sábado, 21 de maio de 2011

Independente Futebol Clube


Um dos times mais famosos que nosso município já teve, era o Independente, representou durante muito tempo nossa cidade por toda região. Seus jogos aconteciam onde hoje funciona a fábrica de doces Tambaú. 

Na foto Dr. Ferdinando Feitosa, Zezinho de Diva, Natalício do DNOCS, Eli Constantino e Fernando Vitor.

Foto: cortesia Nadilson Santos

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Joel de Holanda em visita à Custódia


Joel de Holanda – na época Secretário Estadual de Educação – quando se dirigia para a inauguração do Departamento Municipal de Educação, situado na época na Rua Tenente Moura, acompanhado do então prefeito Luizito, Alzira Tenório, Arnaldo Burgos e Severino do Rádio – vereadores, Dr. Pedro Pereira, Dr. Cândido – Delegado de Polícia, Dr. Zezito – diretor do Perímetro Irrigado do DNOCS e Zenilda Burgos.

A foto registra o momento em que passavam pela Rua José Ferraz (Beco da Difusora, hoje conhecido como Beco do Bengo).

Por Paulo Peterson
Colaboração: José Soares de Melo

O Causídico


Naqueles tempos difíceis, a justiça propriamente dita era resumida a figura do Juiz de Direito – geralmente acumulando várias Comarcas e visitando esporadicamente cada uma delas, o promotor, da mesma forma, e o Oficial de Justiça, que geralmente morava na cidade. Advogados, apenas para aqueles que dispunham de recursos suficientes para “importar” um de Arcoverde ou do Recife. A maioria da população tinha que se contentar, para defesa de seus direitos, com a figura do rábula, prático que fazia as vezes de advogado.

Custódia teve alguns rábulas famosos, a exemplo de Juvino da Costa Leão, a quem eu sempre o chamava de “Padrinho”, que muitas vezes subiu a tribuna para defender réus pobres. Exercia naquela época as funções de Advogado dos Pobres, cargo que seria hoje o de Defensor Público.

Conta-se que certa feita, ocorreu um Júri, onde a acusação fora feita por um jovem e entusiasmado Promotor. Na Defesa, o Advogado dos Pobres, Juvino da Costa Leão.

Empolgado, o defensor deitou o verbo para convencer os jurados a inocentar o réu. Animado com as palmas da platéia, encerrou sua defesa com uma frase em latim:

Por isso, Senhor Juiz e Senhores Jurados, peço a absolvição do réu, afinal, “Dura Lex, Sed Lex” (dura é a lei, mas é a lei).

A pequena sala que servia de Fórum quase vai abaixo com tantas palmas dirigidas à erudição do orador. O promotor, por sua vez, sabendo das limitações do defensor, tentou colocar o mesmo no “pé da parede”, fazendo a sua última intervenção:

– “Muito bonita a alocução do nobre defensor, mas gostaria que ele traduzisse o “dura lex sed lex”!

Ao que o rábula provou que a esperteza por vezes supera o conhecimento.

-“Pois não Excelência, eu reconheço que o Senhor e o MM. Juiz, por serem bastantes jovens, ainda não tem muito conhecimento da língua latina, por isso passo a traduzir: ”Dura Lex, Sed Lex,” quer dizer, “Dai a César o que é de César!”.

Desta vez os aplausos estrondaram na pequena sala, e o MM Juiz e o Promotor ficaram impossibilitados de retrucar, pois a platéia jamais iria desacreditar nos “conhecimentos” e “experiências” do velho rábula.

Por: José Soares de Melo (jotamelo@exatta.com)

Bin Landen é Pernambucano! e de Custódia.


Veja matéria encontrada na Internet, sobre o custodiense Adão Alves do Amaral.

Após a confirmação da morte de Bin Laden no Paquistão, aqui no Brasil tem gente “faturando” alto com a semelhança física com o “dito cujo”. No Paraná, o candidato a deputado federal Adão Alves do Amaral (PMDB), se registrou como BIM BIM e complementou com uma “produção” pra árabe nenhum botar defeito.

O Bin Laden de Custódia é Vereador em Paiçandu, no Paraná, e pelas declarações abaixo de alguns eleitores, é um bom político: 

ERICKA BETANI disseBOM CARO AMIGO, SOU UMA MORADORA DO GUARUJÁ LITORAL PAULISTA E TENHO MUITO A COMENTAR SOBRE ESTE SER QUE APARECE AO LADO DAS PREFEITAS, ESTE HOMEN É SEM DÚVIDAS UMA PESSOA DE MUITA GARRA E EXTRAORDINÁRIA CONDUTA MORAL, ELE TEM UM CURRICULO ESPETACULAR CASO NÃO SAIBA, ELE JÁ FEZ MUITO POR NOS MORADORES AQUI DE UM BAIRRO CHAMADO VILA ÁUREA E PRAINHA, SERIA ÓTIMO CASO VC QUEIRA ENTRAR EM CONTATO COM ELE E FAZER UMA ENTREVISTA QUE IRÁ RENDER MUITA EXPERIÊNCIA E CURIOSIDADES, ELE TEVE MUITAS DIFICULDADES NA VIDA E ATÉ CHEGOU A PASSAR FOME MAIS NUNCA PERDEU A DIGNIDADE DE UM HOMEN CORAJOSO E VENCEDOR.EIS AÍ UMA PESSOA QUE TODOS APENAS REPARAM PELA APARÊNCIA, PELA EMBALAGEM E NÃO SABEM DA PEDRA BRUTA DE DIAMANTE QUE TENS AO SEU INTERIOR. FIQUEI SUPRESA EM ACHAR ESTA FOTO NA INTERNET. AGRADEÇO DE CORAÇÃO, TUDO BEM QUE APENAS ESTAMPARAM A SUA IMAGEM E É UMA PENA QUE VCS ESQUECERAM DE ESTAMPARA A SUA ALMA O SEU CORAÇÃO QUE COM CERTEZA E DE MUITA VALIA E QUE SEM DÚVIDAS POR SER ENORME NÃO TERIA ESPAÇO PARA EXPOR.FICA AQUI RELATADO MEUS COMENTÁRIOS E CASO QUEIRA ENTRAR EM CONTATO DEIXE SUA MENSAGEM OU CRÍTICAS POIS E COM AS CRITICAS QUE SABEMOS A IMPORTANCIA QUE FAZEMOS AO PRÓXIMO. BEIJOS ERICKA.

