quinta-feira, 22 de março de 2012

Juvina Alves Duarte - 90 anos (por Marlos Duarte)


Juvina Alves Duarte nasceu em 22 de março de 1922, nas proximidades do povoado do Ingá. Ela é Filha de Antônio e Ana Figueredo. Ela é a terceira filha de muitos desse casal: Tio Dudu, Tia das Dores, Ursulina (Dilu), Terezinha, Carmelita, Blandina (Tia Dina) e Rosa. Minha avó, ainda solteira, mudou-se com toda a sua família para Fazenda Nova após os seus pais venderem suas terras do Ingá, face a construção de uma usina de "Caruá" (vegetal que serve para fazer cordas). Minha avó foi criada num contexto de fazendas, tendo que ajudar seus irmãos e, principalmente, seus pais nas colheitas e nas demais atividades que toda fazenda familiar daquela época possuía.

Nem sempre ela fazia isso. Em uma das tantas colheitas de algodão que os irmãos saíam para fazer, minha avó se deitou no chão, numa sombra projetada por um Umbuzeiro, e começou a dormir, enquanto seus irmãos mais velhos colhiam o algodão da fazenda de seus pais. Seu irmão mais velho, Tio Dudu, com pena da minha avó, disse: "Toma, Juvina, um pouco do meu algodão para tu não voltar para casa sem nada, e papai e mamãe não brigarem com tu." Um irmão melhor do que esse a gente não encontra em qualquer lugar... (risos)


Da esquerda para a direita: Tia Blandina (Tia Dina), Tia Terezinha, Tia Dilu, Tia das Dores, minha avó e Tio Dudu. Sentados, num "amor eterno", meu bisavô Antônio e minha bisavô Ana, que não cheguei a conhecê-los [Foto gentilmente cedida pela minha prima Fátima Figueredo]

Minha avó não é letrada, mas é mais sábia do que muita gente "entendida" por esse mundo. Um vez a perguntei o porquê dela não ter ído a aulas de alfabetização. Ela, respondeu: "Meu filho, nunca fui para a escola direito porque naquela época tinha uma tal de Palmatória...". Nem todo mundo gosta de sofrer para aprender, não é? (risos)

Minha avó conheceu Abílio José Duarte, se casou e teve oito filhos. Minha mãe, em um de suas inúmeras histórias antigas que me conta, disse-me que antes de se casar com a minha avó, Abílio José Duarte sonhou com a mãe de Juvina, a Ana Figueredo, com uma criança nos braços. Depois do sonho, ele ficou se perguntando por que estava sonhando com a mulher de Antônio Figueredo com uma criança no colo. Hoje, posso afirmar que essa criança seria a minha avó, que futuramente iria casar com ele. Meu avô, viúvo, com 50 e tantos anos, casou com a minha avó, que ainda nem tinha 20 anos. Juntos, tiveram um história de 30 anos de companherismo e construíram uma grande família.


Depois de se mudar algumas vezes de residência (na rua da Várzea e na Praça Padre Leão), minha avó queria uma casa que pudesse dar assistência ao seu pai, para ele amarrar o seu cavalo quando chegasse de Fazenda Nova nos dias de feira em Custódia; e meu avô, sempre pronto para fazer os gostos de minha avó, conseguiu uma casa na Avenida Inocêncio Lima. Lá, eles terminaram de criar seus filhos e se estabeleceram definitivamente.

Quando estou com saudades dela (moro fora de Custódia), a voz dela parece que ecoa nos meus ouvidos, me chamando: "Marrim, ôôôô Marrim!". Ou então, quando está entediada, gritando: "Eitaaaaaa!!!". Hoje em dia, a sua audição está comprometida por causa do envelhecimento e das "apoptoses" da vida, mas, mesmo assim, eu passo vários minutos conversando com ela, tirando fotos e matando a saudade. Ela às vezes sonha comigo, ou eu pedindo dinheiro, ou dando-me ordens, ou dizendo coisas para eu não fazer na vida. Ela é a minha segunda mãe. Ela praticamente me criou e sou muito grato a ela por tudo, por ela ter me dado tanto afeto.

Minha avó e minha mãe


Mas o que falar de Juvina...? Uma mulher guerreira, que soube lidar com a viuvez precoce. Uma mulher de pulso forte, que não se deixava levar pelos outros, tendo um espírito de liderança impressionante, que tive o prazer de ver pessoalmente na minha infância. Não conheço uma pessoa mais vaidosa que a minha avó. Ela não tira os seus brincos por nada, não tira suas pulseiras por nada... sempre, sempre ela manda buscar um objeto, algo que ela tenha, que seja elegante para me mostrar. Elegante: essa é a palavra-chave para eu definir Juvina Alves Duarte com muita firmeza e sem medo de errar. Atualmente, minha mãe e minhas tias cuidam da minha avó.

