás da televisão imitando os artistas, meu pai não gostava dessa atitude. Quando fui rumo a São Vicente, percebi que era a cidade que estava perto dos grandes centros de Teledramaturgia. Em Seguida me deparei em São Paulo com um curso de Interpretação para TV, com Ignácio Coqueiro, porém, fiquei até com medo de fazer a matrícula, isso porque me sentia com medo. Tive coragem, e fiz. Digo sempre para qualquer pessoa que está começando um projeto, iniciando uma carreira, não tenha medo, vá em frente!

BCTQ – Fiquei sabendo que você tem grande interesse em revelar novos talentos locais para o teatro. O que pode falar sobre isso aos nossos conterrâneos.

HG – Estou com sede de transmitir o que sei um pouquinho, tanta gente gostaria de se envolver com as artes, e para isso é preciso ir para outras cidades, como fiz. As cidades participam de tudo pronto com relação à cultura. Porque não produzir nossos próprios curtas, documentários, filmes. Temos atores de verdade, dentro de Custódia, temos cantores, artistas talentosos. Falta alguém que veja isso e se interesse. Estou chegando para somar.

BCTQ – Como sua esposa e família lida com a sua profissão?

HG – É difícil, é uma profissão que envolve sentimentos. O ator tem que ter o pé no chão. Alguns artistas vivem de fachadas para viverem da mídia. Prefiro o meu casamento abençoado a fama efêmera. Em qualquer profissão não se pode envolver com a vida pessoal.

BCTQ – Quais os papeis na TV, Filmes, Peças Teatrais e Documentários você já participou?

HG – Na Globo, participei do Linha Direta, da Diarista, América, Celebridades, Paraíso, Ciranda de Pedra, Malhação e Duas Caras. Na Record, fiz Poder Paralelo. Este mês (janeiro/2010) vai ao ar uma propaganda que fiz para a SKY. No Teatro participei das montagens: Quem casa quer casa, os Ciúmes de um Pedestre, de Martins Pena, Viúva, porém Honesta, de Nelson Rodrigues, entre outras. Dirigi um documentário falando sobre o racismo.

BCTQ – Quais os planos para 2010 em sua profissão?

HG - Por enquanto, aguardo respostas, não digo desempregado porque desde que você invista na carreira, esteja fazendo alguma coisa, está trabalhando.

BCTQ – Humberto como você descobriu o blog Custódia Terra Querida? O que mais te atraiu nele?

HG – Minha irmã me indicou, acabei gostando pelo fato de ser um blog que mostra a cara de Custódia, as matérias são interessantes, inteligentes. A direção do blog tem cultura. Parabéns!

BCTQ – Qual a mensagem que você deixaria para alguém que quer seguir seus passos como ator?

HG - Estude. Faça um bom curso, e não espere que as coisas aconteçam, qualquer profissional tem quer ter sensibilidade para entender o mundo, o ator mais ainda.

BCTQ – Fique á vontade para deixar suas considerações finais.

HG - Estou feliz em visitar a minha cidade. Percebo que muitas coisas mudaram, a gestão tem a capacidade de investir em cultura. Espero que as pessoas lutem pelas causas sociais, pelo povo. Pelo fato da cidade possuir muitos empregos, o momento é este. Quando lutamos por algo, algo muda em uma sociedade.

Obs: Entrevista foi realizada em janeiro de 2010, nessa época, Humberto ainda não tinha retornado para morar em Custódia novamente.


 
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