Andrea Amorim disse… É MAIS FACIL CRITICAR DO QUE ELOGIAR ASSIM É O BRASILEIRO..QUERO DIZER A TODOS QUE FIQUEI MUITO FELIZ EM VER ADAO ALVES DO AMARAL O GRANDE BIM-BIM NESSA PAGINA DA INTERNET,COM GRANDE CORAGEM E DETERMINAÇAO ELE ESTA AI AJUDANDO O PROXIMO ALGO QUE ELE MAIS GOSTA DE FAZER.ELE É UM GRANDE CIDADÃO SEMPRE EM BUSCA DE MELHORAR E AJUDAR AO CRESCIMENTO DE UMA VIDA MELHOR A TODOS…ELE SEMPRE SERA UM VENCEDOR POR SE PREOCUPAR EM FAZER O BEM POR CADA LUGAR QUE ELE VENHA PASSAR.PARABENS BIM-BIM POR SUA CORAGEM E DETERMINAÇÃO,QUE DEUS ABENÇOE RICAMENTE OS SEUS CAMINHOS DE DANDO SABEDORIA PARA TRILHAR NESSA GRANDE EMPELEITA QUE É ESSA POLITICA,UM GRANDE ABRAÇO ANDREA.

Alessandra disse… Olá a todos, este cara é fantástico!!!Um bom pai, amigo e sem dúvida o melhor político que todos que o conhecem pode afirmar.Por esta razão deico aqui declarado o meu amor por ele e quero dizer também que você Adão apesar de longe continua aqui pertinho de mim nunca e jamais o esquecerei pois és uma pessoa maravilhosa.


E para que ninguém diga que é mentira, aí está a ficha do candidato, registrado no TRE do Paraná:


Dados fornecidos pelo candidato no processo de registro de candidaturas, entrar em contato com o Cartório eleitoral no município:


Matéria enviada por: José Soares de Melo em 26.11.2008

Germano de Souza Lima


Germano de Souza Lima substituiu o pai no Telégrafo Nacional, como funcionário, quando esse faleceu em 1906. Germano nasceu em 1883. Faleceu em Custódia, onde residia e foi sepultado no dia 19 de Março de 1964. Casou-se com Francisca Maria de Souza (Santa), filha do Capitão Severo, de Sertânia, um dos fazendeiros mais abastados da região.

Passou a residir em uma das fazendas do sogro, no município de Custódia, por nome Boa Vista, onde ainda moram seus filhos: Léo, Marieta e José.

Germano levou de Pitombas-PB., sua mãe viúva e quatro irmãos solteiras: Emília, Joana, Quitéria e Doninha.

Sua esposa, Santa, faleceu no dia 07 de Maio de 1966, em Custódia, onde foi sepultada. Do seu casamento com Santa, nasceram quatorze (14) filhos; cinco (5) morreram na primeira infância, criando nove (9). São Eles: Leodegário de Souza Lima, João de Souza Lima, Marieta de Souza Lima, Raimundo de Souza Lima, Lucas de Souza Lima, Romeu de Souza Lima, José de Souza Lima, Manoel de Souza Lima e Inácio de Souza Lima.

Germano foi presidente da Câmara de 1948-1949, no bairro da Redenção, a avenida principal leva seu nome.

Primeira equipe de Jiu Jitsu de Custódia



Meu nome é Klebson Alves de Oliveira, nasci em Afogados da ingazeira – PE em julho de 1984, sou faixa azul de Jiu Jitsu. Vim para Custódia em agosto de 2006 e aqui abri um Estúdio fotográfico (Stúdio Foto Digital). Pratico a um bom tempo Jiu Jitsu, tive como primeiro professor Marcelo Professor de jiu jitsu.

E a princípio notei que infelizmente o esporte de nossa cidade esta caminhando lentamente e vendo que a cidade não tinha nenhuma arte marcial. Com a cobrança de alguns amigos para abrir uma academia de jiu jitsu e contando com o a paixão que tenho por esse esporte, ambos ajudaram a abrir. E uma das coisas principais foi trazer para nossa cidade um esporte de qualidade que é acompanhado de disciplina, com uma ajuda física e mental.

Começamos em julho de 2008 com 4 componentes: Eu, Leandson, Fernando e Thiago, hoje temos mais de 15 jiujiteiros, pelos quais já participaram de 2 campeonatos tendo como resultado 11 medalhas.

Hoje fazemos parte da Federação brasileira de Jiu Jitsu Nova União e contamos com o apoio de Mestre Josias, Chicão, Gesse e demais componentes da Nova União.

E hoje somos a primeira equipe de Jiu Jitsu da história de Custódia!

Legado de Carolina Pinto

Através deste espaço aberto, quero lembrar uma pessoa que foi amiga e fez gênero de cupido para os casais enamorados de Custódia à época.

Carolina Pinto ou Dona Calú, irmã do espirituoso Floriano Pinto (in mememorian) era donzela com seus quase setenta anos de idade e de uma beleza própria. Não casou, talvez, porque não encontrou sua cara metade. Com seu carisma e a sua solidão eminente, conquistava a todos. Possuidora de uma voz mansa, porém, firme, apesar da sua deficiência visual, nada lhe afugentava. A fé era a mola propulsora das atividades diárias. Interessante era a disponibilidade para rezar nas segundas-feiras e aos sábados. Era sagrado rezarmos o Ofício da Imaculada Conceição, impreterivelmente às 18 horas, em sua residência, na Rua da Várzea, vizinha a casa dos meus pais. Lá, rezávamos todos de joelhos e como ela não enxergava, mamãe era quem fazia a leitura das orações; meus irmãos e eu fazíamos o coro.
Esse legado de fé e religiosidade marcou nossas vidas. Tanto é que minha irmã Lélia é freira. Hoje, após tanto tempo, ainda sabemos a oração do Ofício decorada.