Minha avó e eu (1994)

Ela é mãe de oito, avó de dezoito, bisavó de quinze... Ela construiu uma família imensa. Ela é a matriarca de um enorme família, da minha família. Ela é uma mulher de fibra, de respeito inigualável. Depois da morte do meu avô em 1972, ela não quis saber mais de ninguém, não queria conhecer ninguém mais. Era a viúva de Abílio José Duarte e pronto. Admiro esse sentimento forte que ela tinha pelo meu avô. Admiro a lealdade que ela tem com todos que ela gosta. Admiro cada palavra de minha avó, porque ela, simplesmente, é uma firmeza de ideais fortes, de opinião, de afeto e amor, com quem ela ama. Ela é uma grande mulher. Ela é muito mais que uma personalidade... Ela é muito mais que 90 anos de história, de lutas, de experiências, de vitórias. Ela é muito mais que uma postagem como essa, que deixa a desejar sobre ela. Ela é a minha avó inesquecível, a minha avó de memorável personalidade. Ela é a minha segunda mãe. Ela me acolheu nos seus finais de semana. A mulher que ajudou a minha mãe a me criar. A minha avó linda, mais que linda, sempre linda. Ela é a forte Juvina Alves Duarte.

Se costumo ter pés e mãos frias, é porque, isso, eu ''peguei'' dela. Se tenho lábios finos; nariz fino, mas grande, é porque "herdei" dela; se tenho queixo curvado e não reto, é porque eu sou neto dela. A genética não falha... Obrigado por ter me dado conselhos, por ter sido "A Avó". Obrigado por tornar nossas conversas numa "resenha": de rir do meu cabelo grosso, de ''tirar onda da minha cara'', de dizer que eu estou um ''rapaizão". Obrigado por ter dado o meu primeiro banho, por ter sido o meu exemplo de experiência. Obrigado por ter me dado o que todos precisam: amor. Obrigado por me proporcionar uma infância maravilhosa, brincando de bola na frente de sua casa e de deixar eu te aperriar por tantas vezes. Obrigado por sempre sorrir quando me ver. Obrigado por sempre me reconhecer, quando, hoje, reconhece pouquíssimas pessoas. Obrigado por nunca ter me esquecido. Obrigado, por tudo.

Postagem: Antonio Marlos Duarte, o seu neto mais novo, que tanto te ama! Você é 10!!!!


Nota: quis fazer uma postagem bem pessoal. Ainda, quis mostrar um pouco do que vivo com a minha avó e um pouco de sua personalidade forte e sua história. Os fatos históricos de minha avó foram baseados em relatos de minha mãe. Abraços!

Link: http://blogdotoiim.blogspot.com.br/2012/02/90-anos-de-juvina-alves-duarte.html

quarta-feira, 21 de março de 2012

[Vídeo] Procissão no Dia de São José - 19.03.2012



A procissão que encerrou a Festa de São José de Custódia levou quase 5.000 fiéis as ruas.

18ª Missa de Vaqueiros de Custódia-PE - Vídeos

Vaqueirama passando pela BR-232 rumo ao Parque de Exposição Wanderley Armando da Fonte, no bairro da Pindoba em Custódia.



Chegada da vaqueirama ao Parque de Exposição.



Vavá Machado cantando para a vaqueirama.



Momento em que os vaqueiros fazem sua oferta doando seus objetos de uso diário.



Encerramento da Missa Campal.



Encerramento da Missa do Vaqueiro, com entrega de rapadura a vaqueirama.

[Fotos] Festa de São José 2012 - Novenas



O inicio das festividades ao padroeiro São José, aconteceu na última sexta feira (dia 9) com procissão saindo do bairro Redenção, em direção a Igreja Matriz. O destaque ficou para para as milhares de crianças vestidas de anjo. Ao final do percusso, houve missa campal na Praça Padre Leão.


No domingo dia 11, noite dedicada aos motoristas, oficinas, casas de peças, postos de combustível, borracharias, frentistas entre outros, teve carreata pelas principais ruas da cidade, com missa às 19h30, e encerramento apresentação do Padre João Carlos e sua banda em frente a Matriz.




A novena da terça dia 12, foi dedicada aos profissionais de um modo em geral que trabalham na área de saúde do município. O tema da noite foi "São José reflexo do coração paterno de Deus, coração solidário e servidor". A quarta noite de novena, dia 13, recebeu um grande público das comunidades rurais e urbanas. A participação de fiéis todas as noites às novenas, tem sido um grande destaque, ficando uma grande maioria assistindo do lado de fora da Igreja.


Continua...

terça-feira, 20 de março de 2012

Plínio Fabrício - Brilho de Lampião (II Festival de Música do Cangaço 2012)


Por Venâncio Izidro

O cantor e compositor, Plínio Fabrício de Custódia/PE, teve a música de sua autoria: Brilho de Lampião, classificada dentre as 20 (vinte) músicas, que vão participar do II Festival de Músicas do Cangaço/2012. O Festival será realizado dia 28/04/2012, na Estação do Forró, em Serra Talhada/PE.

