terça-feira, 29 de março de 2011

O "mico" de Jovino Costa Leão


Jovino Costa Leão era meu padrinho de crisma.

Comerciante, com endereço mais ou menos na metade da ladeira que dava acesso ao

Grupo Escolar General Joaquim Inácio. (Até hoje não sei o que este General significou para Custodia.)
O Padrinho tinha uma bodega, na qual comercializava cereais. Naquela época se chamava de Secos e Molhados. Comprava também produtos próprios da região, tais como, Couro de Bode, Couro de Boi, que seriam revendidos, curtidos e utilizados na fabricação de sapatos, selas e arreios para vaqueiros.

Comprava também para revender à SANBRA (Sociedade Algodoeira do Nordeste Brasileiro) algodão em pluma e mamona em caroço.

Em decorrência disso, todas as segundas-feiras (dia da feira) lá pras duas da tarde, eu encostava no balcão, e ficava por ali, zanzando, como quem não quer nada, até que a paciência do padrinho esgotava-se, me mirava por cima dos óculos com aquele olhar de sardinha enlatada, pegava, normalmente “um cruzado” uma moeda de um metal branco parecendo prata, colocava sobre o balcão, empurrava na minha direção e intimamente, devia dizer: Vai encher o saco em outra freguesia….!!!! Eu saía dali correndo.

Moeda na mão, direto tomar uma “raspada”.

Raspada era uma espécie de sorvete de gelo raspado, vendido por um “cabra” de Sertânia, que despejava num copo imundo, lavado inúmeras vezes na mesma água, e na mesma bacia, uns pingos de uma groselha, saída de um litro de vidro também imundo, com gosto de coco, morango e outros sabores, feita lá sabe Deus como.

O “cabra” deve ter ficado rico, porque a matutada “caía matando” na raspada de gelo com groselha.

A concentração na barraca da “raspada” era tão grande, que o divertimento de Edmundo Blandino era comprar um cacho de pitombas, ficar do outro lado da rua, e à proporção que chapava as pitombas, arremessava os caroços na cabeça da matutada, e depois, observado pelo atingido, fingia-se “de morto…”.

Mas meu Padrinho Jovino era uma dessas figuras queridas por todos. Extrovertido, Brincalhão e Feliz, mesmo tendo um dos antebraços amputados se superava. Entre outras utilidades, usava o “toco” para apoiar o taco jogando sinuca. Jogava razoavelmente bem. Se naquela época houvesse campeonato de sinuca de “masters” com certeza ele seria o campeão.

Tinha uma família bem estruturada. Lembro de suas duas filhas. Luizinha e Maria Luiza. Ambas altas bonitas e fortes.

Uma delas, destacava-se por ter uma “comissão de frente” bastante avantajada”. Eram dois pilares de fazer inveja ao pão de açúcar.

Mas vamos ao mico do meu padrinho Jovino.

Campanha para Governador do Estado. Disputa acirrada entre Pelópidas Silveira (UDN) e Jarbas Maranhão (PSD).

De repente, surgiu nos céus de Custódia, numa segunda feira, dia da feira, um aviãozinho teco – teco jogando do alto propaganda política. Emporcalhou toda a cidade com retratos dos candidatos e cartazes contendo promessas que jamais seriam cumpridas. Qualquer semelhança com os políticos dos dias atuais, não é mera coincidência.

Dr. Jarbas Maranhão visitava a região. Em Custódia, entre seus cabos eleitorais estava meu Padrinho Jovino.

Visitado, Padrinho Jovino manifestou o desejo e a necessidade urgente de ir até o Recife. Incontinenti, Dr. Jarbas colocou a disposição do meu padrinho Jovino uma das duas vagas existentes no teco-teco de seis lugares, e que naquela ocasião apenas quatro estavam ocupadas.

Convite oportuno e imediatamente aceito. Bagagem arrumada às pressas. Partida imediata no carro Ford 29 de João Correia até o “campo de aviação”.

Lá estava o teco-teco. Pintado na cor vermelha e branca com umas letras e números pretos. A galera insinuou que o Dr.Jarbas perderia a eleição por que “era Santa Cruz.”

Se fosse Sport ou Náutico. (?). Não deu outra. Perdeu feio.

Aquele vaticínio não se confirmou integralmente, porque naquele ano, o velho Santa foi supercampeão pernambucano, vencendo o Náutico e o Sport duas vezes consecutivas numa disputa de três pontos. Esquadão igual aquele time, o Santa nunca mais formou.
Anibal, Diogo e Sidney, Zequinha, Aldemar e Edinho, Lanzoninho, Rudimar, Faustino, Mituca e Jorginho…..