Um abraço,
Lindinalva Pinto.
Custódia, 26 de novembro de 2008.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Blog: "Da Psico ao Caos"


Francisco Alves:

Nascido em Custódia, chegou à Limeira no início da década de 80 em busca de novas oportunidades. Trabalhou em algumas empresas e no ramo da construção civil e no comércio. Pertenceu ativamente a corporação da Policia Militar/SP; fundou e presidiu a Associação dos Cabos e Soldados; exerceu com muita honra a função de Secretário de Segurança Pública em Limeira; é formado em Ciências Jurídicas, tem habilitação em Jornalismo e especialização em Marketing, graduado na escola de Psicanálise Clínica do Brasil. Poeta, escritor, compositor, participou de varias antologias em Limeira, tendo vários trabalhos publicados É membro fundador da Academia Limeirense de Letras, tendo como patrono o prof. Célio Sampaio. É também Comendador e Conselheiro da Câmara Brasileira de Cultura e membro titular da ordem Acadêmica dos Intelectuais do Cone Sul.


Curiosidades de nossa terra: Você sabia??


Neste ‘post’, quero apresentar novas idéias surgidas através de sugestão do amigo custodiense Wilame Venancio, filho do Sr. Ulisses do DNOCS. A dele foi criar uma seção chamada VOCÊ SABIA? 

Para inaugurar esta seção, Wilame nos mandou 03 curiosidades, confiram:

1) Onde hoje está edificado o Banco do Brasil já foi um cemitério?

2) Onde hoje está edificado o comércio de Aluizio do Caminhão e a oficina de Zé Galego também foi um cemitério?


3) O cantor de merengue Kakau Gois é natural de Custódia? (Janúncio Custódia quem o informou)

VOCÊ SABIA???

Não deixe de colaborar com curiosidades sobre a nossa terra. Envie seu material para o e-mail: paulojppereira@yahoo.com.br, fotos também serão bem vindas.

O Outro lado da moeda


Enquanto o ônibus quase vazio fazia o trajeto Boa Viagem-Piedade, veio-me a mente lembranças da minha infância na pequenina e então atrasada Custódia. E relembrei uns pobres versos que cometi recentemente, publicados neste blog, relembrando as coisas boas da infância e atentando para o fato de que só mencionei as coisas boas, as lembranças gostosas daquele tempo. Aliás, parece que ninguém gosta de lembrar o lado ruim de nenhum momento da vida. E questionei-me: porque? E comecei a lembrar alguns momentos que sinceramente não são bons de recordar. Por exemplo, topada. Qual o menino livre que naqueles tempos, brincando e correndo descalço pelas ruas da cidade, jogando bola de meia, não esfolou o dedão do pé, numa topada “da mulésta” daquelas? Pense numa dor da gota. O jeito era improvisar um curativo nada convencional: lavar o ferimento, botar pó de café e enrolar o desditoso dedão do pé com pedaço de pano. E pedir a Deus que o pai ou mãe não completasse a desdita com um novo curativo, onde seria aplicado álcool e o famigerado mercúrio cromo, que ardia pra danar.

Quer ver outra lembrança nada agradável? Era levar uma mijada de “potó” ou de “papa-pimenta”. Queimava mais que fogo, e no outro dia a grande bolha denunciava a queimadura. Mas doer mesmo era quando a bendita bolha estourava. Interessante é que hoje em dia ninguém fala mais em “Potó” ou “Papa-Pimenta” . Parece que foram extintos pelo “pogréssio”.

Outro inimigo da molecada naqueles tempos de Custódia, era um bezourinho, minúsculo, fedorento, que proliferava nos frondosos “pés-de-figo” espalhados por toda a cidade. Conhecido por “Lacerdinha”, aqueles bichinhos minúsculos causavam profundo ardor, queimava mesmo, quando caíam nos olhos. Também não vejo mais falar deles. Aliás, com a erradicação dos “pés-de-figo” eles ficaram sem o habitat natural.

Já na periferia da cidade, que se resumia a Rua da Remela e adjacências, era a conjuntivite, que não raro atingia praticamente toda a cidade, com o sugestivo nome de “remela”. Sem falar na “papeira”, (Caxumba) que segundo crença, se o menino fizesse esforço ela desceria para os “ documentos” e era morte na certa. O remédio era passar a lama de uma casa de “João-de-barro”, e mugir na porteira de um curral, de manhãzinha. Catapora (varicela) e Bixiga ( Varíola) eram os maiores temores daquela época.

Uma vez por ano Custódia recebia milhares de visitantes que, se por um lado era uma beleza aos olhos, por outro lado era um problema para a cidade. Falo das andorinhas de março. Milhares delas se aglomeravam no telhado da Igreja matriz, e sempre que sino badalava era uma revoada imensa, formando verdadeiras nuvens de aves que saiam e como sempre, despejando seus indesejáveis “presentinhos” na cabeça de quem estava por perto. Recordo que a molecada se vingava de uma maneira muito original, apesar de malvada: faziam pequenos anzóis de alfinetes, pegavam mariposas vivas e colocavam como iscas nesses anzóis, presos por uma fina linha. Quando soltava a mariposa, esta ficava batendo as asas no ar, suspendendo o pequeno anzol. Quando o olhar atento de uma andorinha via a mariposa, dava um vôo rasante e bicava a mariposa e junto a ela o anzol, era fisgada a pobre ave. Malvadeza, mas era a vingança da molecada.

Tudo isso aí era o que de pior existia para a molecada daquele tempo. Pior do que isso? Tinha, sim. Era ter o entusiasmo de ver chegar o Circo de Sêo Alegria na cidade, e na estréia do espetáculo (no verdadeiro sentido da palavra), não ter dinheiro para apreciar as piadas inesquecíveis do Palhaço Biriba ou as magias incríveis do maior ilusionista que já vi até hoje, Sêo Alegria. Era impressionante os números de magia de Sêo Alegria. Creio que ele praticava a hipnose, pois certa vez eu estava sentado em uma “preguiçosa” no oitão da mercearia de meu pai, na Av. Manoel Borba, quando ele, acompanhado da meninada passou por perto de mim. Me olhou fixamente e mostrou uma grande e reluzente moeda, que seria de ouro e perguntou-me se eu a queria. Claro que disse que sim, tendo ele soltado em minha mão a dita cuja. Levantei-me às pressas e fui mostrar a fortuna que havia ganho a minha mãe e…desilusão: estaca com um caco de telha na mão.

Não havia sofrimento maior que ficar do lado de fora do circo, e não poder apreciar aquele mundo, pela ausência de alguns míseros trocados. Ainda bem que tais lembranças raramente nos acomete, as boas lembranças se sobrepõem a essas.