Devemos também dar todo o apoio necessário, para que ele possa ser o vencedor nesse festival de caráter nacional, elevando pernambuco através de sua cultura e ampliando as informações sobre a história de Lampião através de seu museu no município de Serra Talhada. E contemplando a riqueza cultural do município de Custódia/PE, e suas riquezas naturais, desejo ao Plínio Fabrício, tudo de bom e toda sorte possível, para que ele possa com seu talento e sua música, abrir espaços no cenário nacional afim de sustentar de vez a cultura popular custodiense. 

Plínio é um dos talentos que enriquecem a nossa cultura e divulga o nosso município para o resto do brasil. Merece todo o apoio necessário.



Premiação: 

A.    1º LUGAR: R$ 4.000,00 (quatro mil reais);
B.    2º LUGAR: R$ 3.000,00 (três mil reais);
C.    3º LUGAR: R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais);
D.    4º LUGAR: R$ 2.000,00 (dois mil reais);
E.    5º LUGAR: R$ 1.500,00 (um mil e quinhentos reais);
F.    MELHOR INTÉRPRETE: R$ 2.000,00 (dois mil reais).

1. LEMBRANÇAS DO CANGAÇO
Autor: Mauricio Santos
Intérprete: Chik
Cidade: Recife/PE

2. LEMBRANÇAS DE EU, VIRGOLINO
Autor: Luís Cláudio Ribeiro (Casquideo)
Intérprete: Tavinho Limma
Cidade: Alfenas/MG

3. UM CANGACEIRO E UM CÃO
Autor: Artur Silva
Intérprete: Laerson Alves
Cidade: João Pessoa/PB

4. O BRASIL, O CANGAÇO E LAMPIÃO
Autor: Rui Grude
Intérprete: Rui Grude
Cidade: Serra Talhada/PE

5. ALAÚDE
Autor: Cley Lunna e Odália Araújo
Intérprete: Cley Lunna
Cidade: Macapá/AP

6. O TRAJETO DO REI
Autor: Henrique Brandão
Intérprete: Aldeir Bezerra
Cidade: Serra Talhada/PE

7. ESTRADEIRO
Autor: Hélio Crisano e Zeca Brasil
Intérprete: Lysia Condé
Cidade: Parnamirin/RN

8. CORDEL CELESTE
Autor: Laércio Beethoven
Intérprete: Laércio Beethoven
Cidade: Salvador/BA

9. AMOR CANGACEIRO
Autor: David Farias, Felipe Burgos e Roberta Aureliano
Intérprete: Roberta Aureliano
Cidade: Maceió/AL

10. A ÚLTIMA NOITE DE LAMPIÃO
Autor: Jamil Santos
Intérprete: Jamil Santos
Cidade: Jaboatão dos Guararapes

11. EM VERSOS QUEBRADOS, MULHER NO CANGAÇO
Autor: João Sereno e Maviael Melo
Intérprete: Carlinhos Pajeú
Cidade: Juazeiro/BA

12. RIACHO DE SANGUE
Autor: Ray di Serrat e Tico de Som
Intérprete: Ray di Serrat
Cidade: Serra Talhada/PE

13. SEMENTE DO CANGAÇO
Autor: Zé Alberto
Intérprete: Zé Alberto
Cidade: Exu/PE

14. CONVITE A LAMPIÃO
Autor: Edmilson Providência
Intérprete: Ernesto Teixeira
Cidade: Cratéus/CE

15. PORRADA
Autor: Igor Bruno
Intérprete: Igor Bruno
Cidade: Recife/PE

16. SAUDADE DE PROSSEGUIR
Autor: Zebeto Correa
Intérprete: Zebeto Correa
Cidade: Recife/PE

17. FLORES DO CANGAÇO
Autor: Tavinho Limma e Sandro Livarck
Intérprete: Tavinho Limma e Sandro Livarck
Cidade: Ilha Solteira/SP

18. BRILHO DE LAMPIÃO
Autor: Plínio Fabrício
Intérprete: Charles Valença
Cidade: Custódia/PE

19. NAS ESTRADAS DE BOM NOME
Autor: Escurinho
Intérprete: Escurinho
Cidade: João Pessoa/PB

20. O CANGAÇO E A NOVA ORDEM SOCIAL
Autor: Gouveia Filho
Intérprete: Gouveia Filho
Cidade: São Paulo/SP



segunda-feira, 19 de março de 2012

Léo Magalhães - Festa de São José de Custódia-PE


O último dia de show levou um grande público ao Parque de Exposição. Já era esperado lotação máxima do local, devido a atração principal da noite, ser o cantor Léo Magalhães. A surpresa maior mesmo, ficou para chuva torrencial que se iniciou após o final da novena das 19h, indo até quase pouco depois da meia-noite. Mesmo com atraso no inicio de sua apresentação, o cantor Léo Magalhães fez seu show para um parque de exposição lotado. 