Tempos depois, em entrevista, Pelé disse que Aldemar que já pertencia ao Palmeiras, foi o único que o “parou” sem nunca ter cometido uma falta.

“Seo” Jovino entrou no aviãozinho, sentou-se, o piloto deve ter tê-lo ajudado a afivelar o cinto. Porta fechada, motor ligado ESQUENTANDO, hélice girando, meu Padrinho olhou pela janelinha, virou para o passageiro ao lado e exclamou:

RAPAZ, O AVIÃO ESTÁ VOANDO TÃO ALTO QUE O POVO LÁ EMBAIXO PARECE FORMIGA.!!!

Intrigado, o companheiro de viagem olhou pela mesma janelinha e disse:

NÃO “SÊO” JOVINO ! É FORMIGA MESMO. O AVIÃO AINDA ESTÁ NO CHÃO.

Conta-se que até pousar em Recife, Jovino Costa Leão não disse uma palavra.

Fernando Florêncio.Ilhéus/Ba
11/Nov/2009

segunda-feira, 28 de março de 2011

Estesia - Bete Balanço (cover)


Nova banda com sangue custodiense, formada pelos amigos Celso Jr. e Bruno Galdêncio, ambos filhos de Dr. Celso e Dr. Luiz Carlos Gaudêncio respectivamente. De nome ESTESIA, a banda surgiu como diversão entre amigos para curtir, há pouco mais de um ano a turma ensaia. A formação atual conta com: Celso Jr(vocal), Bruno (Guitarra), Dubara(bateria) e Larinho(baixo).

Seminário Todos por Pernambuco



No próximo dia 02 de abril (sábado) o GOVERNADOR DE PERNAMBUCO e seus secretários - inclusive o de Cultura, FERNANDO DUARTE - estarão na cidade de ARCOVERDE, no SEMINÁRIO TODOS POR PERNAMBUCO.


É um momento especial por que eles estarão ouvindo a população sobre as necessidades, e nós, que fazemos a CULTURA NO SERTÃO deveremos aproveitar a ocasião para apresentar o que precisamos em nossa  cidade e região.
Sugerimos que participem desse evento levando anotados as reinvidicação para serem apresentadas nas salas temáticas:
a - Listem os eventos culturais de sua cidade e região.
b - Solicitem oficinas artisticas e oficinas de capacitação para produtores culturais.
c - Principal: REGIONALIZAÇÃO DOS RECURSOS DO FUNCULTURA.
d - Criar URGENTEMENTE o programa TODOS COM A NOTA da CULTURA (da mesma forma que existe para os jogos de futebol, ter também para espetáculos teatrais, compras de livros, shows culturais, DVD's e CD's).

Anotem as reinvidicação e vamos mostrar ao Governador e ao Secretário de Cultura que o sertão tem propostas pra cultura, que queremos construir um novo estado, que queremos colaborar com a cidadania.

Vamos nessa!
Eu estarei aí com vocês nesse dia.

Saudações cangaceiras,

ANILDOMÁ WILLANS DE SOUZA
Assessor de Articulação do Sertão
Secretaria Estadual de Cultura
Serra Talhada
Tel. (87) 3831 3860 e (87) 9918 5533

sábado, 26 de março de 2011

O dia em que Custódia dançou ciranda com Almir Mello - parte 2


Segundo video de um dos momentos mais marcantes da Festa de São José de 2011. Acontecido durante o show RAIZES BRASILEIRAS do músico ALMIR MELLO.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Blog Familias Lopes & Santos




Desde de novembro de 2010,  um novo blog vem fazendo um belo trabalho na internet. Trata-se do Blog Familias Lopes e Santos, de autoria do meu grande amigo Carlos Alberto dos Santos Lopes, popularmente conhecido e carinhosamente chamado de Carlos de Zé das Máquinas.

Seu blog, conta com vários colaboradores, inclusive nosso colaborador José Soares de Melo. A grande maioria de colaboradores é formada por seus familiares. Nada mais oportuno, devido o direcionamento do site. 

Se você gosta de um bom texto, de uma boa narrativa, quer conhecer um pouco sobre a família Lopes e Santos, salve em seus favoritos o blog Blog Familias Lopes e Santos. 


Zé Melo recebendo boas vindas no Blog Familias Lopes e Santos


Diria que Custódia é um celeiro de gente sabida. É evidente que não estou particularizando os sete ou oito tipos de inteligências e sim sendo fiel ao costumeiro conceito do bom sertanejo. Este entende ser inteligente aquele capaz de absorver conhecimentos acima da normalidade, entretanto a este é facultado o direito de destacar-se entre os demais, e porque não, usufruir dos privilégios financeiros. Longe de mim querer sobrepor minha cidade às demais, reconheço a existência até de muitas inteligências de gaveta. Estes, tal donzelas encalhadas, levarão seus atributos a São Pedro.