José Soares de Melomelodecustodia@hotmail.com

Relíquias de nosso futebol


Da esquerda para à direita: Toreba, Branco Góis, Rió e João Bosco.


Prefeito Francisco Pereira da Nóbrega

Francisco Pereira da Nóbrega, foi Prefeito entre 23/03/1946 a 07/12/1946. 



Nesse período foi conseguido pelo Sr. José Pires Ferreira (Zuzu Pires), a construção da Cadeia Pública, tendo como construtor Duda Ferraz. A cadeia anterior era em um quarto vizinho ao antigo P.T.B., lugar incômodo e em péssimas condições.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Ser


Por  via blog Esboço de Menina: Ser!

Eu posso até te pedir desculpas por ser assim,
mas deixar de ser,
hoje, jamais...

Sabe quando a gente passa por tantas coisas
e pelo simples medo de que tudo venha a se repetir,
não enfrentamos e nos damos,
como nos tempos de menino?
Pois bem.
Hoje sou assim:
Aquela que sente muito mais que antes,
mas pelo grande poder da razão
não se dar por inteiro.
- mesmo querendo te dar o mundo!

Quando a gente sente tudo
com cheiros e cores diferente do “normal”:
Opa! Algo está para acontecer!
(Mas será mesmo? Ou nada acontecerá?)

Hoje, sou assim...

Também não me queira mudar,
pois mudo completamente.
Tão intensamente que,
confesso,
chego a “sufocar”!,
a estar com você até em seus pesadelos!

É... eu sou assim...

Pareço criança,
para alguns.
Para outros pareço companheira.

Sou assim!

Volta ao passado - Família Carneiro Farias de Souza

Família Carneiro Farias de Souza



Tendo recebido um amável convite de Eliane Remígio, participei no final de semana passado de um dos momentos mais emocionantes que tive. Uma caravana com dezoito integrantes visitava a belas praias pernambucanas, e nessa ocasião, depois de mais de trinta anos, pude rever um dos melhores amigos de infância que tive, o Emilson Pires, juntamente com seus irmãos Elzirinha e Elson, bem como demais familiares. Também revi custodienses que não via havia muito tempo: Dr. José Carneiro, Juiz de Direito, Elvira Rodrigues, Jailson Vital, Dona Ozanira (mãe de Jailson), Creusa (a quem eu chamava de Dona Creusa, e os mais íntimos de Cristo), esposa do saudoso Sílvio Carneiro, Betinho Amaral e muitos outros. 

Voltei no tempo. Do amigo Emilson – carinhosamente apelidado na infância de Cebolinha, lembrei de uma das “traquinagens” que cometíamos. As brincadeiras “de render”, as peladas nas Gramas da Várzea (onde hoje está construída a quadra de Esportes e a minha casa). Um fato curioso me veio à lembrança. 

Próximo à Farmácia de “Sêo” Elpídio, tinha a mercearia de Djaci, pequeno estabelecimento comercial onde por vezes fazíamos ponto. 

Certa vez, num desses encontros, estávamos, eu, Emilson e um outro amigo comum. Não sei como, surgiu uma discussão em que Emilson afirmava que eu e o outro amigo não seríamos capazes de comer o conteúdo de um vidro exposto no balcão: tratava-se das saborosas “mariolas”, coqueluche daquela época. Come não come, até que Emilson propôs: se nós comêssemos todo o conteúdo de mariolas, ele pagaria a conta. Em princípio, tive medo de não conseguir, pois se isso ocorresse, nós teríamos que pagar. De minha parte eu não tinha um tostão no bolso. 

Mas, devido à pressão que se fez, nós topamos comer a “mariolada”. Contadas, creio que somavam umas trinta mariolas. 

Começamos a degustar as “benditas” Mariolas, deliciosas no início. Lá pela metade, Emilson resolveu apelar: mandou colocar dois copos com água em cima do balcão, para provocar a sede. Resultado: as últimas Mariolas desceram “na marra”. Quase não conseguimos devorar aquele pacote de mariolas. Aí foi uma sede – como diria o Lula “nunca antes vista nesse País”.

Bebemos água a mais da conta. Com estômago pesado, nós mal podíamos andar. E tivemos que esperar baixar o peso da barriga, deitados na sombra, lá nas Gramas. Passei um bom tempo sem nem poder olha para doces. 

Outro fato me veio à lembrança naquela agradável noite. Cheguei a comentar com o próprio Betinho. É que quando da doença que vitimou D. Eliza, sua mãe, Betinho, com seus doze ou treze anos causou verdadeira admiração na população, pelo seu comportamento. Cuidou de sua mãe igual ou melhor que muitos adultos poderiam fazer. Isso me fez admirar o Betinho, que abandonou nossas brincadeiras na rua para dar assistência a sua querida mãe. 

E mesmo ausentes, muitas outras figuras me vieram à mente naquele encontro emotivo. Geraldo de João Dentista, Zeraldo (de Chiquinho de Elizeu), Edinho (filho de Lourdes, uma protética que morava pertinho do PTB), e muitos outros que fizeram parte da turma que infernizava a vida do Padre Luiz, com as brincadeiras de render, ao redor da Igreja. Certa feita, sozinho, estava eu na calçada da igreja, aguardando a turma. Peguei um pedaço de carvão e comecei a desenhar no cimento grosso da caçada, um enorme revólver. Não percebi que o Padre Luiz, sorrateiramente, saiu da Casa Paroquial, e dando a volta pelos fundos da Igreja se postou de pé, por trás de mim. Quando concluí a “obra”, ouvi a frase, carregada do sotaque alemão: 

- “Custódia é sempre Custódia”! 

Bons tempos aqueles. Descompromissados, livres, sem o estresse das cidades grandes, aquele tempo realmente foi o melhor que vivi em toda a mina existência. Os passeios pelos arredores da cidade, em busca de Umbu, a caçadas de “rolinha”, com “petecas”, os banhos nos riachos e na cachoeira, os piqueniques organizados pela Escola, enfim, muitas atividades que preenchiam um pouco aquela monótona vida de cidadezinha do interior. 