Finalizando assim os shows, depois de quatro noites de apresentações. O encerramento das festividades, será com Missa Campal e Procissão pelas principais ruas da cidade, após uma semana com novenas na Igreja Matriz.

Fotos: Robson Patriota

Mais fotos acessando o blog ESTRELAS NA FESTA:
 http://portalrobsonslides.blogspot.com.br/

Custódia é exemplo de Gestão Fiscal em PE


Levantamento realizado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro(Firjan) mostra que apenas 8% dos municípios de Pernambuco são bons gestores financeiros e 38% apresentam dificuldades no trato com os reais do contribuinte. Através do IFGP (Índice Firjan de Gestal Fiscal), é avaliado a Gestão de Recursos Públicos e sua aplicação. Custódia é exemplo em Gestão do dinheiro público, é o primeiro colocado no Estado de Pernambuco. 

O indicador considera cinco quesitos: IFGF Receita Própria, referente à capacidade de arrecadação de cada município; IFGF Gasto com Pessoal, que representa quanto os municípios gastam com pagamento de pessoal, medindo o grau de rigidez do orçamento; IFGF Liquidez, responsável por verificar a relação entre o total de restos a pagar acumulados no ano e os ativos financeiros disponíveis para cobri-los no exercício seguinte; IFGF Investimentos, que acompanha o total de investimentos em relação à receita líquida, e, por último, o IFGF Custo da Dívida, que avalia o comprometimento do orçamento com o pagamento de juros e amortizações de empréstimos contraídos em exercícios anteriores.



Os quatro primeiros têm peso de 22,5% sobre o resultado final. O IFGF Custo da Dívida, por sua vez, tem peso de 10%, por conta do baixo grau de endividamento dos municípios brasileiros. 

O índice varia entre 0 e 1, quanto maior, melhor é a gestão fiscal do município. Cada município é classificado com conceitos A (Gestão de Excelência, acima de 0,8001 pontos), B (Boa Gestão, entre 0,6001 e 0,8), C (Gestão em Dificuldade, entre 0,4001 e 0,6) ou D (Gestão Crítica, inferiores a 0,4 pontos).

Fonte: http://www.firjan.org.br/IFGF/


Diário de Pernambuco - Caderno Economia - 18/03/2012

Quem circula por Custódia, no Sertão de Pernambuco (a 340 quilômetros do Recife), percebe nas ruas uma movimentação intensa – pouco associada às cidades do interior, mas bastante comum nos municípios nordestinos por onde passam as obras da Transposição do Rio São Francisco e da Ferrovia Transnordestina. No vai e vem de caminhões e trabalhadores, do comércio intenso e das motocicletas – que tomam conta do trânsito do Sertão – uma cidade em obras aparece para os olhos mais observadores.

Hospital, postos de saúde, calçamento, instalações elétricas e de saneamento. “É obra com recurso próprio”, diz com um certo orgulho o diretor financeiro da Secretaria de Saúde, Wagner Moura, até pouco tempo secretário de Administração do município. 

Para quem até 2008 vivia praticamente dos repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), das verbas de emendas parlamentares e de recursos do governo do estado, o aumento da arrecadação do ISS (Imposto sobre Serviços) de cerca de R$ 1 milhão por mês para a casa dos R$ 4 milhões – após a instalação de dezenas de empresas atraídas pelos grandes empreendimentos – parece ser a explicação mais óbvia para os investimentos municipais em infraestrutura.

Mas não é bem assim, Custódia aparece entre os 500 primeiros colocados em todo o Brasil no Índice Firjan de Gestão Fiscal de 2010 (divulgado na semana passada) – criado para avaliar a administração e a aplicação dos recursos públicos pelas prefeituras brasileiras. O município saiu da 5.016ª colocação, em 2006, para a 228ª, em 2010, numa medição que inclui a avaliação de itens como receita própria, gastos com pessoal, investimentos, custo da dívida e liquidez.

Inquieto, no terceiro mandado de prefeito (o segundo seguido), Nemias Gonçalves Lima explica que decidiu administrar o município como quem gerencia um supermercado (atividade anterior à vida política). “Quando a gente chegou, as contas da prefeitura não fechavam, os salários estavam atrasados três meses e a gente não tinha como pegar recurso do governo federal porque o município não tinha nenhuma das 26 exigências do CAUC (Cadastro Único de Convênios)”, lembra.

Empenhado em organizar as finanças municipais e em não deixar passar a oportunidade das obras federais, Nemias passou dois anos para regularizar toda a documentação da prefeitura e contratou uma empresa para registrar as empresas instaladas na cidade. Tudo em busca da arrecadação do ISS e do IPTU.

Após oito anos, as contas municipais estão disponíveis na internet e as compras são feitas com pregão eletrônico – o que proporciona uma economia de até 30% nos gastos. Também realizou dois concursos públicos, pondo praticamente fim às contratações por indicação política, e criou a previdência social municipal, a Custoprev. Os gastos com o funcionalismo também são controlados à risca e representam 52% do orçamento municipal (abaixo do limite de 54% da Lei de Responsabilidade Fiscal).