No meu crescimento depois de menino fui observando em especial três cidadãos que naturalmente despontavam cada vez mais no seio da sociedade local, cada um seguindo evidentemente suas singularidades. Silvio Carneiro foi um dos admirados, alguém a se inteirar e a se respeitar. O segundo é um homem notoriamente sábio em termos de inteligência e conhecimento. Conviver com Pedro Pereira é degustar um aprendizado. Quando o homem fala assopra cultura pra tudo quanto é lado. É o tipo do sujeito aberto a ouvir e compartilhar o que aprendeu, mesmo se tratando da mais humilde das pessoas.

Esta última virtude foi absorvida por um sujeito magrinho e de pouca estatura, mas de uma capacidade de assimilar, compartilhar e trabalhar em equipe como poucos. Este é a terceira inteligência de Custódia e seu nome todos sabem muito bem. É melhor deixar que o próprio se pronuncie com suas próprias palavras, no geral flexionei apenas o verbo: ¨Meu nome é José Soares de Melo, nascido na zona rural de Custódia, num 7 de setembro. Autodidata, cursei apenas a 3a. Série ginasial, equivalente hoje a sétima série do ensino fundamental. Aos 10 anos, fui uma espécie de comerciário ambulante, vendendo sulanca nas feiras de Custódia, Sítio dos Nunes, São Caetano, Betânia, Fátima etc. Depois passei a balconista até idos da década de sessenta, quando passei a residir na zona rural novamente, até que ingressei no serviço público, primeiro como professor primário, depois passando para função de auxiliar de Escrita na Prefeitura, galgando promoções até ao maior cargo, Coordenador Administrativo, e cumulativamente exerci as funções de Secretário de Finanças e de Administração. Também exerci a função de Secretário de Finanças da Prefeitura de Serra Talhada, retornando a Prefeitura de Custódia, em 1992, onde permaneci até a aposentadoria em 1996. Vim para o Recife e ingressei na Arconsult, empresa de assessoria às Prefeituras, lá permaneci até sua extinção, passando então para a Exatta - Empresa dedicada a pesquisas, concursos, cadastros, trabalhos sociais etc., onde permaneço até hoje, na função de Assistente Técnico, responsável pelas licitações e contratos públicos da mesma¨.

No descrito acima pelo próprio José Melo, faltou um bocado de Zé. Cadê o Zé das famosas locuções dos programas das Duas Américas? Cadê o Zé apresentador dos programas de auditório em tardes de domingo no clube de Custódia? Cadê o Zé compositor da música ¨Lembrando de Custódia?¨ Cadê o Zé colaborador do blog Custódia Terra Querida (do querido Paulo Joaquim),  cadê o Zé que resgata os esquecidos que um dia embelezaram nossas vidas: Doca, Carí, Pedro Maraváia, entre outros? Falta um monte Zé! Viu Zé? Trocando em miúdo, quando pensamos, ele já tem feito. Quando concluímos, ele já repassou. Ouvi muito matuto inteligentemente dizer: ¨Quem tem Zé Melo por perto não tem com que se preocupar. É a mais santa verdade! Trabalhei com ele na Prefeitura de Custódia e trinta anos depois nos encontramos num ambiente de internet. Quem ganha com isso são os usuários deste blog, desfrutando os maravilhosos escritos do famoso Baú do Zé. Inteligência é isso aí, permitir que outros possam pensar e compreender melhor. Em nome de todos os usuários e colaboradores deste modesto blog felicitamos-lhe pela sua colaboração. Seja bem vindo José Soares de Melo, o nosso Zé Melo.

Blog Famílias Lopes & Santos 
Administrador

Almir Mello e a CIPO Produções e Eventos


Caros amigos


Em abril iremos inaugurar a CIPÓ Produções e Eventos, uma sociedade minha com o músico, compositor e cantor César Pope, que vai promover eventos culturais como: shows musicais, obras teatrais, DJs, palestras, workshops, aulas, entre outras atividades.


Representaremos artistas renomados de São José dos Campos, Vale do Paraíba e outras regiões.

Acessem o blog www.cipoeventos.blogspot.com para mais informações

Um forte abraço
Almir Mello

quinta-feira, 24 de março de 2011

Amigos, eternos amigos


Faz tempo que queria escrever sobre o tema amigos. Falar daquela sensação boa que é poder contar com eles, independente da enrascada que se meteu. Unifiquei algumas fotos, pois somente assim poderia reuni-los. Afinal, Dona Vida tratou de mandar cada um pra um canto diferente. Porém não quero falar de qualquer amigo e sim daqueles lá da infância. Aqueles que cresceram com a gente. São os mesmos que num determinado tempo pensavam e agiam num só pensamento. Todos queriam a mesma namorada, o mesmo filme e os mesmos gibis. Alguns deles brilharam em nossas vidas, mas logo cedo subiram ao céu. 