(PS: Agradecimentos especiais a Eliane, que nos recebeu tão gentilmente, a mim, a Ana Carla e ao Bruno)

Texto e Foto: José Soares de Melo

José Pereira Burgos



12 de Outubro é aniversário de nascimento de um custodiense que teve destaque na nossa querida Custódia pelo seu exemplo de amor ao próximo, dignidade e honradez. Estamos falando de José Pereira Burgos, filho de Antônio Burgos de Santana e Maria Dolores Pereira de Sá, nascido no dia 12 de Outubro de 1922.

Ele ficou órfão de pai com apenas um ano e três meses e no ano de 1932 também ficou órfão de mãe. Seu tio materno José Cassiano Pereira de Sá, colocou-o no orfanato do Padre. José Venâncio de Melo, no bairro dos Coelhos na capital pernambucana. José Pereira Burgos sempre guardou profundo respeito e gratidão, pela maneira que Pe. Venâncio o tratava e afirmava que ele foi o pai que conhecera. No final da década de trinta, o Padre Venâncio faleceu e mais uma vez José se viu órfão, ficando traumatizado a ponto de abandonar seus estudos, passando a conviver em companhia de Maria Licor Pereira Ferraz na cidade de Arcoverde.

A obrigatoriedade de prestação do Serviço Militar coincidiu com a eclosão da Segunda Grande Guerra, quando foi incorporado ao Exército Brasileiro, tendo prestado Serviço Militar, inicialmente na zona praeira de Pernambuco, que durante a fase beligerante foi considerada “Área de Segurança Nacional“, ele esteve com seu irmão caçula, Antônio Pereira Burgos, varias vezes em Fernando de Noronha. Os jovens que estavam lotados na zona praeira poderiam embarcar para a Europa a qualquer momento, José foi para a Capital do Pais, na época Rio de Janeiro, onde recebeu treinamento na Companhia Moto mecanizada. Embarcou em um navio para ir a Monte Castelo, quando chegou a noticia que a guerra havia acabado. Ele contava que a alegria foi grande.

Finda a Grande Guerra, no final de 1945, o custodiense foi desengajado do Exército, voltando para a cidade de Pesqueira, onde passou a trabalhar na Fábrica Peixe.

Em 1947, José Pereira Burgos ingressou na Companhia Antárctica Paulista, inicialmente como motorista, em cuja função, graças a sua expressiva comunicabilidade e simpatia, mostrou pendores para o comércio, passando com sucesso a vendedor, resultando que, antes da virada da década, foi promovido a Vendedor-Distribuidor da Antárctica para toda toda zona sul da Grande Recife da época.

Dia de seu noivado com Noemia Pereira Burgos

No ano santo de 1950, enamorou-se com a jovem Noêmia Pereira Marques, filha do casal Joaquim Pereira da Silva e Corina Marques Pereira, noivando formalmente e depois contraindo núpcias. Em 1952 nasceu o filho primogênito Arnaldo Antônio Pereira Burgos, a que se seguiram Helena Jussara, Marcelo Genário, Luciano Thadeu, Hiran José, Valéria Epifânia e José Venâncio, este último, assim denominado numa homenagem ao grande benemérito Padre José Venâncio.


 Com seus sete filhos e esposa Noemia


No ano de 1955, sob a orientação do seu sogro, Joaquim Pereira da Silva, que era licenciado como farmacêutico-prático pelo Departamento de Saúde Pública do Estado de Pernambuco, passou a absorver toda literatura da Farmocopéia Brasileira disponível na biblioteca do sogro e na sua particular. Na Avenida Inocêncio Lima foi instalada legalmente a “Farmácia Galeno“, que marcou uma página no comércio de medicamentos de Custódia, aliando a mercancia com a filantropia.

Na Farmácia Galeno, nas horas de folga, sorvia amplos conhecimento do renomado livro CHERNOVITZ, editado em 1916, na França, em língua portuguesa, contendo cerca de mil páginas sobre a Flora brasileira, e, principalmente, um verdadeiro tratado sobre os nossos recursos minerais e hidro-minerais, onde pontificou para o orgulho de todos os Custodienses, principalmente para José Pereira Burgos, expressiva citação: “Pajeu (sic) de Flores“- água mineral conhecida por “ÁGUA SÁBÁ”- referência à fonte de águas minerais, da vila Custódia, que, depois, em 11-09-1928, passaria a cidade. Sempre aumentando seus conhecimento no Chernoviz, passou a correr o município em dias de folgas, principalmente nos fins-de-semanas, ao lado do velho amigo João Prefeito, encontrando indícios de mica, coalim, pedra-sabão e, em especial o roxo-terra natural, da cor da ametista ou violeta, manacial existente nas terras do Quitimbu e descoberto por José Pereira Burgos.


Genário Pereira Burgos (irmão), Zé Burgos e Antônio Pereira Burgos (irmão).

Convém lembrar que na época da construção de Brasília inúmeras pessoas recorreram ao Seo Zé Burgos pedindo auxilio para comprar uma passagem de pau-de-ararra ou de ônibus, para tentar a vida na Capital


Bisnetos Pedro, Zenilda e Leonardo, mesmo morando no Rio de Janeiro, herdaram a paixão de torcer pelo Sport Clube do Recife.

No início de 1964 foi nomeado Funcionário Público Federal, passando a servir no Departamento Nacional de Estradas de Ferro, sediado na Praça da Bandeira, na Ilha do Retiro, Recife. Destacamos a Ilha do Retiro em razão de ali se encontrar o patrimônio de glorioso SPORT CLUBE DO RECIFE, que sem dúvida foi a grande paixão do José Pereira Burgos. Enquanto viveu no cidade do Recife chegou a ser Sócio-Patrimonial, possuindo cadeiras cativas e era conhecido nos dias de partidas disputadas pelo Sport. Na cidade de Custódia , ainda hoje residem torcedores rubro-negros que foram “preparados“ (com bombons, chocolates e refrigerantes, etc.) por Seo Zé Burgos para torcer pelo Sport Clube de Recife, o Leão da Ilha de Retiro.

Zé Burgos na Fármacia Pereira com Dona Corina Pereira e sua esposa Noemia Pereira Burgos.

No final da década de 60, ele fixa definitivamente em sua querida Custódia, voltando a trabalhar na Farmácia Pereira, com Seo Joaquim e dona Corina Pereira.