Na lista o município de Arcoverde aparece com índice mediano de 0,5333 IFGF e Receita Própria de 0,5618.


Estar no centro de todo esse crescimento econômico e gerir os recursos advindos do desenvolvimento traz benefícios e novos problemas. Se o comércio comemora o aumento do consumo, a saúde pública e a educação têm de se adaptar a uma população maior, muitas vezes em trânsito, não considerada nas estatísticas do IBGE e por isso também ignorada nos repasses de dinheiro federal.

Com 33.855 habitantes, segundo o último Censo, Custódia chegou a ter 12 mil pessoas a mais morando na cidade no pico das obras dos lotes 10 e 11 da Transposição e da construção da Ferrovia Transnordestina. “O comércio se desenvolveu muito. Aumentou o número de estabelecimentos. Começou a chegar gente pedindo coisas que não tínhamos, exigindo também um atendimento que a gente não estava acostumado”, conta o presidente da Câmara do Dirigentes Lojistas (CDL) do município, Samuel Marinho.

Entre os problemas, a especulação imobiliária e a falta de infraestrutura para receber tanta gente. O gari Edivonaldo José de Siqueira, morador do Loteamento Brechió, um dos mais pobres de Custódia, tem exemplos nas duas esferas. Mudou-se há dois meses para uma casa própria, construída com a ajuda dos irmãos, onde ainda não chegou energia elétrica, nem água encanada. Gasta R$ 30 por semana para comprar a água que abastece a família – formada pela esposa, Marciana (grávida de quatro meses) e os filhos Vítor (8 anos) e Vitória (1 ano e 9 meses) – e R$ 350 por mês com a feira.

Os preços aumentaram e o aluguel também. Teve época que se você quisesse alugar uma casa, a pessoa perguntava logo se era da cidade ou de firma. Se fosse da cidade, o dono não queria alugar, porque sabia que conseguia ganhar mais com as firmas”, lembra ele, que com a mudança deixou de pagar aluguel de R$ 200.

O secretário de Administração, Ronaldo Elesbão, vai além na lista de questões que o crescimento rápido trouxe. “A diária de um pedreiro passou de R$ 40 para R$ 80. Aumentou em 20% o número de pessoas demandando a rede de saúde, tem mais casos de alcoolismo e de viciados em drogas. A gestão do lixo e o trânsito também são questões que precisam de atenção”, lista. (J.C.)

Fonte: Diário de Pernambuco

domingo, 18 de março de 2012

18ª Missa de Vaqueiro de Custódia - Dia 17.03.2012


Fotos e texto: Paulo Peterson 

Um dos eventos mais aguardados da festividade do padroeiro São José é a Missa do Vaqueiro, este ano em sua 18º edição. O homenageado foi Zé Jorge, filho de Maria e Jaime Melo. A vaqueirama celebrou também o 4º Encontro dos amigos de Cajueiro, apelido de Nailton (falecido), filho de Zé Ailton e Nadja. Outros vaqueiros jovens foram lembrados, com várias camisas usadas por amigos ou familiares, como foi o caso em lembrança de Carlos André Campos e Carlos Eduardo Leite.

A concentração foi no bairro da Rodoviária, logo cedo era grande a quantidade de vaqueiros. Às 10h em ponto, partiram rumo ao Parque de Exposição. Uma carroça à frente conduzia o padroeiro São José, com dois carros de som de apoio, um com o padre Roberto Luciano e o outro pelo vaqueiro Divom Amorim.



Seguiram pela Avenida Inocêncio Lima, Praça Padre Leão, Rua Manoel Borba, Major Experidião de Sá e BR-232 até o Parque de Exposição Armando Wanderley da Fonte. O trânsito na BR ficou congestionado, não tirando o bom humor dos motoristas que passavam pela cidade naquele momento. Vários registraram o desfile da vaqueirama em seus celulares e máquinas digitais. 

Chegando ao parque, a vaqueirama acompanhou a celebração da Missa Campal pelo padre Roberto Luciano. Acompanhado pela comitiva de Vavá Machado e amigos. A missa alternava cânticos religiosos, com musicas que retratam a vida dos amantes do gado. Um grande número de vaqueiros acompanhou a missa, num calor acima de 40°.


Um dos momentos mais emocionantes é quando os vaqueiros ofertam seus objetos de uso diário. Cada um segue até a frente do palanque e entrega sua doação. Ao final, o padre Roberto entrega a cada um pedaço de queijo ou rapadura. A organização do evento está de parabéns mais uma vez, os responsáveis foram Gibran e Peru, com apoio do Padre Roberto Luciano e do Prefeito Nemias e prefeitura Municipal de Custódia. O encerramento foi com um grande almoço. 


Mais fotos


A tradição do Vaqueiro sertanejo está mantida. Fica apenas o desejo para que as chuvas cheguem nos próximos dias à nosso município.