A grande maioria ficou na terra, viraram adultos e evidentemente se tornaram pessoas diferentes. Rubens (Binha) foi um sujeito autêntico, inteligente e batia um violão como ninguém. A foto representa o primeiro retorno de Brasília. Algum tempo depois voltou em definitivo com a saúde totalmente comprometida. A foto com Genildo foi tirada num 7 de setembro antes do desfile.  O diretor da escola (meio embriagado) resolve revisar a tropa. Por termos consciência da gravata presa por elástico buscamos Quinca Fotógrafo segundos antes da nossa vez. Escapamos!  Na foto central a garotada não estava na praia de Boa Viagem e sim numa barragem a sangrar por contas da boa invernada. Eu, Jefferson e Fernando, entre outros, não perdíamos um banho de barragem ou açude. 

Logo abaixo aparece a galera em pose de ¨na falta disso vai assim mesmo¨. Houve uma época em que íamos receber uma foto e já tirávamos outra, sempre improvisando. E por ultimo, uma foto de natal no interior do bar Sabazinho, onde além de mim aparece Enildo, Fernando, Antônio e Carlos Nunes.  Aos que não sabem, no centro da Praça Padre Leão (outrora praça de baixo) funcionou um bar por muitos e muitos anos. Enfim, esses garotos cresceram e tomaram jeito de homens e até esqueceram alguns sonhos. Porém nunca e jamais vão esquecer-se dos amigos de infância e da adolescência. É sempre uma surpresa agradável esbarrar com essa galera em algum fim-de-ano. Afinal, temos lembranças em comum guardadas lá no fundo dos nossos corações, vividas na década de setenta.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Maciel Melo - Festa de São José 2011


Retornando à Custódia pela segunda vez – ano passado se apresento no Forró no Rancho – o cantor e poeta Maciel Melo ficou encarregado de encerrar as festividades do padroeiro São José. Diferente de sua vinda anterior, veio dessa vez com sua banda completa.

Sua apresentação começou logo após o show Raízes Brasileira de Almir Mello e convidados. Não sei se pelo horário, ou por ser num horário avançado para um domingo à noite, ou talvez pelo incidente no dia anterior, o fato é que o artista fez sua apresentação para um público reduzido. A organização da festa pensa não usar mais os domingos, em função justamente da feira no dia seguinte e pela falta de público.


Na minha opinião, o esvaziamento de shows de artistas que valorizam o autêntico forró a cada dia aumenta fruto dessa avalanche musical tocada aos quatros canto chamada de forró estilizado. Nada contra esse estilo, mas vamos refletir um pouco sobre o assunto. Essas bandas estão a cada dia afastando o público do autentico forro.

Verdadeiros artistas e poetas como Flávio José, apenas para citar um nome, estão sendo engolidos por um modismo, que inverte totalmente os valores do que é bonito e que ressalta a nossa cultura. Música boa hoje tem que falar de ‘rapariga, cachaça e cabaré' para ser taxada de sucesso. Por mais que a Prefeitura e produtores locais tragam artistas diferentes do forró estilizados, como foi o caso de Adilson Ramos e José Augusto em festas passadas, percebe-se que a presença em suas apresentações é sempre menor.


Vamos ao show, repetindo quase o mesmo show apresentado ano passado, Maciel Melo começou sua apresentação com músicas novas, para depois desfilar composições sua que ficaram imortalizadas nas vozes de artista como Elba Ramalho, Petrucio Amorim, Jorge de Altinho e Flávio José entre tantos outros.

Contando com uma banda super competente, não se abateu com o pequeno público, se apresentou como se tivesse frente a um grande público. Profissionalismo como poucos.

E assim encerrou-se mais uma Festa de São José, segundo organização, no próximo ano não será mais realizado no pátio da rodoviária – apesar de ser um excelente local -, tudo indica que será em um novo parque de eventos.

Por Paulo Peterson - 22.03.2011

O dia em que Custódia dançou ciranda com Almir Mello


Um dos momentos mais marcantes da Festa de São José, foi certamente durante a apresentação do músico  Almir Mello e convidados, no último dia de evento (20.03.2011).

A ciranda conduzida por dona Nicinha(Mãe), foi um momento ímpar, a imagem diz tudo, familiares em frente ao palco num grande círculo com a trilha sonora do espetáculo RAIZES BRASILEIRAS.



Como o próprio músico afirmou "Um show atrativo, cultural, de alegria contagiante".

 
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