O seu cunhado Dr. Pedro Pereira Sobrinho, diz : “José Burgos todavia foi um servo das crianças, independente da idade, religião ou partido político dos genitores das mesmas. De observar que José Burgos nasceu no dia 12 de Outubro de 1922 e o dia 12 de Outubro é o dia da Criança!!! Coincidência? A mão de Deus“.

José Pereira Burgos faleceu no dia 23 de fevereiro de 1978, vitimado por um enfarto do miocárdio, seu sepultamento se deu no dia seguinte, quase 23 horas depois, no hora do lusco-fusco, no dia 24 de fevereiro. Noite escura, milhares de velas foram acendidas pelo o povo de Deus, contaram mais setenta veículos com os faróis focando o leito do cemitério de Custódia: era a homenagem maior do povo de Custódia a um homem que deixou um exemplo marcante de personalidade. “Entendeu, Compreendeu?”


Texto retirado de “Traços biográficos de José Pereira Burgos”, escrito por Zé Melo e Dr. Pedro Pereira Sobrinho. Digitado e editado por Jussara Burgos (filha). Publicado no blog à pedido de sua filha Valéria Burgos.

Biografia:José Virgínio de Queiroz



Filho único de Antônio Alves de Queiroz e Elvira Virgínio de Queiroz, nasceu no dia 07 de julho de 1945 na Fazenda Soares – Custódia/PE. Com 11 anos foi estudar no Colégio Olavo Bilac, na cidade de Sertânia, no ano seguinte foi transferido para o Colégio Salesiano, no Recife, no sistema de internato, em seguida passou a morar na pensão de seu tio Elídio.

Sendo filho único, sempre foi muito paparicado pelos pais, que não mediram esforços para lhe proporcionar tudo de melhor que a vida pode oferecer em termos de conforto, educação e diversão. Dessa forma, Zé Virgínio desfrutou na sua adolescência no Recife, tudo quanto tinha direito.

Voltou para Custódia em 1965 com 20 anos de idade. No dia 18 de janeiro de 1966 conhece a mulher que mudaria sua vida para sempre, Marilene. Nesse mesmo dia começaram um namoro que terminaria em casamento, realizado no dia 26 de setembro de 1967 na Igreja Matriz de São José. Dessa união nasceram 9 filhos, a primogênita morreu na hora do parto, mas em seguida vieram Fred, Darlene, Kleber, Ricardo, Roberta( In memorian), Brena, Péricles e Emerson. Zé Virgínio teve o privilégio de formar uma grande e bonita família, pois, com o passar dos anos, juntaram-se aos filhos, quatro noras e oito netos.

Tanto na doença de sua mãe, Dona Elvira, quanto na velhice de seu pai, seu Tonho, Zé Virgínio foi de um dedicação impressionante, não deixando-lhes faltar conforto, carinho e principalmente muito amor.

Com a morte dos seus pais, muitos acharam que ele ia acabar com todo o patrimônio herdado. Mas, contrariando toda essa gente, ele investiu pesado nas suas fazendas, deixando para sua família, um legado para ser lembrado para sempre.

A Fazenda Soares foi a grande paixão da vida de Zé Virgínio, a qual ele dedicou a maior parte da sua vida. Pois, foi do Soares que tirou todo seu sustento e também foi a única fonte de renda com a qual conseguiu criar e educar sua família.

A Fazenda Soares também foi palco de grandes farras realizadas por ele, onde reunia seus filhos e amigos no dias de vacinação e ferra de gado. Foram certamente os dias mais felizes da sua vida, porque passava o dia inteiro comendo, bebendo e ouvindo seus CD´s preferidos.

Com sua personalidade forte e autoritária, Zé Virgínio foi um homem muito rígido na criação de seus filhos, exigindo sempre muito respeito de todos e, do seu jeito, às vezes, rude, procurava incentivar todos quando o assunto era educação, sempre mostrando o valor que a mesma exerce na formação moral e profissional de cada um. Graças a Deus e com seus exemplos de esforço, dedicação e honestidade, conseguiu formar uma família bem estrutura.

Texto cedido pela família.

Abraço a Matriz de São José



O abraço é usado, dependendo da cultura local, como forma de demonstração de afeto de uma pessoa para outra. Através dele podemos cumprimentar ou expressar sentimentos como carinho, amor, compaixão, saudade, congratulação etc. Esse sentimento de carinho, virou marca registrada na I e II edição do Encontro dos Custodienses, quando os participantes deram as mãos coletivamente, abraçando a Igreja Matriz de São José.

Esse ano, além do abraço a Matriz, outro gesto significante marcou as festividades do encontro, aconteceu na noite de lançamento do livro “Custódia Relicário do Sertão” de Sevy Oliveira, no Colégio Municipal Ernesto Queiroz, onde Gracinha Queiroz, num gesto de extrema grandeza, entregou a Jônia Nóbrega, filha da homenageada Neuza Gonçalves Lima, uma placa de bronze, concecidada pela Câmara Municipal de Vereadores, por sua mãe ter sido a primeira diretora do Grupo Escolar General Joaquim Inácio. Esse gesto de profunda grandeza, mostrou que o Encontro serviu para selar definitivamente as pazes entre as famílias.

Discurso de Zezita Queiroz durante almoço no Restaurante Macambira, durante II Encontro de Custodienses em 2008.


É com grande satisfação que preparamos esta festa para vocês e aguardamos com ansiedade este dia. Estamos felizes poder revê-los e pode abraçá-los. Graças a Deus tenho o prazer de nunca haver saído daqui, só para estudar, mas voltei, e aqui fiquei, convivendo com todos que moram neste lugar, vivenciando as palavras do poeta paulista Menotti Del Pichia, em seu livro Chamamento da Terra: “Fica, que aqui serão teus dias mais serenos. porque na Terra da gente, a própria dor dói menos“.

Tive sempre a paciência e esperança de alcançar dias melhores. Realmente em qualquer lugar que estejamos e trabalhamos para, sob qualquer aspecto, estarmos sempre melhores. Sofri muito com as ausências da família e pessoas amigas. Mas é a Lei da vida. Os filhos partem em busca de novos horizontes, e fazer o que? Luta, lutar e vencer.

Há homens que lutam um dia, esses são bons;
Há homens que lutam muitos dias, esses são melhores ainda;
Há homens que lutam toda uma vida, esses são imprescindíveis.

E nós, sertanejos custodienses, lutamos toda a vida e, por isso, somos IMPRESCINDÍVEIS!