[Vídeos] Aviões do Forró - Festa de São José 2012

Filmado por Robson Patriota

Filmado por MS Ronny Charles


Buscapé com Aviões do Forró
Filmado por Robson Patriota

Ministro da Integração Nacional visita Custódia



O ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, visitou ontem em Custódia dois lotes da transposição do Rio São Francisco, entre eles o 10, um dos trechos da obra com maior quantidade de placas de concreto já prontas e quebradas, segundo avaliação feita até janeiro. As obras naquele lote pararam em outubro de 2011 e começaram a ser retomadas no mês passado.

A transposição é um projeto para tirar água do Rio São Francisco e distribuir no semiárido de quatro Estados – Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará – em 713 quilômetros de dois canais, o Eixo Leste e o Eixo Norte. O ministro visitou ontem o Eixo Leste.

A obra deveria ter ficado pronta este ano. Agora, sairá apenas em 2015. O orçamento inicial, de R$ 4,5 bilhões, passou por vários reajustes e semana passada atingiu R$ 8,18 bilhões, o equivalente a uma elevação de 82%.

De acordo com o informações do ministério, o lote 10 hoje conta com 109 funcionários e o uso de 10 máquinas. Segundo Bezerra Coelho, até abril serão 700 trabalhadores e 200 equipamentos.

O consórcio Emsa/Mendes Junior não só retomou as obras, como precisou refazer boa parte da colocação de concreto no trecho de canal pelo que está responsável, um total de 40 quilômetros.

Em janeiro, após denúncias sobre o abandono e também sobre a degradação do lote 10, o consórcio começou a quebrar partes do canal para esconder rachaduras e fissuras. Onde o trator "recortou" o concreto, o aspecto da construção se assemelhava a uma colcha de retalhos.

Pelos números oficiais, o lote 10 atingiu 52% de execução.

Dos 16 lotes em que foi dividida a transposição, dois estão a cargo do Exército e 14 são para execução da iniciativa privada. Desses últimos, 13 já têm ou tiveram execução e um nunca saiu do papel. Mas as empreiteiras, para pressionar o governo por reajustes, ano passado começaram a paralisar ou abandonar vários trechos de obras. De 12 que na época estavam ativos, nove pararam.

O lote 11, também em Custódia, foi um dos primeiros a voltar. Em janeiro, contava com cerca de 100 operários. Ontem, após a visita, o ministro informou que aquele lote – com 67% de avanço físico – hoje soma 689 operários.

"Atualmente, o Projeto São Francisco emprega 3.500 pessoas. Com a nova mobilização das obras e o fim do período de chuvas este número deverá chegar a 6,5 mil", informa, em nota, o Ministério da Integração Nacional.

Fonte: Darcio Rabelo

sexta-feira, 16 de março de 2012

18° Missa do Vaqueiro


Acontece amanhã dia 17, o 4° Encontro dos amigos de Cajueiro e Zé Jorge, no Parque de Exposição Armando Wanderley da Fonte, no bairro da Pindoba. A 18ª Missa do Vaqueiro de Custódia, faz parte da programação das comemorações do padroeiro São José. A concentração será às 8h no bairro da Rodoviária. O inicio da missa está marcado para às 10h. Depois da missa campal, haverá escolha da Rainha dos Vaqueiros. As atrações musicais são: VAVÁ MACHADO, ZÉ DE ALMEIDA e OLAVO SILVA.

Aviões do Forró e Janúncio Custódia - Festa de São José 2012


Foto: Robson Patriota

O tão aguardado show de Aviões do Forró, foi responsável pelo encerramento da primeira noite de shows da Festa de São José, quem abriu a noitada foi Janúncio Custódia. O vocalista retornou à terra natal, ano passado se apresentou na Exposição de Animais, ficou encarregado de esquentar o grande público já presente. Seu show agradou bastante o público admirador de seu trabalho, seu show é um passeio pela poesia e pelo autêntico forró pé-de-serra. Destaque para música sobre Custódia. Trata-se de uma grande homenagem à sua cidade. O blog Custódia Terra Querida foi várias vezes citado pelo cantor. 


Foto: Robson Patriota

O Parque Wanderley da Fonte recebeu um dos maiores públicos já visto. Não se falava em outra coisa na cidade há não ser nessa apresentação de Aviões do Forró. Desde 2005 não tocava em Custódia, ontem saciou a vontade do público com uma apresentação impecável. Durante 2h e 50min, Xand e Solange e cia. desfilaram seus sucessos. Uma das surpresas da noite, foi a participação do vocalista Buscapé e Leco, ambos de Arreio de Ouro.

Foto: Daydson Araújo

O vocalista Xand Avião, veio antes da banda à cidade, ficando junto aos fãs numa fazenda de um amigo local. A presença de fãs de cidades vizinhas foi outro destaque. O grupo leva uma legião de fãs onde se apresenta. Mostrando assim que é o maior expoente do forró da atualidade.