Obrigada!
Zezita Queiroz 06/09/2008

terça-feira, 17 de maio de 2011

Cacimba Nova




Por José Melo

O título não tem nada a ver com a excelente música de Zé Marcolino, eternizada na voz do também eterno Luiz Lua Gonzaga. É apenas um rasgo de lembranças de um passado distante, sepultado que foi pelas águas do Açude Marrecas. Cacimba Nova era o sítio em que vivi memoráveis dias de felicidade na minha infância, dias que conseguiram gravar imagens indeléveis daquela paisagem, que começava na Fazenda Guarani, hoje transformada pela invasão urbana da cidade em ruas que compõem o Bairro da Redenção. Quantas vezes não fiz o percurso de nossa casa, nos fundos da mercearia de minha família, na esquina da Avenida Manoel Borba, com a Avenida Onze de Setembro! Cruzava a Rua deserta, cedinho, sob a névoa que dominava as manhãs da cidade, pegava a calçada do velho Grupo Escolar General Joaquim Inácio, e no final do seu muro cruzava o antigo campo de futebol, onde hoje funciona o Posto Tamboril. 

A partir daí, um sombreado corredor composto por cercas de avelozes, com a estradinha macia, coberta de uma areia branca, muito fina, levava até a velha casa de meus avós, distante cerca de três quilômetros da cidade. Poucas casas no trajeto. A primeira, de um senhor, cujo nome era algo como Manoel Conceição; a seguir, uma pequena seqüência de casebres de taipa, onde moravam a família de “Seu” Porfírio, e de uma senhora já centenária, cujo nome minha memória teima em não lembrar. Depois, já chegando ao Guarani, após uma curva, um pequeno quarto, onde funcionava a Bodega de João de Zumba. Mais a frente, a Fazenda que dava nome ao lugar, Guarani, com seu bangalô moderno, e um imponente Eucalipto ao lado. Agora a estrada já era mais estreita, com a vegetação quase que a recobrindo. Ao final daquele corredor, um velho umbuzeiro era parada obrigatória, quando em safra, para a colheita de umbus. A Casa de Henrique, meu parente, como quase todos que residiam naquelas bandas. Pertinho, o casarão de Tio Anízio Batista, que na verdade era tio de meu pai. Outras casinhas mais adiante, sempre de parentes. Os Raimundo, a “Tia Miné”, Minervina, outra tia do meu pai, a enorme Casa de “Tio Zé Batista”, que anualmente promovia o mais animado São João da região. 

Cruzando o Rio da Marreca, logo após um pequeno trajeto, chegava à casa dos meus avós. Velho casarão cujas paredes mais pareciam as de uma igreja: cerca de cinqüenta centímetros de espessura. Porta larga e muitas janelas na frente. Um verdadeiro salão era na verdade a parte mais movimentada da casa: modestamente mobiliada – apenas um imenso e pesado banco de baraúna, algumas cadeiras, uma mesinha com o oratório, alguns quadros com gravuras de santos e fotografias da família e mais nada, além dos indispensáveis “armadores de rede”, feitos em madeira e encravados na largas paredes, servia como sala de visitas, capelas para as novenas, dormitório de redes estendidas quando a família se reunia, área de diversão da criançada quando o sol estava muito forte ou chovia, sem falar nos verdadeiros saraus literários que eram realizados nos finais de semana, com a família reunida para ouvir a leitura obrigatória do mais autêntico meio de propagação da cultura da época, e que era conhecido por “Romance”, como era chamado o hoje famoso Cordel. Um corredor escuro separava aquele salão da Sala de jantar, e dividia a casa em duas alas com suas “camarinhas”, duas de cada lado, que era como chamavam os quartos. Na sala de jantar, uma comprida e pesada mesa, com duas cadeiras nas testadas e dois bancos nas laterais era o local das várias refeições diárias: o café da manhã, sempre às seis horas, o almoço, às dez horas, a ceia, às quinze horas e o jantar às dezessete horas, além dos lanches das crianças. 

Nada me agrava mais do que após as primeiras travessuras do dia, ir para o “Reveso”, como chamavam um pequeno pomar que ficava em frente a casa, as margens do Rio.Colhia Goiaba, manga, banana, Graviola – que conhecíamos como “Coração da Índia”, caju e muitas hortaliças e verduras. No mesmo ficava a cacimba, a fonte de abastecimento da casa, durante o período de seca. 

Achava interessante a minha avó preparar o xerém, moendo o milho numa espécie de moenda, composta por duas rodas de pedra, uma sobre a outra. A de cima dispunha de uma espécie de maçaneta e de um buraco, onde eram colocados os grãos. Girando a parte de cima, o atrito entre as duas pedras quebrava o milho, produzindo o xerém. 

Da mesma forma era interessante quando minha avó ia “torrar” café. Os grãos do café, misturados a pedaços de rapadura em uma panela fumegando espalhava o cheiro forte do café por centenas de metros. Depois de torrado, o café se transformava em uma massa pastosa, extremamente preta, que era espalhada também sobre uma pedra lavrada, em formato de tábua, para esfriar e endurecer. Depois de frio, o café se transformava em uma espécie de pizza preta, que era quebrada e jogada aos pedaços no pilão para ser socado até virar aquele pozinho amarronzado e de cheiro forte. 

Na cozinha, o velho “Meu Louro”, que não escapava das brincadeiras da meninada. Tio Dué o ensinou a assoviar. Anos depois, não sei como, ele ensinou o papagaio a perguntar, sempre que alguém assoviava: 

-“ Foi eu ou foi tu?” 

Tio Dué caía na gargalhada, dizendo que o papagaio estava “caducando”. 

No cercado que ficava após o curral, as margens de um riacho, um frondoso sombrião, com suas flores vermelhas era o abrigo certo para as brincadeiras da meninada, quando o sol queimava de quente. Algumas fruteiras, como pinha, manga e graviola nos forneciam preciosos frutos. 

No terreiro da frente, a velha quixabeira, que abrigava do sol o velho e encardido carro de bois. Deitado nele sonhei muitos sonhos de criança livre, despreocupada e feliz. 

Ao entardecer, não sei por que, mas sempre me sentia como que angustiado, naquele momento de paz, de solidão, no lusco-fusco da passagem do dia para a noite. Os pássaros iam encerrando suas sinfonias, o sol esmaecia no poente, os únicos barulhos perceptíveis eram os dos chocalhos que com seu som monótono anunciavam a chegada das vacas leiteiras do pasto, para a separação noturna de seus bezerros, que ficavam, no linguajar do sertanejo, “apartados” para preservar o leite da manhã seguinte. 

E a noite assumia o lugar do dia, não raro com a presença mágica da lua, que enfeitava o céu azulado com sua claridade prateada derramando-se pelos terreiros, estradas e roçados. Estrelas brilhantes enfeitavam aquele cenário espetacular, deixando a todos embalados pela brisa fresca que varria os campos e chegava até a calçada do velho casarão, verdadeiro encantamento que me fazia teimar em permanecer até tarde observado aquele cenário. 

Velhos tempos, belos dias que teimam em não sair da minha lembrança.        

17.05.2011     

Verdades da Profissão de Professor



Ninguém nega o valor da educação e que um bom professor é imprescindível. Mas, ainda que desejem bons professores para seus filhos, poucos pais desejam que seus filhos sejam professores. Isso nos mostra o reconhecimento que o trabalho de educar é duro, difícil e necessário, mas que permitimos que esses profissionais continuem sendo desvalorizados. Apesar de mal remunerados, com baixo prestígio social e responsabilizados pelo fracasso da educação, grande parte resiste e continua apaixonada pelo seu trabalho.A data é um convite para que todos, pais, alunos, sociedade, repensemos nossos papéis e nossas atitudes, pois com elas demonstramos o compromisso com a educação que queremos. Aos professores, fica o convite para que não descuidem de sua missão de educar, nem desanimem diante dos desafios, nem deixem de educar as pessoas para serem “águias” e não apenas “galinhas”. Pois, se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda. (Paulo Freire).


Dedico este maravilhoso texto a todos os professores(as) que passaram por minha vida escolar, em especial:

Dona Conceição Duarte – 1ª Professora, Netinha Souza, Salete Veríssimo, Creuza Leopoldina, Socorro Costa e Neta Góis(in memorian).

Um abraço no coração e minha eterna gratidão.

Leônia Simões - 16/10/2008

O time de Odilon



Por Fernando Florêncio - Ilhéus-BA



O Esporte Clube Custódia era um time ousado. Dentro dos seus domínios, ou seja, no “nosso” campo era praticamente imbatível. A fama da “parede” GABIRÚ, NAIME E VEVÉ, era conhecida em todo sertão. Mesmo sendo somente em amistosos, até porque naquela época não existia campeonato intermunicipal. Eram apenas visitas de cortesia, sendo retribuída logo após pelo visitado. Ou seja: Custodia jogava em Sertania, depois Sertania retribuía jogando em Custodia.

Uma partida inesquecível foi entre Custódia X Serra Talhada, que tinha um time “tirado a gostoso”. Só jogava nos chamados Grandes Centros, tais quais, Petrolina, Salgueiro, Crato no Ceará, Arcoverde e por aí vai. Não obstante vários convites, sempre desdenharam do nosso Esporte Clube Custódia.

Até que um dia a ficha caiu. Resolveram nos visitar. Jogão lá e cá. Gabiru até pênalti, pegou. Campo cheio, gente até em cima “dos aveloz.” Jogo apitado por Chico Eugenio,

Resultado: Aos 40 minutos do segundo tempo, o mundo veio abaixo. Gol de Custódia. E sem ninguém saber por que, a “porrada comeu no centro” E tome-lhe tapa, correria, pé na bunda.Graças a Deus, não teve tiro nem faca. Toreba, pequenininho, acertou um chute “nos quibas” de Um e com o cara correndo atrás, se enfiou ali pelos aveloz, saiu na roça de “Sêo” João Miro e reapareceu apenas na segunda feira, mostrando os meiões rasgados pelos espinhos “unha de gato”.

MOTIVO DA BRIGA: GOL FEITO POR EDMUNDO BLANDINO (CENTRO AVANTE) DE MÃÃÃÃOOOOO, depois de uma confusão na área proveniente de um escanteio cobrado por Zé Veríssimo. Daí a briga, (só na mão).

Como era de se esperar, Serra Talhada pediu revanche que foi marcada para dali a 15 dias.
Chegado o dia, com a cidade fervendo, a noticia do gol de mão correu a região, veio gente de Sertânia, até de Petrolina para assistirem àquela grande revanche. Foi noticiado até pela Rádio Pajeú, de Afogados das Ingazeiras.

Serra Talhada chegou com gosto de gás. Veio pra humilhar. Mas por esta “Eles” não esperavam.
Por motivos óbvios, Edmundo (o do gol de mão) foi “poupado”.

No lugar dele, “enxertaram” Missinho Feitosa, filho de “Sêo” Aftônio Feitosa, que estudante em Recife, estava de férias em Custódia na casa dos pais.

Serra Talhada abriu o placar 1 x 0 logo nos primeiros minutos. Silencio tumular. Até o aveloz deu uma murchada. Parecia o Maracanã na copa de 50 após o gol de Gighia, que deu a copa ao Uruguai.

Nisso “mermão”, os deuses do Olimpo baixaram sobre o nosso território e quando o juiz (Que não foi Chico Eugenio, poupado também por motivos óbvios) apitou o fim do jogo, o placar marcava:

CUSTODIA 3 X 1 SERRA TALHADA
Três gols de Missinho. Nunca mais Serra Talhada jogou em Custódia.

Com esse relato, chegarei agora ao motivo do título lá no alto. O TIME DE ODILON DO RIACHO DO GADO.

Com aquela fama do Esporte Clube Custodia correndo “o mundo” imagina, chegou até em Caruaru, tanto que o Central mandou “olheiro” para aliciar nossos craques.

Odilon criou o ESPORTE CLUBE DO RIACHO DO GADO, nome da fazenda lá pras banda de São Caetano, famosa pela colheita do Algodão Mocó.

Às segundas feiras, Odilon vinha “fazer a feira” e a galera perguntava:
E aí Odilon, como está o time da fazenda.???

Ao que ele respondia:

- Agora está fraco, mesmo assim consigo colocar 20 a 25 de cada lado, mas na colheita do algodão, se Deus quiser vou botar de 30 a 40.

As bolas usadas pelo time do Odilon, eram bexigas de boi.

 
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