Por Paulo Peterson

Projeto São Francisco promove ciranda de mulheres


Uma homenagem às sertanejas que compartilham histórias de força e obstinação

Por Raquel Santos

Custódia (PE) – Centenas de mulheres morreram em 1857 enquanto trabalhavam em uma fábrica nos Estados Unidos. A reação das companheiras operárias foi imediata, reuniram em greve exigindo melhores condições de trabalho. Três séculos depois as reivindicações não mudaram tanto, mas algumas situações estão bem melhores. No Dia Internacional da Mulher – 8 de março, o Projeto de Integração do rio São Francisco com Bacias Hidrográficas do Nordeste Setentrional (PISF) quis conhecer outras histórias de lutas, só que de mulheres que cresceram no sertão de Pernambuco e como as estadunidenses trabalharam muito para conquistarem seus sonhos.

“Eu sou índia Pankararu e moro em Custódia há 19 anos. Minha mãe cuidou da educação de nove filhos. Ela nunca nos mandou ir à escola, mas sempre tinha um livro e o dinheiro reservado do ônibus. Ela sempre deu um apoio silencioso porque ela sabia que era pela educação que iria acontecer uma diferença. E realmente aconteceu! Hoje eu sou professora e ensino outras pessoas”, descreve Maria Elizabethe de Oliveira Carneiro. Ao todo 33 moradoras do município de Custódia e comunidades da zona rural participaram na última quinta-feira (8) da Ciranda de Mulheres do Projeto São Francisco no Centro de Referência de Comunicação Social (CRCS) do PISF. O encontro teve como objetivo tecer uma roda de conversas costurada pela linha de vida deste grupo de mulheres.





 Entre tantos depoimentos emocionados, as sertanejas puderam conhecer ainda mais a história de cada uma delas. Muitas delas são amigas ou já tinham visto umas as outras, mas tiveram a oportunidade de falarem e escutarem passagens de vida que às vezes estiveram adormecidas. “Vim da agricultura, batalhei e me formei. Trabalhei em roça para sobreviver, tenho quatro filhos e o que eu desejei, hoje eu consegui. Enquanto eu estudava para me formar em professora, eu levava R$ 1 real para comprar um prato de sopa e não passar fome. Lecionei durante nove anos, hoje me dedico ao comércio e continuo trabalhando muito para realizar meus sonhos”, relatou a comerciante de Custódia, Gisocleide Araújo.

O Projeto São Francisco parabeniza todas as mulheres que estão pelo mundo construindo sociedades mais fortes, sem perder a ternura como o exemplo a ser seguido de Hilda Maria Resende. “Minha história é de vitórias. Eu nasci em sítio Brabo Novo, sou adotada e tenho orgulho da minha família ter me criado. Sou auxiliar de serviços gerais, casada e mãe de dois filhos formados. Amo trabalhar com o povo, sou política e presidente de uma associação e de uma cooperativa. Não sou política por causa do dinheiro, porque para isso já recebo meu salário. Eu sou política porque gosto de ajudar o próximo. Ser mulher é a coisa mais especial da vida porque só por ser assim eu cheguei onde estou”, finalizou.   

Livro de Receitas da Tambaú


Receitas de dar Gosto é o novo livreto que a Tambaú Alimentos preparou para os consumidores, ensinando receitas que ficarão ainda mais deliciosas utilizando produtos Tambaú. 

Foram produzidos dois livretos, um vermelho e outro amarelo, cada um com seis receitas prepara das pelos Chefs mais renomados do Nordeste, entre eles estão César Santos, Duca Lapenda, Joca Pontes, Hugo Proivote, Jeff Collas, Francesco Carreta, Leonardo Ricardo e Adriana Didier.

Para as receitas selecionadas, os produtos Tambaú sugeridos foram a Mostarda, Catchup, Leite de Coco, Creme de Goiaba, Extrato de Tomate, Polpa de Tomate, Molho de Tomate Manjericão e Molho de Alho. 


Liliane Dantas Leal - Jornalista / Assessora de Imprensa

Cultura Livre nas Feiras II - dia 27/02/2012

Banda de pífano do sitio Lajedo

Samba de coco grupo Moxotó 

O segundo encontro da cultura livre nas feiras em Custódia foi uma verdadeira demonstração de diversidade cultural, onde mostrou-se contribuições de valores que identificam uma linguagem marcada por povos diferentes...

Repentista - Literatura  

Arte Plastica 

No segundo Cultura Livre nas feiras, os participantes foram o Grupo de Pífano do sítio Lajedo desfilando sua música;  o repentista Bartolomeu levando literatura de cordel; o grupo Samba de coco Moxotó mantendo viva a cultura da música das comunidades quilombola e do artista plástico José Adenilton.

Ubiratânia Queiroz

quarta-feira, 14 de março de 2012

Fernando Florêncio recebe prêmio


O custodiense Fernando Florêncio foi laureado com um certificado LITTERARE EX CATHEDRA, prêmio  ALLe - Reconhecimento Literário, pela indicação a Academia Limeirense de Letras, do seu livro FOI ASSIM. A indicação foi feita por Francisco Alves, outro custodiense (radicado em Limeira-SP), membro da Câmara Brasileira de Cultura em São Paulo.  

Filho de Custodiense conquista prêmio


O engenheiro de alimentos Daniel Ibraim Pires Atala, 33 anos conquistou o Prêmio Bunge Juventude 2007, ele é autor da tese de doutorado “Processo Contínuo Extrativo a Vácuo para Produção de Etanol“, que resultou num sistema que permite triplicar a produtividade em dornas de fermentação alcoólica, a partir de melaço de cana-de-açúcar para destilação do etanol.

Inovador, o sistema oferece importante redução de custos no processo industrial. Sua pesquisa premiada foi conduzida nos laboratórios da Unicamp, é sobre o desenvolvimento do etanol que, propiciará grande economia para o país e diminuição da poluição do meio ambiente.

Daniel é filho da custodiense Elzira Pires ou Elzirinha como era chamada, filha do farmacêutico Elpídio Pires e Alzira Farias e neta de Samuel Carneiro e Prezalina Goés.

Mais detalhes sobre a premiação, visitando:

http://www.unicamp.br/unicamp/divulgacao/2007/08/04/ex-aluno-da-fea-conquista-premio-bunge-juventude

http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/bunge/patrocinador_253953.shtml?func=1&pag=1&fnt=10pt

(*) Agradecimento ao colaborador: Jailson Vital

Custódia boa de bola - Por José Melo



Na década de sessenta, Custódia vivenciou momentos de glória no futebol da região. “Era temida e respeitada por equipes de toda a Região, principalmente pelos craques que possuía: o goleirão Gabiru, morenão alto, sempre com um “pacaia” na boca, e que não dispensava uma ”branquinha” no aquecimento antes dos jogos. Pegava tudo. Recordo que a título de gozação, os torcedores levavam um jornal e um tamborete, que Gabiru botava sob as traves, e ficava calmamente folheando o jornal (muitas vezes de cabeça prá baixo). Quando a bola se aproximava jogava fora tamborete e o jornal e preparava-se para agarrar a bola.

Na defesa uma dupla imbatível: Pelado e Branco, este famoso pelo chutão que dava nos tiros de meta. Pelado era temido pelas entradas bruscas que dava nos atacantes adversários, sempre “arriando os meiões”, como se dizia. Tinha também um moreno baixo forte, bom na defesa:Alfredo. Driblador rápido e ágil era Toreba, galego baixinho, forte, troncudo, que sempre conseguia chegar a meta adversária. Zequinha de Mestre Alfredo era outro de quem recordo. E muitos outros cujos nomes me fogem a memória. E esporadicamente (nas férias escolares) a equipe era reforçada com os estudantes que passavam as férias na cidade, a exemplo de Hélio e Beto Marinho, atletas temporários, mas muito exigidos pela torcida. Muitos outros que infelizmente não consigo recordar fizeram a história do futebol da Custódia daqueles tempos.

Era comum a realização de amistosos intermunicipais da equipe de Custódia com equipes de cidades vizinhas: Sertania, Monteiro, Flores, Sítio dos Nunes, Tavares, Princesa Izabel, Arcoverde, entre outras. Tais amistosos eram de partidas duplas: uma em Custódia, outra na cidade visitante. Dia de jogo a cidade inteira parava pra ver os atletas. Vendedores de pipocas, de gelada, de cocada, faturavam um dinheirinho extra. Havia apostas, disputas, brigas, tudo que a que uma boa partida de futebol tinha direito naqueles tempos.

O “estádio” era um campinho que ficava exatamente onde hoje é o Posto Tamboril. Cercado por cerca de aveloz, a cancela fazia às vezes de portão, onde funcionava a bilheteria, que se resumia a um cobrador recebendo o valor da entrada. Isso para os adultos e pessoas mais bem aquinhoadas. A nós, a molecada pobre, restava circundar o Grupo Escolar General Joaquim Inácio, pegar um corredor que havia por traz e entrar sorrateiramente, escondido dos vigias que guarneciam a cerca.

Bons tempos aqueles! A despeito das dificuldades da época, sempre apareciam torcedores dispostos a colaborar, ajudando financeiramente na aquisição de padrões ou custeando parte das despesas de viagem às cidades vizinhas. E a torcida era igualzinha a uma que conheço: briguenta, forte, entusiasmada, sempre defendendo a equipe local. Terminado o jogo, não raro havia um baile. Os atletas locais hospedavam os visitantes, e no jogo da volta a mesma coisa acontecia lá na outra cidade. Era uma forma de manter o bom relacionamento entre os atletas e torcidas, e que sempre deu certo. Pena que não mais ocorra isso.

Por José Soares de Melo 

 
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